sexta-feira, 19 de julho de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

JAIR BOLSONARO sai fortalecido na entrevista do Jornal Nacional

Candidato do PSL não se intimidou com os apresentadores da Rede Globo e contestou-os de forma dura
30/08/2018 às 09:26
 A segunda entrevista na bancada do Jornal Nacional (Rede Globo) com presidenciáveis, ontem, foi com o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), o qual saiu mais fortalecido e ainda levou às cordas a dupla de entrevistadores William Bonner e Renata Vasconcellos. 

   Não saberia dizer se o candidato amealhou novos simpatizantes e conseguiu mais votos em sua campanha porque ainda é cedo para se ter uma idéia dessa ação, mas, o deputado conseguiu falar de forma clara para seu eleitorado mantendo-se coerente, ou seja, preservando o que já está em sua sacola de votos, especialmente numa das questões que mais apavora a população brasileira - a segurança - quando defendeu o uso da força e a condecoração de militares que matem 10 a 15 bandidos.

   Também defendeu os militares diante do golpe militar de 1964, que considerou legal, constitucional (derrapada e tanto) mas, evidente que se tratava de um recado à tropa.

   Evidente que muita gente não gosta desse discurso de Bolsonaro, o combate da violência com mais violência e a defesa dos militares. A questão é que, como ninguém consegue resolver esse nó, a violência só cresce e recentemente militares do Exército foram mortos por bandidos no Rio, Bolsonaro ao menos oferece uma alternativa com extensão para o combate armado no campo, em especial contra invasões de terras do MST, e isso é acolhido por uma faixa da população. 

   E, ao contrário do que muitos analistas diziam, os números de Bolsonaro nas pesquisas se consolidam acima de 25% e só crescem, quando dizia-se que ele derreteria.

    Bolsonaro foi bem treinado para a entrevista no JN e pré-avisado de que os entrevistadores iriam para sua goela como foram para a de Ciro Gomes reagiu à altura e de forma dura, primeiro com Bonner ao dizer que "seu casamento" com Paulo Guedes, apontado como ministro da Fazenda de um provável seu governo, tem jura de amor de fidelidade eterna, indissolúvel (lembrando que Bonner recentemente se separou de Fátima Bernardes); e sobre Renata, a qual insistia numa possível ação do 'futuro' presidente em lutar para que os salários das mulheres sejam iguais aos dos homens, disse que ela própria ganhava menos do que Bonner na TV Globo, o qua a deixou irritada.

   Em nossa opinião os apresentadores da Globo erraram de novo na falta de objetividade nas perguntas, muito prolixas, quase explicativas de determinados temas, sobretudo na primeira pergunta sobre se o candidato era o novo quando já tem 7 mandatos, na questão do gênero, que o candidato tirou de letra e aproveitou para mostrar uma cartilha editada no governo de Dilma quando pediu que os pais tirassem seus filhos da sala. 

   Como era proibido mostrar documentos na entrevista - acordo feito com os marketeiros da campanha - a parte mais esdrúxula do livro deixou de ser mostrada.
 
   Alguns pontos mais polêmicos da entrevista: 

   Sobre ser o novo. Jari Bolsonaro - Geralmente, quando se fala em família na política, são famílias enroladas em atos de corrupção. A minha família é limpa na política. Sempre integrei o baixo clero em Brasília. Se tivesse, na forma de fazer política, ocupado altos postos, com toda certeza eu estaria envolvido na Lava Jato hoje em dia. Então, mantive a minha linha em Brasília, inclusive citado no Mensalão por Joaquim Barbosa como o único deputado da base aliada que não foi comprado pelo PT. Citado por Alberto Yousef como um dos três deputados do PP que não buscou dinheiro na Petrobras. E também, na questão da JBS Friboi, fui o único deputado que recebeu do partido dinheiro oriundo da JBS Friboi e devolveu para o partido. Então, eu não sou, eu estou lá na política há muito tempo, tenho 17 anos de Exército Brasileiro e mantive a minha linha.

   Sobre a pergunta de Bonner a sua falta de conhecimento da economia e a provável indicação de Palo Gudes respondeu Bolsonaro: - Bonner, é quase que um casamento. Eu estou namorando o Paulo Guedes há algum tempo e ele a mim também. Nós, Bonner, somos separados. Até o momento da nossa separação, nós não pensamos numa mulher reserva para isso. Se isso vier a acontecer, por vontade dele ou por uma vontade minha, paciência. O que eu tenho de Paulo Guedes até o momento é de uma fidelidade, de um compromisso enorme para com o futuro do Brasil. Tenho certeza, acredito nas propostas dele e ele vai implementar, se não vai implementar todas é porque temos, sim, um filtro chamado Câmara e Senado. Nem tudo que ele quer ou o que eu quero podemos aprovar, porque passa pelo parlamento brasileiro.

   Bonner: - O senhor está então, agora, admitindo que existe essa possibilidade de Paulo Guedes, em algum momento, se descasar do senhor, para usar uma comparação que o senhor está usando.

   Jair Bolsonaro: Paulo Guedes, Bonner, quando nós nos casamos, eu com a minha esposa, você com a sua, nós juramos fidelidade eterna. E aconteceu um problema no meio do caminho, que não cabe a ninguém discutir esse assunto. Duvido, pelo que conheço de Paulo Guedes, e passei a conhecê-lo muito mais depois que comecei a conversar com ele, esse descasamento venha, esse divórcio venha a acontecer. O único insubstituível nessa história sou eu, que daí troca todo o ministério. Fora isso, se por ventura vier a acontecer, pode ter certeza, né, que não será por um capricho meu ou o capricho dele. Que nós estamos imbuídos, eu e Paulo Guedes estamos imbuídos, em buscar dias melhores para o nosso Brasil. E nós não queremos uma aventura nesse processo.

   Renata Vasconcellos: Eu gostaria só de saber do senhor, eleito presidente da República, o senhor é candidato à presidência, que políticas o senhor deve fazer para evitar essa desigualdade?

   Jair Bolsonaro: Por que o Ministério Público do Trabalho não age no tocante a isso daí? Passa a agir.

   Renata Vasconcellos: O senhor como presidente da República…

  Jair Bolsonaro: Mas eu não tenho ingerência no Ministério Público do Trabalho, isso está na CLT. É só as mulheres denunciarem, o MP do Trabalho vai atuar no assunto.

   Renata Vasconcellos: O senhor sabe que o Estado, ele tem mecanismos para estimular a iniciativa privada para que não cometa esse tipo de desigualdade salarial.

   Jair Bolsonaro: Olha, Bonner…

  Renata Vasconcellos: O senhor como candidato à Presidência da República não vai fazer nada para… Ou melhor, como presidente da República, o senhor não fará nada para evitar desigualdades assim?

   Jair Bolsonaro: Olha, mas é lógico que a gente faria, mas estou falando que o Ministério Público do Trabalho pode ser questionado. Eu estou vendo aqui uma senhora e um senhor, eu não sei ao certo, mas com toda certeza há uma diferença salarial aqui, parece que é muito maior para ele do que para a senhora. São cargos semelhantes, semelhantes, são iguais…

   William Bonner: - Acho que é hora de entrar com esse tema, então. Está na hora. Vamos lá, candidato. Outro tema importantíssimo. O Brasil está preocupadíssimo com o tema, e é um tema caro ao senhor também. O senhor sabe que, nas favelas brasileiras, a imensa maioria dos moradores é de gente honesta, trabalhadora que vive sob o jugo, sob o domínio de traficantes de drogas e, muito frequentemente, é vítima de tiroteios entre bandidos e policiais. O senhor afirmou que violência se combate com energia, se combate com inteligência e, palavras suas, se for o caso, com mais violência ainda. Mais violência ainda, candidato. Como é que o senhor acha que os brasileiros que vivem nessas comunidades dominadas por traficantes, que são vítimas desses tiroteios tão frequentes, como é que elas recebem uma afirmação como essa sua?

   Jair Bolsonaro: Com mais violência ainda, que eu declarei, sim, isso que você falou aí, é se o bandido lá está com o 762 atirando, o policial para o lado de cá tem que ter uma .50. Se ele está com uma .50, você tem que ter um tanque de guerra para o lado de cá. Eu já fui vítima de violência, Bonner, você também, infelizmente, Bonner. Só Deus sabe o que passou na tua cabeça, sobre a sua integridade e sobre a minha integridade. Esse tipo de gente, você não pode tratá-lo como se fosse um ser humano normal, tá, que deve ser respeitado, que é uma vítima da sociedade.

  Jair Bolsonaro: Nós do Exército Brasileiro acabamos de perder três garotos, três jovens garotos, para o crime agora. Nós temos que fazer o quê? Em local que você possa deixar livre da linha de tiro as pessoas de bem da comunidade, ir com tudo para cima deles e dar para o policial, e dar para os agentes da segurança pública o excludente ilicitude. Ele entra, resolve o problema, se matar 10, 15 ou 20 com dez ou trinta tiros cada um, ele tem que ser condecorado e não processado.

  William Bonner: Os historiadores sérios se referem a 1964, candidato, como um golpe militar. É assim que se trata nos livros, é assim que a história mostra que os fatos se deram. O que eu lhe pergunto, é para o momento que estamos vivendo, eu já dei um salto aqui de três anos. Nós estamos em 2018. Em 2018, o seu vice dar uma declaração como essa, dizer que os militares vão impor uma solução, como fica a Constituição numa situação como essa?

  Jair Bolsonaro: Olha, no meu entender, foi uma alerta que ele deu e, no mais, deixa os historiadores para lá. Eu fico com Roberto Marinho, o que ele declarou no dia 7 de outubro de 1984, vou repetir aqui.

  William Bonner: O senhor vai repetir isso.

  Jair Bolsonaro: Eu vou repetir aqui: “Participamos da revolução democrática de 1964, identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, distúrbios sociais, greves e corrupção generalizada”. Repito a pergunta aqui: Roberto Marinho foi um ditador ou um democrata? É a história, nós aqui, tenho certeza, eu não falo...

* Em nota no final do JN, a Globo informou que Roberto Marinho e o Globo já tinham admitido esse erro em apoiar o Globo.