quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

FENÔMENO MARINA não chegou (ainda) a campanha governador da Bahia

Veja nosso ponto-de-vista
28/08/2014 às 10:11
  1. A pesquisa Ibope/Rede Bahia divulgada hoje em sua segunda rodada nestas eleições sobre o governo da Bahia revela que o efeito do "tsunami" Marina Silva não chegou a Bahia. 

   2. Pelo contrário: a senadora Lidice da Mata (PSB), a qual pontuava na pesquisa anterior de julho com 11% caiu para 9%; enquanto seus adversários cresceram, Paulo Souto saltando de 42% para 44%; e Rui Costa de de 8% para 15%.

   3. Com esse resultado, o elevado número de brancos e nulos em 18% e indecisos 16%, Souto ganharia a eleição em primeiro turno se o pleito fosse hoje. 

   4. Acontece que a eleição será dia 5 de outubro e ainda há muita água pra rolar embaixo da ponte, Rui mostrando que tem fôlego pra crescer e a própria Lidice, se oxigenar sua campanha e melhorar o programa da TV no modelo Marina, também pode avançar, ainda que enfrente dificuldades financeiras para percorrer um estado da dimensão da Bahia.

   5. Ademais, Lidice, aos olhos da Bahia, não encarna o fenômeno Marina e nem tem recall de milhões de votos como a acreana, até porque foi eleita senadora, em 2010, graças a eleição do governador Wagner, no embalo da vitória de Wagner em primeiro turno e uma diferença muito forte para seus competidores. Não era o nome principal da campanha e sim uma coadjuvante.

   6. Agora, encontra-se só, sem Wagner, e resta-lhe uma ajuda de Marina, a qual não pode se dedicar a um estado, isoladamente, porque tem outras tarefas a cumprir. Mas, essa ajuda virá.

   7. O fenômeno Marina, de resto, só atingiu bem o estado de Pernambuco com um crescimento da candidatura Paulo Câmara, candidato a governador pelo PSB, natural em função da morte de Eduardo Campos, seu estado natural. Nos outros estados, Alckmin segue na frente em SP; Garotinho no Rio; Fernando Pimentel em Minas; e Arruda no Distrito Federal.

   8. O eleitor tem peculiaridades que a própria razão desconhece. Pode pensar assim: vamos eleger Marina presidente, mas, nos estados, cada qual com seu cada qual. 

   9. Isso já aconteceu com Lula e a própria Dilma. Dilma ganhou para Serra em SP e em Minas, porém, os eleitos governadores foram Alckmin e Anastasia, ambos do PSDB. Esse fenômeno pode se repetir ao inverso: MG pode votar Marina e Fernando Pimentel (PT).

   10. No caso da Bahia, se Lidice não crescer como se espera com o fenômeno Marina e esta desfrutando a possibilidade real de vitória, como já indicam o Ibope/Globo/Estado e CNT/MDA, favorece Souto uma vez que Rui ficará sem sua madrinha com perspectiva de ganhar o pleito, a candidata à reeleição pelo PT com os olhos e as atenções voltadas mais para o Sul e Sudeste, onde Marina avança mais do que ela. Socorrer Rui ficaria mais dificil.

   11. Souto, de sua parte, perde pouco com a queda de Aécio, pois, antes mesmo do fenômeno Marina, Aécio precisava mais de Souto na Bahia do que vice-versa. Só lembrando foi em Salvador que Aécio lançou o plano Nordeste Forte, no último sábado, protegido por Souto e ACM Neto. 

   12. Isso não significa que Souto vá abandonar Aécio. Mas, digamos assim, poderá esquecê-lo e tocar sua campanha propriamente dita e até embarcar no discurso de Marina no combate a corrupção, da união de forças e da esperança por uma nova Bahia.

   13. Diria, que, no atual momento ainda é cedo para se dizer que há (ou haverá) uma polarização da campanha em torno de Souto x Rui. Lidice, como se diz no futebol, tá com a bola viva.

   14. A eleição para o Senado segue seu curso natural com Geddel (36%) à frente de Otto (23%) e Eliana Calmon (9%), em terceiro. Praticamente não houve alteração em relação ao primeiro Ibope. Mantendo-se essa proporcionalidade percentual entre Souto e Rui, a tendência é da vitória de Geddel.