sexta-feira, 07 de agosto de 2020
Colunistas / Literatura
Rosa de Lima

ROSA DE LIMA COMENTA LIVRO ALIBABA O GIGANTE DO COMÉRCIO ELETRÔNIO

É também a história de Jack Ma e da evolução da internet na China desde a abertura do PCC
23/06/2020 às 10:59
  Estou na fase tecnologias. Estamos vivendo o momento da pandemia do coronavirus e há uma preocupação em todo mundo o que emergirá depois dela. Já está claro, desde agora, no decorrer da pandemia, que os sistemas que operam online e já eram promissores ficarão ainda mais fortes e disputadÍssima corrida acontecerá entre as grandes, médias e pequenas empresas e portais que estão atuando nesse segmento.

  É real, o mundo tecnológico chegou de vez e quem subestimar essa questão ficará deslocado. Já comentei aqui o livro "As cartas de Bezos", fundador da Amazon, e hoje, falarei sobre o gigante chinês Alibaba.

  O livro intitula-se "Alibaba - A gigane do comércio eletrônio - o império construído por Jack Ma", escrito por Ducan Clark (Editora Best Business, 379 páginas, R$40,00, 2019, distribuição Editora Record, tradução de Eduardo Riche) e que narra a história do maior portal de comércio eletrônico do mundo, sediado na China, com suas inúmeras pernas: Taobao, Didi, Ali Express,Yunfeng, Alibaba Pictures, Aliplay e outras.

  Um gigante mundial maior do que a Amazon e a Baidu. A história da Alibaba (empresa chinesa com nome árabe, extraido de uma lenda) contada por Duncan Clark um especialista nessa matéria criado entre o Reino Unido e a França e residente em Pequim desde 1994 é também a história da implantação e expansão da internet na China, país comunista controlado com mão de força pelo PCC.

  Por isso mesmo, a história da Alibaba e o seu desenvolvimento como empresa de dados e telecomunicação em vendas, uma Sociedade Anonima, típica do sistema capitalista, seguiu os passos da modernização da China adotado por Deng Xiaoping, iniciada nos anos 1980, pós periodo obscurantista de Mao Tsé Tung, e foi atravessando todas as etapas sem retrocesso até o atual presidente Xi Jinping, o qual está no topo do poder desde 2012.

   É completamente diferente a implantação de sistemas online de um país capitalista como os EUA ou o Reino Unido, de democracia plena e livre mercado onde as empresa não precisam enfentar controles e procedimentos burocratizados de um partido político dominante e único, do que acontece na China, onde o PCC são os olhos e ouvidos de tudo. O PCC controla, inclusive a liberdade de expressão, e isso é um complicar nas relações internacionais de uma empresa. Lembrando que o sistema chinês para avançar na internet precisou de capital internacional, dos fundos de investimentos em risco, e isso só foi possível graças aos pioneiros empresários da China e a abertura da política do PCC.

  É também a história de Jack Ma um chines miudo que a todos enfrentou e conseguiu vencer e tornar sua empresa a maior do mundo em vendas convivendo com o sistema comunista e atuando como capitalista e o apoio de empresas como o Yahoo e o Soft Bank fundos existentes no Japão e em Hong-Kong.

  Destaque, também, para a província de Zhejian, berço do empreendedorismo na China, e do lançamento do Projeto Pente de Ouro pelo vice-premier Zhu Rongli, em 1993, que criou uma rede de informação e comunicação de abrangência nacional. São muitas pernas numa engrenagem imensa uma vez que a China é um país com 1.3 bilhões de habitantes e um mercado potencial extraodrinário desde que a população foi ascendendo socialmente e passou a consumir produtos que não tinham acesso como eletrodomésticos, automóveis, iphones, produtos de beleza, imóveis e assim por diante. 

  Tudo está conectado com uma história de tradição milenar: Hangzhou, sede do império do comércio eletrônico da Alibaba, tem longa tradição como centro comercial considerado o ponto meridional do grande canal com 1.770 quilômetros de extensão entre essa localidade e Pequim. Por mais de 1 milênio esse canal foi a principal artéria do comércio chinês entre Norte e Sul e o porto de Ningbo é um dos mais importantes da China, até os dias atuais.

  Ou seja, imaginar que se pode colocar uma gigante stratup sem observar essa logística e outros fatores da político e do comércio internacional é ficar no meio do caminho como várias outras empresas ficaram não só na China, mas em vários continentes. A internet enfrentou a sua bolha nos anos 2000 com pico na crise de 2008 gerada nos Estados Unidos e que quebrou centenas de empresas.

  O desenvolvimento da internet na China está associada umbilicalmente aos EUA porque muitos dos empreendedores chineses de ponta desse mercado foram formados nas universidades norte-americanas. Não é o caso específico de Jack Ma, empreendedor autodidata, ainda que ele, óbvio, quando sua empresa começou a crescer e ganhou status competitivos teve que contratar alguns desses profissionais formados nos EUA, Twain, Singapura, Hong Kong e depois da Universidade de Pequim, hoje, uma das maiores do mundo.

  Quando a Alibaba fez a sua IPO - oferta pública de ações - na Bolsa de NY, já amdurecida, consolidada, oferencendo 12% da empresa levantou 25 bilhões de dólares, maior IPO da história. O Morgan Stanley e o Credit Suisse, dois dos 6 bancos envolvidos no negócio, ganharam cada um deles 49 milhões de dólares, e os honorários do 'exército' de advogados chegram a 15 milhões de dólares, 

  Para se ter uma idéia do que representa a Alibaba e suas agregadas (Group Alibaba) no dia do solteiro, na China, 11 de novembro de 2015, as encomendas feitas nos seus sites geraram 467 milhões de embalagens, exigindo mais de 1.7 milhão de serviços de entrega e 400 mil veículos na distribuição das mercadorias, em 24 horas. Só o Taobao tem 9 milhões de comerciantes cadastrados.

  A leitura do livro de Duncan Clark é obrigatória para que vive e convive com a rede da internet. Entende-se o poderio da China, o porque dos norte-americanos e nações européias não conseguirem entrar e dominar o mercado chines que tem uma cultura própria e direfenciada de todo o restante do planeta. E, hoje, as posições estão se invertendo, os chineses é que estão dominando o mundo dos negócios online. Não são os únicos, mas, estão entre os maiores e mais dinâmicos.