quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

IBOPE/CORREIO: Só Dilma e Wagner podem salvar Rui

Análise da pesquisa Ibope/Correio
27/05/2014 às 10:40
 A pesquisa Ibope/Correio divulgada hoje sobre as intenções de votos para o governo da Bahia, Senado e presidência da República revelam uma boa largada do candidato Paulo Souto (DEM/PMDB/PSDB), com 42%; excelente posição da candidata do PSB/Rede, senadora Lidice da Mata, com 11%, a preferida dos grandes centros urbanos e da classe média alta; e uma performance baixa de Rui Costa, candidato do PT e base governista, com apenas 9%, ele que, praticamente completa 1 ano na estrada, desde seca/São João de 2013, representando Wagner em andanças pelo interior.

   Evidente que ainda está cedo para se chegar a uma conclusão do que poderá acontecer em outubro próximo, data do pleito, pois, ainda faltam 130 dias para os eleitores depositarem seu votos nas urnas e, hoje, 60% dizem não ter interesse algum ou pouco interesse na disputa. 

   Com o decorrer do tempo, a propaganda eleitoral que começa a partir de 7 de julho, e a propaganda no rádio e na TV na segunda quinzena de agosto, o eleitor receberá mais informações dos candidatos e o quadro poderá ser alterado. Ou também reforçar a tendência atual beneficiando Souto.

   Há, no entanto, indicadores revelados pela própria pesquisa dando conta de que, Rui sendo apoiado por Wagner e Dilma, sua intenção de votos subirá de 9% para 18%, uma vez que a presidente tem a marca de 50% das intenções de votos para sua re-eleição entre os baianos. 

   O mesmo não se pode dizer de um apoio de Aécio a Souto que fica aquém do que os seus números prórios, situando-se em 41%. Ou seja, Aécio precisa mais de Souto do que o inverso; e Rui, mais do que nunca precisa de Dilma/Wagner e também de Lula. 

   Já Lídice está orfã porque o apoio de Campos é inóquo. Ela até recua de 11% para 9%.

   Vê-se, pois, segundo o Ibope, que Rui tenderá a ir a um segundo turno com Souto, cabendo a Lidice, ao que tudo indica se conseguir manter esses 11% até o final, ser a fiel da balança da sucessão. 

   Quanto ao Senado, Geddel parte bem com 34% das intenções de votos contra 14% de Otto Alencar, o candidato da base governista, e 5% de Eliana Calmion. Geddel tem uma margem de 20% à frente de Otto, mas, isso não significa muita coisa se houver um crescimento de Rui na aproximação a Souto, uma vez que a candidaturas ao Senado tem ligação direta com as candidaturas a governador. 

   Na campanha passada, só lembrando, Lidice saiu embaixo e seu nome foi ganhando dimensão na medida em que a candidatura Wagner atropelou Souto e Geddel, elegendo-a e ao senador Walter Pinheiro, deixando o então favorito César Borges, o qual partiu na frente a ver navios.

   Trata-se, no entanto, de um bom indicador inicial para Geddel, pois, se Souto chegar à frente de Rui na votação do primeiro turno, o candidato peemedebista tem grande chance de ser senador, entendendo-se, ao contrário do que aconteceu com Wagner, em 2010, que, em 2014, sinaliza-se uma eleição em segundo turno.
O detalhe é que deputados e senadores são eleições na primeira votação (primeiro turno). As chances de Eliana Calmon são limitadas.

   Essa pesquisa divulgada pelo Correio hoje certamente terá uma grande repercussão no estado e a oposição vai usá-la com toda intensidade. 

   Sai num momento em que, no plano nacional Dilma está com 40%; Aécio com 20% e Campos com 11% às vésperas de uma Copa com o governo enfrentando as prováveis manifestações de rua, a inflação dando sinais de avanços e a economia de estagnação. 

   Como a eleição presidencial está atrelada às estaduais e registra-se um sentimento de mudança em torno de 65%, segundo o Ibope, quem souber se aproveitar esse viés tende a crescer. 

   Mas, toda cautela é pouca com declarações precipitadas ou que menosprezem adversários ou desqualifiquem pesquisas e momentos históricos. É monitorar os ambientes e trafegar com sensatez.