sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

CÂMARA de Salvador vira STF e esquece o apelo das ruas

Classe média prepare seu bolso
19/09/2013 às 12:00

A Câmara de Veredaores de Salvador deu uma de Supremo Tribunal Federal (STF) e não considerou a menor atenção ao clamor das ruas, como diria o filósofo italiano Giorgio Agamben sobre a "Comunidade que Vem". Votou um abusurdo aumento do IPTU penalizando a cidade, a classe média, as empresas e contribuindo para aumento do custo de vida na capital.


   Os vereadores até parecem que não aprenderam a lição das últimas eleições, quando houve a renovação da Casa em 50% dos edis, e aceitam uma proposta do Poder Executivo escorchante de aumento de impostos, na contra-mão da história, fora da realidade inflacionária, fora de qualquer parâmetro de ganho dos trabalhadores, e o exemplo está na própria Prefeitura que relutou a dar um reajuste superior a 6% aos seus servidores, e ganha, um aumento de impostos do IPTU em 35% para as residências e mais de 100% para as empresas e terrenos.

   Que inflação é esta? Que parâmetro é este? O prefeito ACM Neto, que teve uma expressiva votação da classe média, volta suas costas para quem o elegeu. Lamentável. Como eleição não só tem uma vez, espera-se que esta mesma classe média observe isso adiante. 

   Falar que o IPTU vai requalificar a cidade em alguns aspectos é uma falácia. Grandes obras ou estruturantes só se fazem na capital com recursos do governo federal ou empréstimos internacionais. Está aí, para comprovar, a Linha Viva que vem se arrastando desde o governo João Henrique e agora posta em movimento pelo secretário José Carlos Aleluia, por baixo, a custo inicial de R$1.2 bilhão. 
O Metrosal linha 2 é outro exemplo. Uma pequena perna do metrô que vai do Iguatemi a Lauro de Freitas está orçado em R$4 bilhões na inicial. O próprio prefeito se habilitou, pelo menos verbalmente, na tal verba do PAC da Mobilidade falando em R$1 bilhão para uma obra de BRT no Vale do Ogunjá.

   A classe média, portanto, não pode bancar projetos estruturantes com aumento de IPTU. Fala-se no crescimento da arrecadação em + R$480 milhões, dinheiro que se for arrecadado como dizem, certamente fará algum bem a cidade, se aplicado como recomenda o imposto territorial urbano, em limpeza, tapa-buracos, iluminação e outros pequenos benefícios.

   Mas, infelizmente, é isso que vai acontecer. Na campanha politica se diz uma coisa, se pede o apoio do eleitor. Depois de eleito, aí pisa-se na sua cabeça.