segunda-feira, 16 de setembro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

A ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO DO PRESIDENTE BOLSONARO

Bolsonaro tem um estilo próprio para manter a sua 'tropa de choque' unida em torno de uma causa, mas, não valoriza os ganhos do governo
31/08/2019 às 10:53
 1. O presidente Jair Bolsonaro tem uma política de comunicação (se é que podemos chamar isso de política) inusitada e pouco compreensível para os leigos. Ainda, assim, dá para entender a nosotros profissionais da área que o chefe da Nação usa expressões de sua linguagem própria e popular para falar diretamente com o pessoal fanatizado da direita, manter o seu eleitorado sob controle, cuidar menos da administração governamental a deixar essa tarefa para seus ministros. 

   2. Em parte, diria que essa estratégia está dando resultados embora tenha perdido popularidade no cômputo geral. Pesquisa desta semana na revista Veja mostra que, mesmo diante dessa perda, se as eleições fossem hoje para Presidência venceria a Haddad, Ciro Gomes, Huck e Amoedo no primeiro turno. Hoje, por posto, S. Exa. ao invés de comemorar ou difundir a melhora nos índices de desemprego falou em libertar presos militares no indulto de Natal.

   3. Veja que Natal ainda é em dezembro e estamos no final de agosto. Tancredo Neves dizia que, na política, a arte de agregar é fundamental. Bolsonaro parece não dá muito atenção a isso. Na última semana, a imprensa gastou muita tinta afirmando que havia uma dessavença entre o presidente e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Tinha fundamento. De repente, ele aparece com Moro descendo a rampa do PP e diz que o ministro é um "patrimônio nacional".

   4. É exatamente essa a estratégia usada por Bolsonaro para, em parte, pautar a imprensa. Não é a primeira vez que faz isso e nem será a última. Ele próprio já disse que não mudará seu estilo, o que significa dizer que quem faz sua comunidação é o próprio. 

   5. Isso me fez lembrar de ACM no tempo em que mandava politicamente na Bahia e cheguei a participar de algumas campanhas políticas no marketing com ele. O pessoal preparava um roteiro para ele falar na televisão via telepronto, o 'velho' lia o texto, olhava pra turma e dizia: - Tá tudo muito bem. Na hora de falar, poderia até usar algum conceito colocado pela equipe, mas, falava o que 'dava na telha', de sua experiência política.

   6. Bolsonaro parece que segue esse tipo de roteiro com a diferença que ACM valorizava ao máximo o que fazia e o atual presidente não valoriza seus feitos. Veja que todo mundo estava falando em recessão, os colunistas econômicos, o mercado, etc, e quando veio o resultado do PIB foi surpresa pois houve um crescimento de 0.4% no segundo semestre. 

   7. Supunha-se que ele iria comentar, difundir, fazer uma midia paga e nada aconteceu. Ora, quem não se comunica se trumbica já dizia Chacrinha nos anos 1970/80, daí que Bolsonaro mais trumbica do que se comunica. 

   8. Outro exemplo: pelo quarto mês consecutivo o governo federal contabiliza mais empregos com carteira assinada do que dispensas e já são mais de 410 mil novos empregos no ano. Observe, ainda, que o mercado de empregos mudou bastante e esse é um número bastante significativo diante da dinâmica do empreendedorismo e de muita gente que optou por ser pequeno empresário.

   9. Há de se dizer que o presidente usa muito bem as redes sociais, mas, não está sozinho nesse segmento. Já esteve mais solto. Hoje, a oposição a ele acordou depois que tomou uma 'surra' na campanha passada e há um confronto em igualdade na base da informação e contra-informação. 

   10. Bolsonaro, em nossa opinião, deve continuar com seus estilo próprio de 'chutar a canela' como fez com o jornalista Merval Pereira, o que também lembra ACM que adorava esse tipo de arte, mas, dar mais valor aos feitos positivos do seu governo. Assim nos parece.
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