quinta-feira, 16 de agosto de 2018
Colunistas / Literatura
Rosa de Lima

ROSA DE LIMA comenta UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO, de Geoffrey Blainey

Livro editado pela Fundamento tem resumo de toda história da humanidade
01/08/2018 às 10:09
  Está em moda publicações sobre história com temas abrangentes: da ciência, da tecnologia, do mundo, do futebol, das pirâmides, das raças e assim por diante. O mercado editorial tem essas iniciativas de ocasião, o que não representam uma novidade, pois, além de ser muito competitivo necessita sempre de inovações. E diria que isso é bom para os leitores que têm mais opções de escolhas nas livrarias e na internet. Lembrando que livros comprados via online são sempre mais baratos. 

   O professor da Universidade de Harvard e da Universidade de Melbourne, Geoffrey Blainey, tem seu livro "Uma Breve História do Mundo" publicado no Brasil pela Fundamento (3ª edição, 335 páginas R$40,00) onde faz um balanço da trajetória da humanidade, uma geografia das civilizações e o legado dos seus povos. Não é fácil colocar no papel e na internet um texto contendo pouco mais de 300 páginas abordando tema tão complexo.

   A história da humanidade tem milhares de pubicações mais completas e até com ensaios sobre cada segmento da sociedade - economia, ciência, arte, esporte, etc. O livro de Geoffrey nos contempla com um resumo essencial de toda história e isso o autor consegue fazer sem esquecer de tratar dos assuntos mais relevantes.

   Então, a pergunta que se faz ao comprar o livro é por onde ele vai começar a relatar a "Breve História da Humanidade"? E ele inicia pela África onde viviam seres quase humanos há 2 milhões de anos consumindo frutas, nozes e sementes. 

   Dificl é entender a evolução huamana a partir dos primatas e o surgimento da fala, considerada a maior de todas as invenções. O curioso é que surgiram vários tipos de falas, umas diferentes das outras, a depender de cada região. 

   Que mistério foi esse? Se os humanos são originários de uma mesma matriz africana por que todos não falavam a mesma língua? O esperado seria isso, mas, são milhares de linguas e dialetos em todo mundo. Ademais, as falas de centenas de gerações ficaram adormecidades e só conseguiram sobreviver nas artes ao longo da era glacial em desenhos rupestres que são encontrados em vários continentes até os dias atuais. 

   O historiador estima que o grande salto dos humanos deu-se ainda quando os mares eram baixos e permitia-se caminhar do sul da Inglaterra até a França, chegar-se a Austrália e até Java. Foi essa migração que estabeleceu povos em distintos lugares com etnias diferentes, cores diversas devido ao gelo, ao frio e ao sol. E isso só foi possível com longas jornadas a pé. Estima-se que 20.000 a.C. o homem já se encontrava em todos os continentes ainda que, as regiões frias fossem menos povoadas.

  A Suécia, a Finlândia e parte da Irlanda eram consideradas terras sem proveitos. A América do Norte era a terra do gelo. O Canadá pior. A Sibéria um inferno gelado. 

   A narrativa de Geoffrey é fantástica. Lembra que, na África, por volta de 10.000 a.C. a água do Lago Vitória começou a correr para a formação do Rio Nilo, que é o mais extenso do mundo.

   Estima-se que a elevação dos níveis dos mares se completou por volta de 8.000 a.C, e, ao todo, subiram até 140 metros, considerado o evento mais extraordinário da história humana nos últimos 100 mil anos. Muitas áreas no globo foram remodeladas e formaram novas rotas maritimas que só podiam ser alcançadas a partir da descoberta e uso das embarcações. 

   Até então, o espaço terrestre estava habitado quase de ponta-a-ponta mas as populações viviam isoladas uma das outras, sobretudo depois que os mares subiram e passou-se a ser impossível fazer-se rotas a pé entre continentes. 

   Veja que, só recentemente, os povos pré-hispânicos foram descobertos nas Américas e já existiam no México e na Grã-Colombia civilizações com culturas próprias e milhões de pessoas há milhares de anos a.C.  Incas, astecas e outros eram diferenciados dos povos que habitavam o Norte das Amércias e a área que hoje é o território do Brasil. 

   O livro de Geoffrey traz muitas informações preciosas para se entender o mundo atual, muitas delas hoje consideradas até banais como a relação dos humanos com os cães, a primeira revolução verde, a formação das comunidades e depois cidades, a descoberta da roda, o cultivo do trigo, o surgimento da escrita e das novas formas de comunicação.

   Hoje, quando os sapiens não desgrudam dos computadores e dos smartphones, se movimenta em aviões a jato e trens bala, a globalização é acompanhada até por crianças, é bom saber e ter essas informações do que foram a importância da roda, da vela, da escrita, do calçado, o surgimento das religiões, das organizações sociais, da economia, das ciências, enfim, um relato que chega aos dias atuais com pinceladas no colonialismo dos povos, nas duas grandes guerras mundiais, no repaginamento do mundo geopolítico.

   Um livro bem interessante porque permite que o leitor tenha uma compreensão da humanidade desde os primórdios até os dias atuais num único volume, um resumo bem elaborado da existência do sapiens na terra. Não é trabalho ideológico para se tirar conclusões ou polemizar sobre conceitos. Apenas um ensaio geral descrito do que aconteceu em nossas existencias.