sexta-feira, 10 de julho de 2020
Colunistas / Política
Tasso Franco

26 ANOS APÓS PROMESSA DE MUDAR A BAHIA POUCO ACONTECEU

VIDE
01/10/2012 às 17:01
Foto: BJÁ
Sabe o que é isso? Loja à céu aberto numa das principais avenidas da cidade
     Entra eleição e sai eleição e a gente volta a ouvir a expressão "Mudar a Bahia", "Mudar Salvador".

    O tempo passa e, no entanto, as mudanças são pequenas e a Bahia continua se arrastando que nem cobra pelo chão, lentamente.
    Essa expressão vem desde a época do pós-redemocratização no Brasil criada pelo marketing de Tancredo Neves, eleições indiretas de 1984, quando se cinhou a "Nova República" num contra-ponto a "Velha República" do café com leite.


    Na Bahia foi adaptada na primeira campanha eleitoral livre e democrática, suprimida a Lei Falcão no rádio e na tv, com Waldyr Pires, PMDB, em 1986, para "Nova Bahia" com slogan marketeiro criado pela D&E "A Bahia vai Mudar", surgindo daí, Waldyr eleito contra Josaphat Marinho, a expressão "Governo da Mudança".


    O enredo é conhecido. Um ano e seis meses depois de ter assumido o governo da Bahia, Waldyr entendeu que, para "Mudar a Bahia" era preciso "Mudar o Brasil", então governado por José Sarney, de quem tinha sido ministro da Previdência na herança politica deixada por Tancredo, morto antes de assumir o governo.

    Havia, ainda dois outros ministros baianos: Carlos Santana (Saúde) e ACM (Comunicações).


    Em 1989, com dois anos de governo, Waldyr decide candidatar-se a presidente da República e perde a disputa interna no PMDB para Ulysses Guimarães. Ainda assim, aceita ser vice na chapa de Ulysses, na eleição vencida por Collor de Mello, e passa o governo da Bahia para Nilo Coelho.

    Era o fim do "Governo da Mudança" que não mudou nada e frustou os baianos.


    Entrou o governo tampão (do Trabalho) de Nilo e ACM retorna ao poder, pelo voto direto, na eleição de 1990 ficando no poder (direta e indiretamente) até 2006, 16 anos, quando foi eleito Jaques Wagner, PT, atual governador, reeleito, em 2010.


    Então, da proposta do "Governo da Mudança" para cá são 26 anos e a Bahia melhorou alguma coisa, mas, continua a merecer a tão sonhada "Mudança".

    Eis que, agora, fala-se em "Mudar Salvador", de novo.


    Salvador é a cidade mais atrasada do Brasil entre as grandes. Única que não tem transporte de massa e está entupida de veiculos, caótica, e com um metrô "calça-curta" que se arrasta há 13 anos para inaugurar 6km.

    Educação, a pior do país; Saúde pública, alarmante; civilidade, zero. Aqui ainda anda-se de sunga nos ônibus aos domingos e mija-se na rua em qualquer esquina.

    Serviços, abaixo da critica; cumprimento de leis, zero. Agora mesmo inaugurou-se a expansão de um shopping com obras em andamento, os clientes passando embaixo de máquinas.


    Quase tudo em Salvador vira esculhambação, termo do baianês usado muito na cidade. Todas as passarelas de pedestres e passeios públicos estão ocupadas por camelôs.

    Recentemente estive em Bogotá e andei no Transmilênio, o bus-rapid, com 42 km na linha Norte e 20 passarelas de rua a rua, nenhuma delas ocupada por ambulantes. Bogotá é tão pobre quanto Salvador e dez vezes mais civilizada.
 

    Então, "Mudar Salvador", em certo sentido é até fácil, porque qualquer coisa que se faça colocando ordem na cidade significa uma mudança. A questão é que os politicos, depois de eleitos, esquecem o que prometem.

    Ninguém acredita que venha haver mudanças expressiva. No máximo, mudanças espasmódicas, pontuais.


    Planejamento em Salvador não existe nem vai existir. Tem um candidato prometendo 12 viadutos gerados numa agência de publicidade. Outro, promete Salvador como capital da cultura nacional. Outro, asfalto liso. Mais um deles, segurança para todos.


    Tudo conversa fiada. Salvador é a única cidade no mundo que implantou o "asfalto sonrisal", a "cultura axé-pagodeira" e "modelo 30 homicidios" a cada final de semana.


    Mudanças poderão até acontecer, mas, lá se vão 26 anos de promessas desde Waldyr Pires e pouquissa coisa de expressivo aconteceu. 

    Hoje, salvo o Carnaval, que compete com Rio e Recife, Salvador não lidera em nenhuma atividade cultural, econômica, financeira, de tecnologia, serviços, de cidadania, de sustentabilidade, de meio ambiente, de nada.