quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

AUMENTO IPTU: ACM Neto já sofre desgaste politico junto classe média

Desgaste até maior do que se esperava
08/02/2014 às 18:15
1. Assim que a Câmara Municipal de Salvador aprovou o aumento exagerado do IPTU, projeto de lei emanado do Poder Executivo, dissemos neste site que o prefeito ACM Neto (DEM) iria pagar um alto preço político junto a classe média (vide artigo na editoria de Política e em Miudinhas). 

   2. E, ao que tudo indica, já está pagando, com alto desgaste numa grande camada da população que o elegeu. É só lembrar das últimas eleições quando o PT de Nelson Pelegrino, mais uma vez, desprezou a classe média, enquanto Neto a cativou pedindo que o chamasse (Chame Neto) e este obteve uma expressiva votação na classe média-média e na classe média-alta.

   3. Ora, o argumento hoje usado pelo prefeito para justificar o escorchante aumento do IPT, sobretudo na VUP, apartamento residencial na Barra que valia R$220mil passando para R$800 mil, de forma irreal, de que vai trabalhar pelos mais pobres e os ricos têm que pagar a conta, não cola. 

   4. Primeiro que em Salvador são pouquissimos os ricos e estes repassam quaisquer custos adicionais em suas contas para os mais pobres; segundo que essa é uma expressão típica do PT e seus coligados PCdoB, PSB, etc, e quando estes chegaram ao poder os banqueiros e empreiteiros nunca ganharam tanto dinheiro como nos últimos anos.

   5. Veja, também, que a obra mais cara da gestão ACM Neto, individualmente, é a reurbanização da Barra (R$55 milhões, recursos do Ministério do Turismo) e está num bairro típico da classe média. Os R$150 milhões que estão sendo aplicados no reasfaltamento de ruas e avenidas, a maioria, é para atender os corredores viários e áreas da classe média, como a ligação Av ACM/Av Luiz Viana (Paralela). 

   6. Portanto, é uma falácia dizer que vai trabalhar para os mais pobres, até porque, a cidade do Salvador, tem mais de 400 assentamentos sub-normais chamadas invasões e bairros que cresceram desordenadamente, e, óbvio, a Prefeitura trabalhará pelos mais pobres.

   7. Todos os prefeitos, quer queiram; quer não têm que atuar nessa direção. Agora, a classe média não pode é pagar a conta sozinha ou prioritariamente porque está atolada em dívidas e compromissos mensais, foi incentivada a consumir pelo governo federal, e não teve uma contra-partida salarial que acompanhasse esse ritmo. 

   8. Quem teve 35% de reajuste salarial, 100% de reajuste em negócios, 300% em valorização de patrimônio, isso não existiu. Daí que a Prefeitura precisa rever o IPTU, sob pena de enfrentar uma "batalha judicial" enorme e ACM Neto perder eleitores, como aliás, já está perdendo.

   9. A tese defendida por alguns políticos de que o "mal" de um gestor junto aos seus pares deve ser feito logo no primeiro ano do governo também não cola nos dias atuais. Faz-se mal, agora, e depois abre-se o saco de bondades no segundo ano em diante. 

   10. O eleitor não é abestalhado e também sabe que as grandes obras que Salvador tanto necessita não podem ser feitas com o caixa da Prefeitura e sim com os caixas dos governos do estado e federal, impostos que saem dos seus esforços de trabalho. 

   11. ACM Neto é um jovem político que tem uma carreira promissora pela frente, mas, não conheço um político brasileiro que tenha se insurgido contra a classe média que tenha conseguido prosperar. Veja Lula. A primeira coisa que fez foi se aliar a classe média e ajudar a criar uma nova classe média emergente (C) e está aí firme e forte. Agora veja João Henrique: se elegeu com apoio da classe média (chupa cabra) e depois virou as costas para ele colocando radares em cada esquina.

   12. Ademais, o prefeito tem que dialogar com a cidade, ser humilde, não se apresentar arrogante, e isso vale para IPTU, kits de praias, requalificação de ambulantes na Av Sete, etc. Dialogar sempre, sob pena de ficar se explicando o resto de sua administração.

   13. E como diria o saudoso Luis Viana Filho, explicar demais não é bom.