quinta-feira, 17 de outubro de 2019
Tecnologia

Mapa divulgado por cientistas mostra verdadeiro formato da Via Láctea

Novo mapa foi publicado na revista Nature Astronomy
Nara Franco , Rio de Janeiro | 07/02/2019 às 07:59
Via Láctea
Foto: divulgação

Um novo mapa publicado na revista Nature Astronomy mostra como realmente a Via Láctea é: 1.339 estrelas em três dimensões; 

“É como se a gente pegasse um disco de plástico flexível e, levantando um extremo, dobrasse o outro para baixo", explica o astrônomo Francisco Garzón, do Instituto de Astrofísica das Canárias (Espanha), na Nature Astronomy. 

O novo estudo se baseia em cartografia e na posição de estrelas individuais que servem como pontos de referência distribuídos pelo disco. Cada ponto azul é uma estrela observável no espectro visível, cada ponto vermelho é uma estrela observável no espectro infravermelho. A seta preta indica a posição do Sol.

A equipe responsável pelo mapeamento é composta por pesquisadores da China e da Austrália e se concentrou em astros chamados variáveis cefeidas. São estrelas que pulsam radialmente, diretamente proporcional à sua luminosidade. Isto permite conhecer o brilho intrínseco da estrela apenas medindo o intervalo de tempo entre suas pulsações. Depois, pode-se calcular sua distância da Terra, comparando o brilho observável com o real.

"É notoriamente difícil determinar distâncias do Sol até zonas do disco externo da Via Láctea sem saber qual é a forma desse disco", explica Xiaodian Chen, o autor principal do estudo, ligado à Academia Chinesa de Ciências, em Pequim. 

Para isso, ele e seus companheiros escolheram cefeidas que são entre 4 e 20 vezes mais maciças que nosso Sol, e até 100.000 vezes mais luminosas. Algumas são observáveis no espectro visível, e outras só em infravermelho.

As informações que analisaram os dados foram fornecidas pelo telescópio espacial astronômico WISE, lançado pela NASA em dezembro de 2009. Basearam-se ainda em dados da sonda espacial Gaia, a missão de astrometria da Agência Espacial Europeia ativa desde 2013. 

Pela primeira vez, a pesquisa revela uma precessão no próprio eixo do empenamento da galáxia, previamente desconhecida. Isto significa que, além de dobrar as bordas da galáxia em sentidos opostos, também se retorcem nos extremos de forma perpendicular ao disco. Para visualizar esse fenômeno, pode-se considerar a Via Láctea como um disco composto por anéis concêntricos, e cada anel se dobra de forma diferente, de maneira que alcançam ângulos mais fechados conforme se afastam do centro.