quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

DEBATE DA BAND começa com ataques e Marina posição de esperança

Veja como se portaram os candidatos
27/08/2014 às 09:55
  O debate da Band realizado ontem à noite e madrugada desta quarta, 27, revelou que os candidatos do PT e PSDB, Dilma Rousseff e Aécio Neves, até em função da pesquisa Ibope divulgada antes do evento com Marina Silva (PSB) preferencial para vencer o pleito num provável segundo turno, tentaram polarizar o debate entre sí, com estocadas de lado a lado. E, não pouparam Marina dos seus dardos. 

   Ainda assim, terceira via em ascensão, Marina trafegou bem entre ambos e marcou bem sua posição de "esperança", de ser "a nova política" e de "unir o Brasil".

   Conseguiu, com isso, passar uma mensagem ao telespectador de maior confiança e teve a inteligência de neutralizar os seus principais adversários elogiando as ações governamentais dos ex-presidentes FHC e Lula da Silva diferenciando-os de Dilma, esta apenas uma gestora de má qualidade, enquanto eles pensando o Brasil no plano estratégico, FHC com o Plano Real e a estabilização da moeda; e Lula com os avanços no campo social, isso segundo a visão da acreana.
 
   Com isso, de certa forma, desarmou os espíritos dos dois debatedores principais e revelou ao grande público que não representa uma "ameaça" pois pretende governar com os melhores, de todos os partidos, com o objetivo de unir o Brasil.

   A presidente Dilma, apesar de toda sua experiência, começou o debate nervosa e sem formular bem as respostas, mas, no decorrer do longo debate - 3 horas de duração - foi melhorando sua performance. Esteve sempre melhor quando tratava das realizações do seu governo, mas, esqueceu de cunhar uma frase que pudesse resumir esses feitos para o país.

   Curioso no debate foi que os candidatos, normalmente quem está à frente costuma fugir dos embates com os principais adversários, por orientação dos marketeiros, desta feita, Marina, de cara, perguntou a Dilma; Dilma perguntou a Aécio; Aécio perguntou a Dilma e Marina e vice-versa. 

   Isso foi ótimo para o debate e até a candidata do PSOL, Luciana Genro, queixou-se de ao mediador Ricardo Boechat, que ninguém perguntava a ela. Boechat, por sinal, fez uma boa mediação, discreto, deixando o debate fluir.

   Viu-se também que Marina tentou polarizar com Dilma e Dilma com Aécio. A estratégia usada pela petista deu algum resultado. Aécio, no entanto, saiu-se bem e defendeu o governo FHC como bom para o país, ao contrário do que insinuou a presidente na sua colocação para encuralar Aécio.

   "Quem olha pra traz não vê o futuro", deu Aécio sua melhor resposta a Dilma.

   O candiato tucano foi o mais descontraido do debate, se portou bem em todas as respostas (apesar daquela gravata azul horrorosa) e esteve melhor quando mostrou a falta de coerência de Marina em alguns pontos de vistas que defende.

   Marina teve que se desdobrar para dizer que é coerente e expôs que o fato de não admitir a aliança com o PSDB de Alckmin, em SP, não significa que desconsidere todos os elementos do tucanato, citando entre as aves raras, José Serra.

   Luciana Genro (PSOL) também tentou mostrar a incoerência de Marina ao situar que a candidata que fala de uma nova politica tem em sua coordenação de campanha uma banqueira (alusão a Neca Setúbal, do Itaú; e um empresário da Natura).
Foi um debate equilibrado: Aécio e Dilma trafegando no campo das realizações dos seus governos, em Minas e no Brasil, ambos um pouco na defensiva sem proposições claras de futuro ao país, Dilma sempre amparando-se em Lula, e Marina, sem ter o que mostrar de realizações, talvéz por isso a mais propositiva, falou de esperança e de unir o Brasil. 

   O ponto positivo de Marina foi passar para o Brasil a idéia de que não representa uma possível ameaça, coisa que Lula também fez em 2001, e nesse aspecto ela foi firme e provavelmente, convincente.

   Os demais participantes do debate integraram a bancada. O pastor Everaldo (PSC) não conseguiu responder a pergunta de Dilma sobre o setor elétrico e os investimentos que o Brasil precisa nos próximos 10 dez anos; Eduardo Jorge (PV) "jogou" em dobradinha com Aécio; e Levy Fidelis (PRTB) foi apenas Fidelis.
 
   Foi um debate balizador do que poderá acontecer doravante. Começou a temporada dos debates com ataques, dentro de um bom nível. É justamente isso que o eleitor quer ouvir e saber para votar.