segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

EL DIABLO DA BR-324 DEVERIA REZAR 50 PAI NOSSOS NO CAPUCHINHOS

Seria para redimir os seus pecados
11/09/2012 às 16:05
Foto: ASCOM PRF
El Diablo da BR-324 só pode ser curado com a água benta do frade Lopez
   Quanto mais rezo na igreja matriz de Senhora Sant'Anna aqui na Serra mais assombração aparece.

   E um causo dessa natureza com o diabo vestindo prada e dirigindo uma carreta vermelha na BR-324, nas proximidades da terra da professora Amélia Rodrigues, é desses imperdíveis e só mesmo a água benta do frade Lopez do Convento dos Capuchos Menores da gloriosa Feira de Santana, também abençoada por Senhora Sant'Anna, poderia retirar do corpo desse bem aventurado motorista a máscara do manfarico, o espirito buliçoso desse Pé-de-Botelho, o qual atormentava colegas com tal astutice, e estaria dirigindo em zigue-zague.

   O paranaense
Sérgio Aparecido Rodrigues só não se deu mal porque não havia delegado de plantão em Amélia, o que é absolutamente normal na Bahia, e aí se livrou da prisão em flagrante, sendo liberado para seguir viagem, sem a máscara do Demo, óbvio, e  tendo de colocar missa assim que chegar ao seu destino paulistano.

   O certo seria parar na Feira, nos Capuchos, e se submeter a orações franciscanas de joelhos e em frente à imagem do taumaturgo de Lisboa e Pádua rezando 50 pai nossos, 35 santa marias e 28 salve rainhas e beijar a cruz do senhor se redimindo dos seus pecados, pois, além da máscara, ao que se noticiou, levava consigo na boléia da carreta uma amante, o que convenhamos é um pecado capital.

   Denota-se, pois, que Sêo Aparecido, além da astutice estava impregnado do espírito do anjo mau, aquele que foi expulso do céu e preciptado no abismo, o espírito das trevas, de estar possuido, de estar endemoniado, e aí garanto que só mesmo a água benta do frade Lopez e uma comida que faz sua secretária conventual, diz-se que temperada com Q-Boa, poderia livrar
essa alma pecadora e colocar botas de anjo, para que ele não pinte mais o sete, número cabalístico do moleque-de-surrão, desse mofento galhardo.

   E pior que ainda vem um médico lá da Feira, amigo de um tal de João Banha e parente de meu avô da Calábria, do ramo dos Colberzões, salvo melhor juizo também aderente dos Penedões do Tucano, residentes no Buraco do Vento, o qual está me prometendo um bode na brasa há meses e nunca sai, dizer que yo perdi a parada para el pé-de-peia que usou máscara na BR-324 e deixei de sair nas manchetes dos sites e jornais, de ter ficado famoso. 

   Digo, então, que esse argumento não combina comigo porque sou um lanzudo da paz que se dá muy bien com o bispo da Serra, dom Assolari, que vou a missa na catedral e na igreja matriz de Sant'Anna aos domingos, e digo mais que não tenho amante e vivo muito bem com dona Esterloura e se quiser testemunhas pode falar com doutor Zéu de Itaberaba que é nosso advogado, pode tirar a prova com Sêo Eleutério da Oficina, com Sêo Foba do Bar, com dona Aninha de Sêo Cipriano, com dona Madalena da Bela Vista, pois o que não falta são testemunhas ao meu favor aqui na gloriosa Serra de Senhora Sant'Anna.

   Agora, já combinei com o bendito frade Lopez que nós vamos procurar esse pé-de-cabra para que ele venha se redimir dos seus pecados e rezar toda trezena para o santo de Pádua, de joelhos, no mês de junho do próximo ano. 

   E que se ele passar aqui pela Serra com essa máscara do manjebo, com nova ousadia, vai levar uma surra de cansanção pra nunca mais se esquecer, para dirigir caminhão em pé ou sentado em almofada com plumas de ganso.