segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

O OTIMISMO DE WAGNER na vitória de Rui e os contra-argumentos

Veja nosso comentário e os argumentos do governador para eleger Rui Costa
09/08/2014 às 08:04
 Na entrevista que o governador Jaques Wagner deu a 4 jornalistas dos sites BahiaJá, Bahia Noticias, Bocão News e Politica Livre nesta sexta-feira, 8, o chefe do executivo baiano disse estar "absolutamente convicto" da eleição de Rui Costa (PT) como seu sucessor em 2015 à frente do governo da Bahia. 

   Lastreia-se Wagner nos argumentos de que, a chapa do DEM/PSDB/PMDB representa uma reencarnação do passado (o carlismo, de ACM) e a Bahia já deu duas demonstrações claras, em 2006 e 2010, que não deseja mais retornar a esse passado, a esse modelo que considera ultrapassado e autoritário de se fazer política.

   Argui ainda o governador, sem levar em consideração sequer que a senadora Lidice da Mata (PSB) possa chegar a um provável segundo turno, que o DEM estaria confundindo um pleito municipal que resultou na eleição de ACM Neto, em 2012, com um pleito estadual onde também está em jogo a presidência da República e há uma força muito forte na dupla Dilma/Lula. 

   Além disso, Wagner destaca que seus opositores não tem um projeto claro de governo, daí que vai ser muito dificil emplacar uma mensagem que possa sensibilizar o eleitorado a promover uma mudança no estado.

   Ademais, na percepção wagneriana, o governo está com uma base eleitoral bem assentada nos pequenos e médios municípios graças aos programas sociais que implementou no estado, tais como o Água Para Todos, Topa, expansão do Bolsa Familia, seguro às familias da agricultura familiar e também no meio estudantil e profissionalizante. 

   Numa outra ponta que sempre faz muita marola, mas, não decide eleições, o segmento dos servidores públicos, o governador diz que tem números e dados suficientes para mostrar no rádio e na TV, quando a campanha começa pra valer a partir deste dia 19, que foi o governador que mais fez por todas as categorias, entre elas, as mais barulhentas, o professorado e a PM.

   Evidente que o governador não é adepto do já ganhou, tá tudo resolvido e vamos só esperar o dia 5 de outurbo para sacramentar os desejos. Nada. Pelo contrário, admite que vai gastar muita sola de sapato pelo interior até lá, confia muito em Lula/Dilma e na performance que a presidente tem na Bahia, em números percentuais do Ibope, e acha que o eleitor ainda não está sintomizado com a eleição, isso só passando a ser mais real a partir de setembro, quando o horário eleitoral na TV e no rádio já tiver duas semanas.

   Wagner não teme quaisquer comparativos do seu governo com os de Paulo Souto, candidato que vê como adversário principal, acha até "bobagem" fazer essas análises, mas, já está municiado para isso, ele e o candidato. 

   Portanto, esse será um ponto de inflexão na campanha de Rui, o que contribuirá para melhorar a performance do seu candidato nas grandes cidades, onde estaria mais fraco do que Souto.

   Diria que Wagner não está preocupado com a candidatura Lidice da Mata e até admite que estão num mesmo barco, pelo menos em pensamento ético-politico, o que poderá reforçar a candidatura Rui num provável segundo turno.
   Diria, também, que tem todo sentido as observações do governador, com base nas experiências de 2006 e 2010, embora ache que não foi só a vitória de ACM Neto que deu uma mexida na política baiana, pelo menos na perspectiva de uma mudança no estado, uma vez que, apesar do otimismo do governador seu governo não está bem avaliado pela população e não há mais tempo para que essa mudança de concepção se processe.

   Além disso, a aliança do PMDB com o DEM estruturou melhor a candidatura das oposições e há, embora Wagner não enxergue isso em suas andanças pelo interior, um sentimento de mudanças, mais forte na Bahia e no Brasil a partir do eleitorado baiano.

   Por fim, se na eleição passada (2010) havia tanto na Bahia como no Brasil uma perspectiva de vitória líquida e certa de Wagner (à reeleição) e Lula lançando Dilma x Serra, desta feita, o jogo está mais apertado e o eleitor observa (ainda que um pouco distante) pleitos mais disputados, mais duros.

    Portanto, credite-se a Wagner todo esse otimismo "a absoluta convicção", com reservas. Vamos ter pleitos muitos mais disputados do que os de 2010, hoje, estreitando-se para uma diferença de 6% numa disputa Dilma x Aécio em segundo turno (Ibope) e Rui ainda bem atrás de Souto.