ter?a-feira, 19 de janeiro de 2021
Colunistas / Política
Tasso Franco

NUVEMS SE MOVEM NO 2º TURNO E SINALIZAM PARA NETO ENTRAR EM 2022 (TF)

Petismo está desgastado e a população dá sinais de que deseja mudar
29/11/2020 às 20:25
  As vitórias de Colbert Martins Filho (MDB) e Herzem Gusmão (MDB) em Feira de Santana para os candidatos petistas Zé Raimundo, deputado estadual, e Zé Neto, deputado federal, respectivamente, mostram uma tendência para as nuvens de 2022 - lembrando que esse termo foi cunhado por Sebastião Nery - que sinalizam para ACM Neto (DEM) que chegou sua vez de postular uma candidatura ao governo do Estado enfrentando essa hegemonia petista que data de 2006 e completará no ano do bicentenário da Independência do Brasil, 22 anos.
  
   O governador Rui Costa (PT) por ser o lider máximo deste partido na Bahia sofreu uma ampla derrota nos 3 principais colégios eleitorais - Salvador, Feira e Conquista - na capital com a imposição de uma neófita em política, a major Denice Santiago, e em Feira com dois políticos experientes, um dos quais - Zé Raimundo - já fora prefeito de Conquista. 

  E Zé Neto, quando deputado estadual, foi lider do governo petista na Assembleia com Wagner - substituindo Valdenor Pereira - e com Rui. Nos três casos, Rui esteve em campanha participando de carreatas.
  
  Claro que não se pode por a culpa total em Rui - sobretudo em Feira e Conquista - dos fracassos petistas nas eleições. Essa é uma tendência nacional. O PT não elegeu sequer um prefeito nas capitais, ficou velho e carrega a cruz de Lula da Silva, ex-grande lider, hoje, um estorvo, alguém que era uma esperança e se tornou simbolo da corrupção. 
  
   Rui, portanto, tem que carregar essa cruz. Ainda bem que Lula - ao que se diz - não virá mais morar na região metropolitana de Salvador num condomínio à beira mar - o que será um alívio para o petismo baiano que dirige bem o estado e está sem o carimbo da corrupção.
  
   Em Feira, Zé Neto saiu na frente no primeiro turno e parecia que ganharia o pleito no segundo. Aliançou-se, no entanto, com o bolsonarismo de Dayiane Pimentel e com ex-deputado Targino Machado, inimigo múmero 1 do PT na Assembleia Legislativa, processado pelo secretário da Segurança Pública do Estado, Maurício Barbosa, também desafeto do senador Jaques Wagner. Não poderia dar certo. 
  
   Zé Neto é um bom deputado. Amadureceu muito quando ocupou a função de lider da bancada governista na Assembleia. Aprendeu a conversar, a dialogar, a saber a hora certa de negociar inclusive com Targino que era o deputado mais combativo contra o governo petista. Diz-se que em Feira ele tem um teto eleitoral. Desta vez ultrapassou o teto e fez uma boa campanha.
 
   A questão é que do outro lado estava Colbert, herdeiro do ronaldimo (de José Ronaldo de Caravalho prefeito que fez história na cidade), filho do velho Colbert (ex-prefeito querido no município - e é um boa gente, bom de votos, figura humana admirável. Esse perfil de Colbert o ajudou bastante e Zé Ronaldo entrou de cabeça na campanha. A população entendeu que deveria seguir esse caminho e aprovou.
  
  Em Conquista, Zé Raimundo (PT) também saiu na frente no primeiro turno e estava bem posicionado com apoios de Guilherme Menezes (ex-prefeito) e Valdenor Pereira (deputado federal) e as obras governamentais. Zé Raimundo, no entanto, tem a marca petista antiga, é roda presa, dialoga pouco, e enfrentou Herzem Gusmão que, embora turrão, sizudo, faz um governo sem sinais de corrupção. 

   A população de Conquista entendeu que não deveria voltar ao passado (o PT governou a cidade por 20 anos), Herzem teve forte apoio das forças liberais e empresariais e venceu o pleito.
  
   Vale ressaltar, ainda, que o governador Rui Costa fez sua parte em Salvador, Conquista e Feira com muitas obras relevantes nestes municípios. Mas, há uma fadiga de materiais do petismo (no Brasil e no estado) e o eleitor quer algo novo. O mover das nuvens dessas eleições municipais mostra isso e quem souber fazer essa leitura se dará bem, em 2022.