quinta-feira, 04 de mar?o de 2021
Saúde

Martagão Gesteira aumenta complexidade das cirurgias cardíacas

O Hospital realizou sua 1ª cirurgia de Fontan: procedimento em paciente com coração univentricular*
Anderson Sotero , Salvador | 16/02/2021 às 12:36
Hospital Martagão Gesteira
Foto: Divulgação

J.V.C tem sete anos. Ele nasceu com apenas um ventrículo no coração funcionando – em pessoas sadias há dois. Após ser submetido a duas cirurgias nos primeiros anos de idade, ele precisava fazer a de Fontan, uma cirurgia que pode fazer com que ele chegue à idade adulta com a qualidade de vida de um paciente normal. Recentemente, ele foi submetido ao procedimento no Hospital Martagão Gesteira para retirar a sobrecarga que havia em seu coração.

Foi a primeira cirurgia desse tipo realizada pelo Martagão. Com ela, o Hospital passa a aumentar a complexidade das cirurgias cardíacas realizadas. Após a cirurgia de Fontan, o setor de Cardiopediatria do Hospital já consegue fazer 95% das cirurgias congênitas complexas. 

“É um marco para o Hospital porque evidencia o crescimento do serviço oferecido e a complexidade da cirurgia cardíaca que podemos fazer. A de Fontan depende de anos de serviço para que se possa disponibilizar”, ressalta a coordenadora do setor de Cardiologia do Hospital, Mila Simões.

Poder fazer esse tipo de cirurgia em pacientes com corações univentriculares era uma meta do Hospital, que sofreu um atraso por causa da pandemia do coronavírus. Outras duas crianças já estão na fila de espera e serão submetidas ao procedimento no Martagão. Toda a equipe foi treinada para realizar a cirurgia, que levou cerca de dez horas. 

“Já tínhamos toda a infraestrutura, mas era um desafio porque, nestes casos, o coração funciona de uma forma completamente diferente do que se está acostumado a ver em outras cirurgias”, acrescenta a cardiopediatra. Após o procedimento cirúrgico, o paciente permanece estável na UTI, em melhora clínica progressiva. 

Em um coração sadio, o sangue é bombeado para o pulmão e para o corpo todo, por meio dos dois ventrículos. Quando só existe um, o trabalho duplo é feito somente por ele, gerando uma sobrecarga que, com o passar dos anos, pode levar à morte do paciente cardiopata. Com a cirurgia de Fontan, o coração passa a ficar responsável somente pelo corpo todo e o do pulmão depois da cirurgia recebe o sangue diretamente das veias sem o bombeamento do coração. Isso faz com que o coração dure mais anos.