sexta-feira, 10 de julho de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

CAMPANHA DE SSA CHEGA AO FINAL COM 4 TESES NAS URNAS

Domingo tem votação
05/10/2012 às 18:02

Foto: CORREIO
Quatro teses e duas sub-teses à disposição do eleitor neste domingo, 7. Urnas vão falar.
   As campanhas eleitorais em Salvador chegam ao fim da jornada e prevaleceram quatro teses básicas. A primeira delas, captaneada por Nelson Pelegrino (PT) defende um alinhamento político com os governos do estado e federal, o que, sem essa condição, o município não teria como promover grandes investimentos. Pelegrino não aborda a questão constitucional, do dever do estado e da união em prover o municipio de projetos, como acontece agora com a Arena Fonte Nova.

   A Arena Fonte Nova, por exemplo, está dentro de um projeto do PAC/Copa que o governo federal destinou R$6 bilhões para todos os estados. A Bahia tomou por empréstimo ao BNDES com autorização da Assembleia Legislativa R$550 milhões e o restante dos R$5.4 bi foram para outros estados.

   A tese de Pelegrino, no entanto, tem bom fundamento porque todos sabem e o próprio governador Wagner já disse que é melhor trabalhar com alguém alinhado politicamente do que um contrário. Isso não significa dizer que o contrário será desprezado. Mas, via de regra, é. Ou pelo menos fica escaneado. 

   Veja, por exemplo, o caso de Feira de Santana: o sub-prefeito é o deputado Zé Neto, PT, que indica os integrantes dos cargos governamentais locais e aponta as obras estaduais no município. O prefeito Tarcízio Pimenta (PDT) se tornou uma figura decorativa nas relações com o estado.

   A segunda, defendida por ACM Neto (DEM) estabelec uma linha de ação independente, a interdependência dos poderes, considerando que os investimentos dos governo federal e estadual são constitucionais, mas, não é necessário um alinhamento politico com Wagner e Dilma que que isso aconteça. O prefeito teria um papel preponderante nesse processo, independente do alinhamento politico.

   Faz contra-ponto exatamente com a tese de Pelegrino e dá como exemplos casos de outras capitais que são bem governadas e os prefeitos não são alinhados politicamente com os governos federal e estadual. 

   A terceira tese foi defendida pelo candidato do PMDB, Mário Kértész, o qual concorda com a importância do alinhamento com os governos estadual e federal, mas, impõe que essa condição seja administrativa e não politica, preservando a autoridade do prefeito. E mais, como vê uma divisão da cidade entre as forças do DEM x PT, ele é o único candidato que tem experiência administrativa capaz de acabar com essa desunião, pois, trafega bem nos dois segmentos.

    Em princípio é a tese mais interessante. Mas, como a politica é movida por paixões, dificilmente o eleitor se entusiasma com teses e sim com as ligações partidárias, afetivas e os interesses politicos arraigados. Portanto, dificilmente algum petista deixará de seguir Pelegrino por entender que a tese de MK é a mais consequente; e muito menos do DEM.

   A quarta e última tese foi defendida pelo candidato do PSOL, Hamilton Assis, o qual advoga que há uma obrigatoriedade constitucional dos governos federal e estadual investirem na capital, mas, ao contrários dos outros candidatos, impõe o fim do que chama "máfias" - dos empreiteiros, das empresas do controle da limpeza urbana, do transporte coletivo, dos radares, do Carnaval - e assim por diante. Segundo esta tese, sem isso, a cidade continuará refém desses "senhores", pois, são eles que governam.

   A tese de Hamilton tem sentido. De fato, a cidade é movida por esses interesses e o planejamento urbano é feito em função desses "senhores", salvo exceções. Por outro lado, um grande projeto como a Arena Fonte Nova, só para ficar neste caso, seria impossível de ser construido por uma empresa da base periférica, uma construtora de Periperi.

   O deputado Márcio Marinho (PRB) e o analista de sistemas Rogério Da Luz (PRTB) não chegaram propriamente a defender teses, mas, sub-teses, Marinho de certa forma concordando com a tese de Pelegrino, pois, o PRB participa da base Dilma/Wagner, numa linha de resolver tudo, "eu vou fazer isso"; "eu vou fazer aquilo"; e Da Luz sem uma proposta consistente, mais folclórica até, de um "gerentão" de informática para a cidade.

    Essas quatro teses descritas acima predominaram durante a divulgação das propostas de campanhas dos candidatos e nos debates e o eleitor vai decidir, neste domingo, qual delas e das sub-teses, apoiará.
   
     Como dizem os "velhos" politicos: as urnas vão falar no domingo. (TF)