segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Colunistas / Política
Tasso Franco

GOVERNO de ACM Neto precisa articular melhor sua base na Câmara

DEM e coligados abre ano legislativo com atitudes iguais as da base PT e aliados na Assembleia Legislativa
05/02/2013 às 19:49

O episódio registrado na Câmara de Vereadores de Salvador, ontem, quando a base governista tentou derrubar a sessão ordinária ao se sentir pressionada pelos movimentos sociais, em plenário, aponta que a base politica de ACM Neto precisa ter uma melhor articulação e interlocução.


   Ora, a atitude mais criticada pelos líderes da oposição na Assembleia Legislativa, desde Gildásio Penedo Filho, Heraldo Rocha e Paulo Azi era de que a liderança da base governista Wagner, pressionada por qualquer tema e manifestações nas galerias, derrubava a sessão. Isso, de certa forma, é natural no Parlamento e até aceitável, desde que, quem esteja no poder não pregue ou defenda uma conduta de diálogo, do debate permanente, como faz crer o PT.

   Então, o DEM de ACM Neto fez essa crítica durante esses últimos 6 anos a base de Wagner, racional seria que sua base na Câmara aceitasse o debate, mesmo pressionada pelos movimentos sociais (servidores de creches com salários em atraso) e não tentar derrubar a sessão. Logo a primeira do ano. 
 
   Em sendo assim, DEM se iguala ao PT no ato de governar, e não poderá haver mais críticas da oposição à base governista Wagner, na Assembleia, de agora por diante porque se igualaram.

   Ademais, se o governo Neto, como o próprio disse no seu discurso na Câmara de Vereadores no último dia 1º tem como foco a "o cidadão acima de tudo" se pressupõe que o diálogo seja fundamental e algumas ações administrativas adotadas pelo governo municipal passam ao largo dessa assertiva. 

   Veja, por exemplo, o que aconteceu com a exclusão a priori dos mototaxistas do Carnaval e o que se registrou nos ordenamentos do trânsito, na Barra, na Avenida Sete e no Comércio. O cidadão ficou à margem e só foi avisado, assim mesmo em informes jornalisticos, 24 horas antes das operações. Falou-se sobre a Barra numa sexta e agiu-se no sábado; na Avenida Sete, idem; e no Comércio da mesma forma.
 Não houve encontros nem debates com as comunidades, não se ofereceu alternativas aos cidadãos, salvo a exclusão, e impõe-se procedimentos, ainda que considerados aceitáveis pela maioria em beneficio da cidade, mas, sem diálogo.

   Então, se o governo quer ter a marca de participativo, transparente e democrático tem que mudar seus procedimentos. Se aproximar mais das comunidades, dialogar, revelar o preto no branco (até hoje aguardamos da Agecom a lista dos jornalistas fantasmas da antiga Secom e quando custou a contratação de uma empresa de TI pela secretaria da Semps!) e não agir dessa forma.

   A Câmara é uma caixa de ressonância da cidade, goste-se ou não dela, e, desta feita, tem uma oposição mais ampla e muito mais preparada. Diferente da Assembleia, onde a oposição, embora seja aguerrida, Wagner tem uma base tão enorme que vence todas as votações com folga.