sexta-feira, 10 de julho de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

DEBATE "GELADEIRA" DA TV BAHIA FOI PIOR DA SÉRIE 2º TURNO, p T FRANCO

VEJA o que aconteceu na TV Bahia
27/10/2012 às 10:21

O debate da TV Bahia entre os candidatos a prefeito da capital, ACM Neto (DEM) e Nelson Pelegrino (PT) foi pior apresentado entre os quatro pelas emissoras de televisão neste segundo turno das eleições. 


   Os candidatos se apresentaram mais contidos, sem querer cometer erros à véspera das eleições, o que é até natural, e os telespectadores não foram contemplados com nada significativo e que pudesse alterarar suas intenções de votos num ou noutro candidato.

   Esse é o tipo do debate em que o eleitor não se sente atraido por mudar o voto. Ou seja, quem votava em ACM Neto vai continuar votando; e quem votava em Nelson Pelegrino, idem-idem. Os candidatos foram de uma mesmice e de um repeteco que, se não irritou os telespectadores, não entusiasmou o mais contido cristão. Salvo, evidente, os apaixonados seguidores de cada qual dos candidatos.

  No contexto geral, ACM Neto manteve a pegada de classificar Pelegrino como mentiroso e feitor de novas promessas do governo Dilma/Wagner para Salvador, repetindo e marcando para o telespectador a pegunta (se é assim) "Por que não fez", apresentando-se como candidato independente onde a capital pode andar com suas próprias pernas; e Pelegrino manteve a pegada de classificar Neto como aliado de JH (repetiu isso em todos os debates), carimbar o candidato do DEM como integrante daqueles que deixaram à Bahia uma "herança maldita" e apresentando-se como aliado (do time) de Lula/Dilma/Wagner trabalhando de forma harmônica, porém, com independência.

   De certa forma, Pelegrino perdeu a sua última chance de falar para a classe média (a TV Bahia tem boa audiência nesse segmento), exatamente o eleitorado onde teve menor percentual de votos no primeiro turno, talvez por esquecimento ou falta de assessoria; e ACM Neto esqueceu de referendar alguns pontos do seu programa para os mais pobres, onde obteve menor percentual de votos no primeiro turno, como o programa "domingo é meia" (transporte) e outros.

   Era a chance que, cada qual, teve (e desperdiçou) de falar com o eleitorado, olho no olho, pedir o voto, lembrar que também tem programas para ambas as classes, independente de só fazer esse apelo no final do programa, nas chamadas considerações finais, por sinal, os dois encerrando bem. 
Diria, ainda, que Pelegrino teve seu melhor desempenho entre os quatro últimos debates que participou. Esteve calmo, foi bem treinado e fez o dever de casa em defender o governo Wagner e citar suas obras na capital, também falou dos seus programas de governo, ainda que lhe falte carisma e engula terminações da fala com sua dicção de média qualidade.

  ACM Neto, como sempre, muito firme, bastante preparado e trazendo uma pequena inovação no contexto do debate no uso prova contra seu adversário de entrevistas sobre segurança anunciadas e postas no facebook. Diga-se, com bom resultado de acessos. 

   Por fim, cito que a metodologia padrão usada pela Rede Globo em todo país, de quem a TV Bahia é afiliada, também não ajuda os candidatos. Muita empacotada, engessada, de uma frieza sem similaridade, tendo o mediador Alexandre Garcia contribuido com sua postura de "monge" a manter o debate na geladeira.