quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

DILMA vem para palanque de Alice e Lula veio para o de Pelegrino

Como era quando Lula vinha apoiar Nelson Pelegrino na capital
03/09/2016 às 09:51
  Em sua programa eleitoral no rádio e na TV, a deputada Alice Portugal anuncia a presença da ex-presidente Dilma em comício do PCdoB, em Salvador, previsto para dia 9, próxima sexta-feira. 

   É a mais ousada investida do marketing político da candidata que tem 7.9%¨das intenções de votos segundo o Instituto Paraná/Rede Record, um número bem baixo para 30 dias do restante da campanha, e seu adversário ACM Neto (DEM) com 68.8%.

   Esse fato, faz-me lembrar das duas campanhas de Antonio Imbassahy, em 1996 e 2000, ambas vencidas no primeiro turno contra o então candidato do PT, Nelson Pelegrino e outros, e a presença de Lula em Salvador. Imbassahy nunca teve sequer 60% nos melhores momentos.

   Naqueles anos, com Lula em alta popularidade - venceu a eleição para presidente em 2002 contra José Serra com estrondosos 53 milhões de votos (Serra só ganhou em Alagoas e obteve pouco mais de 33 milhões de votos) sempre que o petista vinha a Salvador para um comício de Pelegrino, este dava um salto no número de intenções de votos e preocupava o marketing da campanha Imbassahy, do qual eu fazia parte. 

  A primeira eleição de Imbassahy x Pelegrino, em 1996, foi a mais preocupante se ele ganharia ou não no prtimeiro turno. O governo Lidice da Mata tinha deixado Salvador numa situação crítica - lixo, abandono dos postos de saúde, ratos nas ruas, atrasos de pagamentos, etc - e com ACM forte, Imbassahy levou no primeiro turno com 51.6% dos votos.

  Pelegrino teve 29.9%; o candidato de Lidice, Domingos Leonelli 7.94%; e Pedro Irujo 7%. Na segunda, foi até mais fácil, porém, o efeito Lula assustou Imbassahy, o qual estava bem avaliado pela população e ganhou com 53.74% dos votos, tb no primeiro outro.

   Nesta eleição, com Lula mais forte, Pelegrino começou com 7% (mais ou menos como está Alice, hoje) e na primeira vez que Lula veio a Salvador, Pelegrino pulou para 17%; e na segunda atingiu 35.42%. Se a campanha demora mais e João Henrique tivesse obtido um maior número de votos (teve 7%) poderia ter levado a eleição ao segundo turno.

   Faço esse comentário para mostrar que, embora seja uma boa jogada política trazer Dilma para seu palanque, com a ex-presidente com poder de votos e de sensibilização menor do que Lula, dificilmente alavancará a candidatura Alice. 

   Neste caso, diferente do que aconteceu com Pelegrino/Lula, onde a ajuda de Lula era fundamental para Pelegrino, agora, sucede, uma espécie de ajuda mútua com Alice dando uma força a Dilma, mais do que Dilma a Alice.

   Na campanha de Alice, mais vale o apoio do governador Rui Costa, bem avaliado pelo eleitorado da capital, do que de Dilma. Rui já está fazendo sua parte na TV dando apoio explicito a Alice, mas, o efeito da transferência dos votos ainda não se concretizou. Pelo menos é o que indicam as pesquisas. 

   Depois, Lula era PT e Pelegrino PT, um casamento perfeito; agora, Dilma é PT e Alice PCdoB, um casamento imperfeito.