Colunistas / Política
Tasso Franco

O CASAMENTO PERFEITO

A política e a economia andam juntas
10/04/2010 às 10:21
A política e a economia andam de mãos dadas. Quase sempre uma depende da outra e se complementam ainda que não seja uma regra absoluta. Dr. Popó, que foi prefeito da gloriosa Serrinha tomava uns "porres" homéricos, não dava a menor bola a Wall Street nem a política de juros do BC, e sempre se elegia. Mas, em se tratando de campanhas majoritárias para presidente da República, governadores de estados e Senado esse casamento política+economia tem que estar ajustado à semelhança do casal perfeito.              Não foi à toa que o presidente Lula dando seqüência à política econômica traçada pelas bases do Plano Real, ainda da época Itamar Franco/FHC, deu seqüência ao jogo, manteve a estabilidade econômica, entronizou Henrique Meireles no BC para muxoxos de cabeças coroadas do PT e o Brasil atravessou o "rubicão" da crise econômica mundial de 2009 com sobressaltos, mas, nada que se compare ao acontecido nos Estados Unidos e parte da Europa. Lula até emergiu como uma figura internacional.

            O presidente entra na pré-campanha eleitoral com sua candidata Dilma Rousseff com dois atributos essenciais ao bom gestor: popularidade em alta com avaliação recorde e economia estabilizada. São trunfos excepcionais. Trazendo esse cenário para a Bahia, o que se observa pelos dados apresentados pela SEFAZ nesses três primeiros meses do ano, com arrecadação de R$2.76 bilhões de ICMS, o imposto mais importante da receita estadual, é de que o governo está saindo do sufoco de 2009 e isso pode ser salutar à reeleição de Wagner.

            Isso não significa dizer que se vive uma situação confortável para a economia baiana, até porque, se tivesse mantido o ritmo de crescimento que se configurava nos anos 2007/2008, esse ICMS já teria passado dos R$3 bilhões no trimestre e aí, sim, a situação seria melhor. Mas, observando-se a queda que aconteceu em 2009, sobretudo porque a Bahia tem sua economia mais forte centrada na petroquímica, petróleo, telecomunicações e energia, e esses foram setores globais muito atingidos pela crise mundial, 2010 se apresenta com boas perspectivas.

            E isso, na política, tem um peso extraordinário. Na medida em que se aumenta a arrecadação do ICMS, sobram mais recursos para a realização de obras com investimentos próprios, o estado repõe (como já está acontecendo aos níveis de 2008) os repasses de dividendos do ICMS para os municípios e o astral do governo fica em alfa. Evidente que, tal folga, com a Fazenda batendo no teto do nível prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para pagamento dos salários dos servidores dos três poderes não se pode afrouxar a corda e perder o controle.

            Esse é outro aspecto crucial da questão porque as negociações com as categorias profissionais do Poder Executivo devem ganhar mais fôlego em maio próximo, data base para alguns segmentos. E o governo, ainda que tenha essa perspectiva alvissareira de manter os níveis de arrecadação em alta, acima dos obtidos em 2008 e espantando para longe o mau agouro de 2009, não pode brincar em serviço. O secretário Carlos Martins, da Fazenda, o homem da chave do cofre sabe disso mais do que ninguém.

             Casamento bom é política+economia+controle+reeleição.