quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

PMDB fica mais distante se ser a solução como querem alguns lideres

PMDB vai morrer afogado com PT numa provável candidatura em 2018 se mantiver o aval ao governo da presidente Dilma Rousseff
11/10/2015 às 18:55
 1. O senador Romero Jucá, um dos mais influentes líderes do PMDB e próximo do vice-presidente Michel Temer, defende a tese de que o seu partido tem que ser a solução e não pode ser sócio dos erros do governo porque a concepção desses erros foi do PT. Jucá defende o rompimento da sigla com o governo e entende que a única sigla de protagonizar a transição em caso de impeachment.

   2. A tese defendida por Jucá tem sentido e muitos adeptos no PMDB, mas não é consensual e parece a cada dia mais distante de ser efetivada na medida em que a sigla engordou em cargos no governo da presidente Dilma Rousseff e seus principais líderes, o vice-presidente Michel Temer, e os presidente da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros não dão sinais na direção do impeachment. 

   3. Pelo contrário. Salvo Eduardo Cunha que está na corda bamba envolvido no escândalo da Lava-Jato, os outros dois estão bem alinhados com o governo. O que passa na cabeça de Cunha e qual é, ainda, o seu poder de fogo é dificil saber-se. E aí, sobre sua mesa, ainda alguns pedidos de impeachment e serem analisados.

   4. Em sendo assim, avalizando o governo Dilma como nunca na estratégia montada pelo ex-presidente Lula da Silva, o PMDB além de estar mais distante de ser a solução a curto prazo, caso de um impeachment, fica também mais distante ainda da possibilidade de apresentar um candidato a presidência que seja competitivo, em 2018, como pretendem os seus líderes e até já lançada por Cunha a pré-candidatura de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, uma liderança regional, sem densidade política nos estados. 

   5. Vê-se, pois, na encruzilhada em que se meteu o PMDB, avalista do governo Dilma e a ser contaminado por ele no caso de uma candidatura independente à Presidência, uma vez que a população não é boba e não aceitará, lá adiante, que o PMDB se desgarre do PT para trilhar isoladamente. O abraço dado hoje será de afogados lá adiante, isso não se deve ter dúvida. A população está mais esperta, mais atenta, as redes sociais estão ativissimas e ninguém engana mais ninguém.

   6. Ou o PMDB assume uma posição independente agora ou não terá como desgrudar-se do PT na véspera do pleito. Nesse último caso, o que parece mais provável é que a sigla siga como avalista do governo e se mantenha como seu principal aliado. No momento, embora Jucá e outros não querem essa sociedade, tese defendida aqui na Bahia por Geddel Vieira Lima, ela é real tanto que o novo ministro da Saúde, agora na cota do PMDB, é o mais ardoroso defensor da CPMF, o imposto mais impopular do Brasil.

   7. Chances o PMDB teve de sair-se dessa encrenca, mas optou por grudar-se mais ao governo. E isso tem lá suas vantagens, porém tem um alto preço politico.