quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Colunistas / Miudinhas
Tasso Franco

MOTIVOS QUE LEVARAM BRUNO À VITÓRIA E CANTO DAS SEREIAS DERROTADO (TF)

A população de Salvador desta vez acertou e não cometeu o erro de 2004. Veja comentário de Tasso Franco.
15/11/2020 às 19:46
  O democrata Bruno Reis será o novo prefeito de Salvador para o período 2021/2024. Venceu o pleito no 1º turno com 64.02% dos votos válidos numa campanha que mais pareceu um passeio do que uma disputa política. Os institutos de pesquisa acertaram em cheio, pois desde o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV afirmavam que a vitória de Bruno se daria no 1º turno.

  E por que isso aconteceu?

  Vários motivos: faltaram adversários competentes para fazer o contra ponto a Bruno, o governador Rui Costa errou ao escolher uma candidata neófita em política para disputar o pleito pelo PT, ainda mais, sendo militar da PM, as gestões ACM Neto ajudaram bastante Bruno - que era o vice prefeito - a pandemia da Covid 19 foi outro fator que contribuiu para seu crescimento diante das ações realizadas pela Prefeitura e por não permitir a campanha corpo a corpo (isso prejudicou muito a Denice, que era pouco conhecida e Rui não pode sair com ela pelos bairros) - e o fato de Bruno ter muitos mais coisas (obras) para mostrar na televisão do que os demais candidatos, os quais, não tinham projetos que sensibilizassem a população.

  Ou seja, a população da capital aprova as administrações ACM Neto - e Bruno e a sua vice Ana Paula fazem parte delas - e deseja a continuidade. A capital baiana tem um projeto bem estruturado em várias frente, atuou bastante no social - o que aparentemente era um erro dos democratas e antigos pefelistas - modernizou estruturas, avançou na resiliência e nas novas tecnologias com o hub e as stratups, tomou a frente do turismo que ra também uma atribuição do estado e esse conjunto de ações garantiu a vitória folgada de Bruno.

  Há quem admita que faltou política ideológica a candidata do PT que foi a principal adversária de Bruno, um nome do colete do governador o que afastou a antiga militância da campanha, e também a saída da deputada Lidice da Mata, do PSB, a qual sem um apoio mais expresso do governador abdicou da condição de pré-candidata colocando a deputada Fabiola Mansur como candidata a vice na chapa Denice. Mas, a transferência dos votos do PSB (de Lidice) para Denice (PT) não funcionou a contento. Socialistas históricos, no decorrer da campanha, faziam críticas abertas ao governador Rui diante de tal escolha e prioridade.

  Lidice e o PSB, em parte, pode até ter transferido votos que eram dela para Denice (essa operação não mexeu nos votos de Bruno), mas a questão ideológica (que Lidice sabe fazer) Denice não soube. Ficou um vazio e o eleitor sentiu a falta desse combate. Evidente que essa não foi uma culpa de Denice, em si, mas, pelo fato dela não ter experiência, não ter conhecimento político, não saber fazer.

  O deputado sgt da PM e pastor Isidório (Avante) saiu bem no início das pesquisas com um percentual acima de 10%, mas seu eleitorado migrou para Bruno (e até para Denice) visto que o eleitor até admite voltar nele para deputado com seu estilo populista, suas acrobacias e sua imagem de 'doido', mas para administrar a cidade foi gongado.

  Depois, a aliança que fez com o PSD de Otto Alencar pondo na vice uma pessoa desconhecida da política, e esposa do senador Coronel dando-lhe espaços na TV, em nada adicionou a sua campanha. A pandemia foi outro fator que prejudicou Isidório, pois não pode fazer corpo-a-corpo com seu botijão de gás, o que aparentemente é seu forte. Ademais, o eleitor, ao votar para um executivo não se sensibiliza com bíblia e pantominas. Fica a lição.

  A deputada estadual Olivia Santana (PCdoB) fez o que pode. Queixou-se, no decorrer da campana, de que o governador Rui deu prioridade absoluta a Denice deixando os demais da sua base a ver navios, e não conseguiu sozinha e com seu PCdoB seduzir politicamente a população. Fez, também, uma campanha muito direcionada ao gueto, a negritude, a candidata das pretas, o que pode ser significativo numa eleição proporcional, porém, numa majoritária não funciona. A cidade é plural, mais abrangente. Sua aliança com o PP de Leão não surtiu efeito. Eram água e vinho dois polos diferentes.

  O deputado federal Bacelar, do Podemos, também da base de Rui, ficou isolado e com uma mensagem muito direcionada à educação. Os vereadores do Podemos, ao que tudo indica migraram para Bruno, uma vez que, no cômputo geral tiveram muito mais votos do que os 11.140 amealhados por Bacelar.

  O candidato bolsonarista vereador Cesar Leite (PRTB) sofreu com a descrença que a população de Salvador tem a Bolsonaro e avançou dentro do previsto pelas pesquisas, com margem de erro, atingindo 4.65% do eleitorado. Os demistas temiam que ele pudesse crescer mais o que seria ruim para Bruno, mas diante das pesquisas apontando Bolsonaro com a maior rejeição no país, em Salvador, esse quadro não se alterou e Leite até conseguiu uma votação expressiva 56.494 votos, mas nada que abalasse a estrutura de Bruno num eleitorado com 1.395.106 sufrágios.

  Hilton repetiu a velha campanha do PSOL da cidade da resistência sem mexer, o mínimo, com a população. Fez campanha com temas muito fechados, fora do que a população almeja, e só obteve 16.868 votos, bem abaixo do que se poderia esperar. Não conseguiu, sequer, como Boulos amealhou em SP, os descontentes do PT com Denice.

  PCO foi apenas figurativo com 409 votos.

  Esse foi o quadro da campanha. Vale registrar que Bruno Reis, embora candidato de ACM Neto, fez sua parte. É trabalhador, dinâmico, jovem, andou muito pela cidade desde a época de vice-prefeito. Ou seja, fez o seu dever de casa com competência. Repetiu, em tese, o que Rui foi para Wagner. Pisou na lama, gastou sola do sapato, conhece as quebradas dos bairros populares, falou para todos, e isso ajudou bastante. 

   A população de Salvador - desta feita - votou certo, ao contrário do que fez em 2004 e 2008. Não foi em cantos de sereias. Salvador agradece. (TF)