quarta-feira, 21 de abril de 2021
Colunistas / Política
Tasso Franco

FRANKSTEIN DE CONQUISTA PARTIU E FICA O APERTO DE MÃO

O politico que derrotou o PT em Conquista e mudou rumos da história
20/03/2021 às 11:55
      Só conhecia Herzem Gusmão de nome. Era o advogado radialista que fazia oposição aos governos do PT em Vitória da Conquista e almejava ser prefeito. Naquela época, inicio do século XXI, o PT governou conquista por quase duas décadas e pregava que havia mudado o perfil do município, levando muitos benefícios e transformado a cidade. 

   Daí que, na propaganda petista, era um local onde o PT fazia história e não seria derrubado. Mesmo antes de Jaques Wagner chegar ao poder como governador, em 2007, o PT já mandava em Conquista.
  
   Herzem discordava nos seus programas de rádio e dizia que o PT era um 'falso brilhante' em Conquista, alguma coisa tinha sido feito de bom, mas muito aquém daquilo que os petistas apregoavam. 
  
   Vim conhecer Herzem, em 2015, quando ele chegou a Assembleia Legislativa como deputado estadual. Sizudo, grandão no estilo 'Frankstein', aparentemente mal encarado, assim que chegou ao plenário foi a tribuna de imprensa e cumprimentou os jornalistas um a um com um aperto de mão. 

  - "Eu sou Herzem, de Conquista, radialista e jornalista como vocês", disse. 

   E não fez isso uma única vez. Todos os dias que comparecia ao plenário tinha esse gesto com os jornalistas que 'cobrem' as atividades da casa.
  
   Foi assim que conheci Herzem e falava sempre com ele na bancada da imprensa, na sala do cafezinho e no plenário sobre o seu município. Ele dizia-me que o PT fazia uma propaganda enorme sobre Conquista, mas não era nada daquilo e que ele iria se candidatar a prefeito de derrotá-los. 

   Tínhamos dúvidas. O PT tinha uma safra de bons políticos, o lider do governo com Wagner, Waldenor Pereira, Zé Raimundo, Guilherme Menezes e outros. Além disso, tinha o apoio incondicional do PCdoB e outros.
  
  Vice-presidente da Comissão de Educação na Assembleia, Herzem tinha uma boa atuação nas comissões (também participava das comissões de Finanças e Direitos Humanos) e no plenário onde seu foco era Conquista e criticas ao governo estadual do PT.
  
  As informações que tínhamos de Conquista eram mais repassadas por Waldenor. Depois, chegou o deputado Fabrício, do PCdoB, também de Conquista, que abriu uma dissidência com o PT e também queria ser prefeito. E lançou-se candidado, em 2016. 

   Herzem um dia me disse: - Vou derrotá-los a todos. Conquista quer fazer uma mudança e eu sou o nome.
 
   Não acreditei muito. Faltava-me informações. 
  
  Veio a eleição e Herzem venceu a todos. O PCdoB voltou a se juntar com o PT, mas não teve jeito.
  
   Eleito prefeito com gestão entre 2017 e 2020 fez o que pode. Sem apoios dos governos federal e estadual, Herzem fez uma administração municipal considerada mediana, mas com um grande mérito, a seriedade. 

   Não havia corrupção em seu governo e o grande trunfo que o governo petista do estado tinha na cidade era a ampliação do aeroporto local, obra com recursos parciais do governo federal. Num golpe de mestre Herzem levou o presidente Bolsonaro para inaugurar o aeroporto tirando o doce da boca de Rui Costa e a bandeira do candidato petista, Zé Raimundo, em 2020.
  
   Dizia-se, em meados de 2020, que Herzem perderia feio a eleição em Conquista. 

   O PT relançou Zé Raimundo, deputado e ex-prefeito, pessoa distinta, séria, porém, desgatada pela 'fadiga de materiais' do petismo. Não haveria algo de novo? O PCdoB não seria a solução com Fabrício? 

   Nada. O PT manteve Zé Raimundo e Herzem aliou-se com o DEM de ACM Neto e venceu de novo. Inacreditável. Mas, real. Herzem e Sheila, a dobradinha eleitos. 
  
   Herzem não chegou a assumir, de fato, a Prefeitura para sua segunda gestão. Contraiu covid em dezembro de 2020 e faleceu ontem. Conquista perde um grande político e figura humana admirável. Respeitável, educada. 
  
   Na última vez que esteve no plenário da Assembleia, em meados de 2020, repetiu o gesto de cumprimentar os jornalistas com um aperto de mão. (TF)