quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

VOTAÇÃO para TCE fragmenta base do governo na ALBA

Governador e o PT sofrem derrota na Assembleia no primeiro turno de votação entre Zezéu x Gaban
29/05/2014 às 10:36
  A votação para a escolha do candidato ao TCE, vaga que seria da Assembleia Legislativa e teve a indicação do governador Wagner e do PT para o deputado federal Zezéu Ribeiro, alheio à Casa, fragmentou a base governista e impôs uma derrota ao chefe do Executivo e ao PT, no primeiro turno, quando no confronto com o candidato de protesto (uma anti-candidatura no modelo Ulysses Guimarães), Carlos Gaban, DEM, obteve 28 votos x 27 dados ao petista. 

   Leve-se ainda em consideração que, neste primeiro turno, houve 5 votos nulos e brancos e o deputado Targino Machado (DEM), não esteve presente na votação. Em tese, Gaban, portanto, obteve 33 votos.

   Ou seja, Gaban só não conseguiu a maioria simples dos 32 votos para ser o indicado ao TCE, por pouco, o que se poderia configurar na maior derrota do governador na Casa Legislativa. 

   No segundo turno, com o governo mobilizado, uma série de injunções de natureza política, até a suspeita de que os deputados da base teriam que votar e fotografar o voto para mostar ao líder do governo sua fidelidade, Zezéu obteve 35 votos x 23 de Gaban e está sacramentado para o TCE.

   Os demais nomes, o deputado estadual João Bonfim, candidato da Casa Legislativa obteve 52 votos x 9 nulos e brancos; e o deputado federal Mario Negromonte, nome indicado pelo Executivo numa de suas vagas obete 47 votos favoráveis e 11 nulos e brancos. Nem esses nomes obtiveram a unanimidade e ninguém saberia dizer dos 21 votos nulos e brancos, dos dois casos, quais foram marcados por deputados da base ou da oposição.

   O que se pode denotar desse episódio é que a base governista aproveitou o momento de uma votação secreta para dar um recado ao governador: estamos insatisfeitos com o tratamento dado pelo governo. E todos esses dissidentes, classificados pelo deputado Yulo Oiticica, vice-presidente do parlamento e petista mais antigo, de "traidores", são de partidos aliados (exceto, singularmente, o PT) e que vivem reclamando de discriminações no atendimento de suas reivindicações junto aos órgãos governamentais.

   Isso é antigo na Assembleia e os muxoxos são ouvidos com frequência. Mas, ninguém esperava que aflorasse da forma como se deu, na votação para o TCE de um parlamentar histórico do PT, Zezéu Ribeiroi, o qual, em sí, é pessoa cordata e querida, e se viu envolvido num episódio que serviu de móvel no descontentamento ao governo. 

   Qualquer outro nome que não fosse do parlamento estadual passaria por esse mesmo constrangimento. A questão é com Wagner e a base, os deputados entendendo que os parlamentares do PT têm tudo e eles não têm nada, ou pouco.

   O PSD, de Otto Alencar, certa ocasião chegou a fazer uma reunião sob a liderança de Alan Sanches, o qual não era recebido pelo então secretário Rui Costa, para levar o assunto ao governador. O PDT andou enfesado com a rejeição ao nome de Marcelo Nilo como candidato a vice de Rui. Mas, desta feita, Nilo trabalhou e muito para ajudar a garantir o nome de Zezéu e desentendeu-se com Paulo Azi e Elmar Nascimento, deputados do DEM, que denunciaram os flashs para marcar as votações na cabine.
  Diz-se que os tempos são outros, mas, os métodos parecidos. Na época de ACM, é público e notório, fato já revelado pela imprensa da época, que o então deputado José Carlos Araújo teria marcado com um sinal de lápis os votos dos deputados governistas. 

   Agora, a suspeita é de que a marcação é eletrônica e feita pelos próprios deputados com uma foto do voto na urna. Mudam-se os governantes, porém, os métodos continuam muito parecidos. É a fidelidade na base do tacão.

   Doravente, o que se pode auferir desses episódios, é que a base política do governo na Assembleia Legislativa está mais framentada do que nunca e as votações de matérias importantes se verão, salvo melhor apreciação, na base do "toma lá; dá cá". 

   De nada adiantaria, como já se fala no dia de hoje, nos bastidores da Casa, de possíveis "caça às bruxas", aos chamados infiéis, dissidentes, traidores, ou que nome tenham, porque têm mandatos, ainda votam até dezembro e lutam por suas re-eleições. O diálogo vale mais nessa hora.