quinta-feira, 27 de junho de 2019
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

COMO PRENDERAM SANTO ANTÔNIO EM QUEIMADAS E ESTE FOI CONDENADO

É mais um causo & lenda da Bahia
13/06/2012 às 08:08

Foto: J. Borges, ilustração
Santo Antônio foi amarrado no lombo de um burro e levado para ser julgado em Água Fria
    Nossa gloriosa Senhora Sant'Anna de Serrinha comemora neste 13 de junho dedicado a Santo Antônio, sua data de emancipação política, desmembrando-se de Irará,  a antiga Vila de Purificação dos Campos. Lá se vão 136 anos, pois, a Resolução Provincial 1609, deu-se a 13 de junho de 1876, quando era presidente da Província (cargo hoje de governador) Luiz Antonio da Silva Nunes.
    O curioso nesse fato é que a emancipação política da Vila de Serrinha ocorreu na data em que se comemora o Dia de Santo Antônio, religioso português nascido em Lisboa e famoso como o santo de Pádua, Itália, o qual morreu em 13 de junho de 1231.

   E, Serrinha, salvo a louvação a este santo que se faz no distrito de Chapada, graças a Sêo Totonzinho, o qual trabalhou para erguer uma capela a este santo, cultua Senhora Sant'Anna desde a sua origem, de Bernardo da Silva e sua esposa, tanto que nossa padroeira é Sant'Anna.


   Agora, Serrinha tem uma história relacionada com Santo Antônio e que fez com que, como diz o povo em sua sabedoria, o santo nunca perdoou a cidade, daí que tem essa caveira de burro enterrada não se sabe ao certo aonde, se no fundo da igreja matriz (no antigo Tanque da Nação) ou na Praça Luiz Nogueira, que não a deixa progredir como deveria, até que a imagem do milagreiro de Pádua apareça.


   O caso começou em Queimadas. Quem levou a devoção de Santo Antônio às margens do Rio Itapicuru foi dona Isabel Maria Guedes de Brito, herdeira das terras que iam de Serrinha pelo sertão a perder de vista, isso no século XVIII.


   O poderoso morgado da "A Casa da Ponte" tinha uma fazenda chamada "As Queimadas" e diz-se que, Isabel por ser muito devota do santo, este apareceu embaixo de uma quixabeira de sua roça e ela mandou recolher e imagem e a colocou num nicho. O certo é que o santo retornou a quixabeira e ficou nesse vai e vem. A devota a levava para o nicho de dia e ele retorna ao campo, à noite.


   Missionários capuchinhos que passaram pelo local tomaram conhecimento dessa história e foram até Isabel aconselhando-a a construir um templo para o santo, no local que ele queria ficar, nas proximidades da quixabeira. Daí que, a fazendeira mandou construir uma igreja e colocou o santo por lá, o local se transformando numa romaria, nascendo daí a vila de Santo Antônio das Queimadas, hoje, Queimadas.


   Era comum na colônia, fazendeiros doarem por testamentos terras a santos. Em Serrinha aconteceu com a igreja matriz cujas terras do entorno foram doadas a Senhora Sant'Anna.


   Em Queimadas, com a morte de Isabel, as terras de Queimadas passaram a pertencer a Santo Antônio, por doação. No século XIX, aconteceu um crime na localidade e colocaram o corpo da vitima no altar da igreja do santo.

   Foi um alvoroço. Como não se descobriu quem matou o homem a Lei Colonial responsabilizou Santo Antônio.


   Em sendo assim, foi determinada a prisão do santo e sua imagem amarrada no lombo de um burro para ser conduzida até Água Fria, sede da Comarca Jurídica, para que o santo fosse ao banco dos réus.


   Lá se foi Santo Antônio amarrado (para não desaparecer) e escoltado por policiais. O pobre do santo foi posto no banco dos réus em Água Fria, distante de Queimadas 180 km, condenado e seus bens (as terras, gado, carneiros, etc) confiscados.


   Posteriormente, esses bens foram levados a hasta pública e arrematadas (as terras) pelo coronel Francisco de Paula Araújo Brito, de Inhambupe.  Anos depois, outro coronel que ocupava as terras do santo em Queimadas, Vicente Ferreira da Silva, se negou a pagar foros a Araújo Brito e o caso foi parar novamente na Justiça.


   E o que é pior: o santo perdeu novamente e Vicente ainda teve que pagar os foros e as custas ao advogado Ponciano de Oliveira.


   O que a sabedoria popular diz é que Água Fria pagou um preço muito alto por ter acolhido o julgamento do santo. Perdeu a Comarca para Irará, o juiz foi transferido para Cachoeira e nunca mais o lugar progrediu.


   Nesse lusco-fusco, os documentos do processo e a imagem do santo sumiram. Teriam sidos levados para Serrinha, localidade que também esteve sob jurisdição de Água Fria e passou a ser Comarca. Então, a pergunta que se faz até hoje, é onde se encontra essa imagem de Santo Antônio?


    Diz-se que teria sido enterrada no fundo do Tanque da Nação, atrás da Igreja Matriz, área que foi aterrada e onde hoje se encontra o Mercado Municipal. Por esse malfeito com o santo, Serrinha paga seu preço e também não se desenvolve. O povo, que é sábio, diz que só melhora quando aparecer a imagem de Santo Antônio.

   Pior aconteceu com Queimadas cidade que tem Santo Antônio como padroeiro, reza por ele todos os anos, mas, ainda não pagou seu pecados por ter permitido levar a imagem o santo até Água Fria.