sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

A SEMELHANÇA da campanha de sOUTO com a de Waldir Pires, em 1986

As alianças na politica baiana são de todos os tipos em nome da vitória
06/09/2014 às 11:17
 1. Estaria ocorrendo com a candidatura Paulo Souto (DEM), nesta eleição 2014, um fenômeno parecido com o que aconteceu com Waldir Pires, então candidato a governador da Bahia pelo PMDB, em 1986, respeitando-se as devidas proporções, uma quantidade valiosa de adesões de lideranças do interior de várias correntes partidárias vinculadas ao governo. Pode não ser na mesma dimensão do que se deu com Waldir, mas, o fenômeno é assemelhado.

   2. Em 1986, Waldir compôs uma aliança com Nilo Coelho para vice e Rui Bacelar (PFL) e Jutahy Magalhães para o Senado tentando, com isso, derrotar a hegemonia politica de ACM que datava do inicio da década de 1970, quando este foi nomeado pelo regime militar governador da Bahia e voltou ao poder substituindo Roberto Santos, em 1979, em seguida elegendo João Durval governador, em 1982, diante a morte de Cláriston Andrade. ACM estava no poder contando com a época da Prefeitura da Capital há 16 anos.

   3. Waldir só tinha um caminho a seguir e ganhar o pleito: aliar-se com os grupos politicos mais conservadores. Com isso e graças ao apelo discursivo que tinha recebeu uma enxurrada de adesões do interior e venceu a eleição contra Josapaht Marinho. 

   4. Agora, de certa forma, Paulo Souto se utilizoau de tática semelhante, em costura que contou com a coordenação de ACM Neto. Quem poderia imaginar que Neto, como o próprio nome diz, neto de ACM, aceitaria uma composição com Joaci Goés (PSDB) e Geddel Vieira Lima (PMDB)? Não pelos partidos em sí, mas, pelo fato de que Joaci e Geddel foram adversários ferrenhos de ACM. Mais ainda: eram praticamente inimigos politicos. Joaci, então, nem é bom falar o que dizia ACM dele e vice-versa.

   5. Quando se viu Joaci e Geddel na missa em memória de ACM, na última quinta, o "velho" só não se revirou do túmulo porque isso é uma figura de retórica. 

   6. Mas é essa aliança, aí, sim, com os partidos políticos PMDB/PSDB/PTN/PPS/etc que vale e se na campanha de 2010, Wagner nadou com braçadas largas diante de candidaturas isoladas de Souto e Geddel, ambos para governador, desta feita, estes unidos, encurtaram o braço do governador, o qual há 8 anos no poder e com um candido duro (no sentido de não ser popular), até se parecendo com Josaphat, perde terreno.

  7. Diante desse quadro, Paulo Souto tem recebido muitas adesões de lideranças do interior que estão deixando de seguir a liderança do governador. Ainda há com Rui os nomes de Otto e Leão que são dois bons articuladores políticos e isso é que tem segurado a dimensão da enxurrada a Souto.

  8. Registre-se também um salve-se quem puder nas eleições proporcionais e queixas nos corredores da Assembleia de deputados governistas que estariam perdendo redutos para Otto, este numa articulação para salvar seus nomes do PSD, sobretudo a deputada Ivana Bastos. E, claro, compor sua bancada.

   9. Ademais, como aconteceu com Walkdir, em 1986, o Ibope previu uma larga margem de frente a Josaphat, desde maio. Agora, pesquisas apontam Souto, desde a largada da campanha com uma boa diferença para Rui e Lidice. Isso, sem dúvida, ajuda na enxurrada.