sexta-feira, 05 de junho de 2020
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Tasso Franco

SUCESSÃO 2014 NA BAHIA: OTTO volta a ser lembrado como uma alternativa

Veja nosso comentário
30/06/2013 às 16:01
  1. Agora, mais do que antes, diante da pesquisa DataFolha revelando a queda da popularidade da presidenta Dilma em 27% após duas semanas de protestos nas ruas do país, saindo do patamar de 57% (ótimo/bom) para 30%, o que comentamos ontem sobre os rumos da sucessão baiana passa a ter mais sentido. O governador Jaques Wagner (PT), terá (em tese) que se desencompatibilizar em abril próximo para se manter com voz altiva no Parlamento, na Câmara dos Deputados, como ele próprio jádisse, de preferência; ou como me revelou, hoje, um parlamentar, no Senado.

   2. Comenta este deputado que o governador, a partir do momento em que o PT perde densidade eleitoral, se torna mais difícil para ele fazer seu sucessor com um candidato do PT, Rui Costa, o seu preferencial, na medida em que, se carregar Rui já era uma missão difícil, Wagner e o PT bem avaliados com apoio de Lula/Dilma, agora, o quadro fica mais complicado. Restaria a Wagner apoiar a candidatura de Otto Alencar (PSD), ao governo do Estado, optando, assim, a ser o candidato a senador. Tem sentido.

   3. Justifica o parlamentar que Otto, na surdina (nem tanto assim) vem pavimentando estradas no interior da Bahia e, ao mesmo tempo, também, pavimentando sua provável candidatura a governador. Inegável, pois, na visão desse deputado com quem conversamos, que Otto é muito mais popular do que Ruy, e tem, sob seu controle, muitas bases interioranas, as quais, são mais suas do que de Wagner. 

   4. Ou de ambos quando o PT tinha mais controle da sucessão nacional (e até estadual), porque Otto é fidelíssimo a Wagner. Mas, o quadro se modificou. E aí entra a praxis política de fazer o sucessor com outro nome que não seja do PT, o que seria um mal menor do que uma derrota.

   5. O vento, na atualidade, está soprando na direção de Otto na medida em que o projeto do PT está dando n'água. Ainda restaria, no entanto, a possibilidade, agora mais concreta do que nunca, do retorno de Lula ao cenário como candidato do PT à presidência. Certamente o ex-presidente vai avaliar isso mais adiante, reorganizando as forças do partido em torno do seu líder maior ficando Dilma com a missão apenas de governar e tentar colocar o país nos trilhos, com menor taxa de inflação, mais investimentos produtivos e assim por diante.

   6. Sendo Dilma cria de Lula, mesmo diante de sua queda de popularidade, dá-se a impressão que se tornou uma Fernando Collor, salvo a pecha de corrupção que não lhe cabe. Mas ainda há tempo de recuperação se adotar medidas sintomizadas com a vontade popular (o grito das ruas) e deixar com o Congresso com essa questão da reforma politica. 

   7. Dilma no entanto, não dá sinais nessa direção e fica se reunindo com grupos sociais sem mexer no seu governo, salvo o anúncio da redução do IPI para a linha branca e promessas de investimentos na saúde e na educação. Susurra-se no meio político que, na próxima semana, a presidenta vai anunciar medidas de impacto no seu governo.

   8. Veja que alguns governadores estão sendo mais práticos do que Dilma. Geraldo Alckim, governador de SP, anunciou a venda de um helicóptero que o servia, o não preenchimento de milhares de cargos comissionados que estavam vagos no seu governo, congelou as tarifas de aumento dos pedágios e dá mostras de algo concreto para o bolso do contribuinte. 

   9. Enquanto isso, Dilma fica falando em plebiscito, reforma politica e recebendo delegações da OAB, sindicalistas, igreja e estudantes. Agora, criou um "Plebiscito Já", embalado na bandeira do PT, levando ao Congresso uma proposta de última hora e que não daria tempo de se fazer uma reforma adequada, atropleando-se a Constituição. Como se dissesse assim: o abacaxi está na mão de vocês (Congresso).

   10. Wagner, também, ainda não deu sinais de que vai fazer alguma ação no sentido de atender os clamores da população, ele que adora andar de helicóptero pra tudo que é lugar, objeto, inclusive de desgaste para sua imagem na última campanha municipal de Salvador. 

   11. Então, voltando a sucessão baiana, na tese desse parlamentar com quem conversamos, na sua percepção, a chapa majoritária da base aliada para 2014, seria Otto (governador), um representante do PP na vice; e Wagner ao Senado. Aí questionei: "Otto é o Brasil Velhe não esse que está nas ruas". Respondeu-me: "O sistema politico no interior da Bahia, com plebiscito ou sem, não se modifica de uma hora para outra e aí Otto é organizado e forte".

   12. E as oposições como se encaixem nesse processo, incluindo ACM Neto? Este será o objeto de nosso comentário para domingo à noite.