segunda-feira, 14 de outubro de 2019
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Tasso Franco

CICLO PETISTA NO PLANALTO se encerra, mas o PT ainda está vivo

Veja nosso comentário e opiniões do governador, da senadora Lidice e de parlamentares baianos
01/09/2016 às 10:41
  1. Há quem diga que o ciclo político do PT no Brasil, pelo menos no poder máximo, se encerrou com a saída de Dilma Rousseff. Ledo engano. Houve e há um desgaste enorme do partido e dos seus chefes políticos, especialmente, Lula da Silva, os quais meteram as mãos pelos pés e muitos deles estão presos na Operação Lava Jato e o próprio ex-presidente já denunciado pela Policia Federal, mas, o PT ainda é um partido vigoroso.

   2. A presidente Dilma insiste em passar a imagem de uma politica insuspeita diante da opinião pública mas tem imensa responsabilidade no que aconteceu com o país, esse enredo que levou a Petrobras a uma semi-falência, como se ela não soubesse de nada e a gestão pública estivesse acima das leis. A Petrobras é apenas um exemplo do descalabro de um governo que deixa um legado de 11.5 milhões de desempregados.

   3. O PT, com Lula no governo, em tempos idos, antes de se lambuzar com a elite, fez muito pelo país. Isso deve ser registrado. A presidente Dilma, dando sequência a esse ciclo, a rigor, foi uma peça usada por Lula para alcançar o poder absoluto e se viu envolta numa teia de aranha, sem saída, sem articulações com o Congresso Nacional sofrendo uma derrota pior do que a do afastamento de Fernando Collor.

   4. O que vai acontecer daqui para a frente só o tempo dirá, mas, uma coisa esboça-se como certa, desde já, que o PT sofrerá um imenso desgaste nas eleições municipais que se aproximam e poucos vão querê-la em palanque. E, muito menos a Lula. O caso de Salvador é sintomático: um estado com um governador petista este partido não conseguiu sequer lançar um candidato no colégio eleitoral mais importante, a capital.

   5. Os petistas (e outros) vão usar o argumento de que houve um golpe, como a ex-presidente Dilma diz, um duplo golpe porque sofrera também com 1964, ou um golpe parlamentar como se coloca, e/ou uma perda para a democracia, mas, o impeachment é um peça constitucional e os petistas de hoje estão esquecidos do impeachment de Collor que apoiaram e votaram. Quando Itamar assumiu, em 1992, ninguém disse que a democracia estava golpeada.

   5. Diga-se, sim, que houve uma agressão à Constituição por parte do Senado ao votar um destaque que modifica termos da Constituição ao pemitir que a ex-presidente tenha direitos políticos assegurados e possa exercer cargos públicos. O que é um absurdo uma vez que se trata de matéria reservada a uma PEC e isso só pode ser aprovado por Emenda Constitucional e não por destaque.

   6. O importante, a partir de hoje, é que o país deixa essa condição de ter dois presidentes, uma afastada e outro em exercício, e passa a ter um presidente de direito e de fato. Caberá a Michel Temer e sua equipe dar uma organizada no país, resolver essa questão da Previdência que é um saco sem fundos, cuidar da saúde pública, outra grande mazela, e colocar o país nos eixos acabando com essa bagunça de desrespeito às leis com invasões de terras, de propriedades e assim por diante.

   7. E trabalhar no sentido de buscar investimentos, de gerar empregos, colocar a economia para funcionar o governo ajustando suas contas, reduzindo seu absurdo custeio e fechando os cofres para um monte de projetos que só faz sangrar os recursos do país. A população que foi às ruas desfraldando a bandeira do Brasil estará atenta a essas questões. Roubalheira nunca mais.
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