quinta-feira, 18 de julho de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

ACM e espectro de Hamlet na política baiana há 47 anos

Os sentinelas tentam convencer Horácio, amigo do Príncipe Hamlet, que eles têm visto o fantasma do rei morto, quando ele aparece novamente. Assim é a politica baiana há quase 50 anos
22/03/2018 às 17:51
 1. Uma pesquisa recente CNI/Ibope revelou que o eleitor brasileiro está pessimista em relação as próximas eleições - presidente, senadores e deputados - com 44% esperando o pior. Só 20% são os otimistas e 23% não tem perspectiva alguma. A pesquisa não aborda os estados em sí e as candidaturas de governadores e deputados estaduais. Mas, os números não devem ser muito diferentes.

   2. Na Bahia, há 46 anos, a disputa estadual dá-se entre as forças do carlismo (de ACM) e a oposição a esse grupo, originalmente comandado e no poder com ACM entre 1971 e 1986 (intervalo do governo de Roberto Santos entre 1976/1979); mais um pequeno intervalo com os governos de Waldir Pires/Nilo Coelho (1987/90) e novamente ACM entre 1991 e 2006. De 2007 para cá, a hegemonia é do PT.

   3. O que se observa é que, em todo esse período de 47 anos, não surgiu uma terceira via que pudesse governar a Bahia. Em 1975, Roberto Santos foi nomeado pelos militares; em 1986, a campanha de Waldir Pires, então no PMDB, foi toda contra o candidato de ACM, Josaphat Marinho, mas, com o peemebista aliado aos carlistas Ruy Bacelar, Nilo Coelho, Jutahy Magalhães (este, nem tanto carlista); e em 2007, Wagner fez sua campanha contra Paulo Souto, também com apoio de carlistas, em especial, Otto Alencar.

   4. Wagner, em 2007, poderia ter sido a terceira via. Mas, na prática, viu que se não fizesse alianças com a direita não venceria o pleito. E, feito essa aliança, teve que dividir o bônus com essas forças, Otto Alencar sendo logo alçado a condição de vice-governador, e tantos outros 'ex-carlistas' que ocuparam cargos no seu governo. 

   5. A senadora Lidice da Mata (PSB) tentou, em 2014, ser uma terceira via sangue puro entre essas forças, mas, não conseguiu eleger-se governadora. Partiu sozinha com as tais forças da esquerda e o candidato a presidente Eduardo Campos, o qual morreu em campanha. E, pior, depois do pleito, aliou-se ao PT vencedor e sepultou de vez a possível terceira força.

   6. Agora, chega-se a 2018, com a mesma formatação de anos, de décadas: um candidato petista apoiado por 'ex-carlistas' à reeleição; e a candidatura provável do neto de ACM. 

   7. Surgiu algo novo? Não. Pelo contrário. Neste 2018, vai ser ainda mais acirrada a campanha se de fato Neto for candidato das forças 'carlistas' x anti-carlistas. A pré-campanha já está tão polarizada desde agora entre Rui x Neto que, mesmo que surgam candidatos de outros partidos (e certamente vão surgir) não têm a menor chance. 

   8. A realidade é a seguinte: o espectro hamletiano do 'velho' ACM continua dominando a política baiana.