segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Colunistas / Literatura
Rosa de Lima

ROSA DE LIMA comenta livro de Brad Stone sobre as stratups unicórnios

Ninguém deterá esse processo e com a Inteligência Artificial vão surgir muitas novas coisas
21/11/2017 às 19:16
    A literatura no segmento de temas voltado à economia passa também por transformações diante do surgimento das novas tecnologias e das stratups e outras empresas desse novo meio. Os conceitos clássicos estão se modificando a partir da internet e das ferramentas e aplicativos que foram agregados ao longo das duas últimas décadas, fazendo com que surjam novas empresas, extremamente inovadoras, globais, e que têm modificado muitos paradigmas, leis e comportamentos em todo mundo. 
   
   Estamos vivendo uma momento de grandes transformações na sociedade e é só o começo da Nova Era Industrial com o uso da Inteligência Artificial. Algo que está sendo implantado já em alguns países como, por exemplo, os automóveis que não vão precisar de motoristas e os sistemas de atendimento e conforto nas residências tudo computadorizado.
    
   O norte-americano, Brad Stone, editor-executivo sênior de Tecnologia Global da Bloomberg News e autor do best-seller "A Loja de Tudo: Jeff Bezos e a era da Amazon", publicou recentemente o livro "As Upstarts" - como a Uber e a Airbnb e as killer companhias do novo Vale do Silicio estão mudando o mundo (Editora Intrinseca, 380 páginas, RJ). 
  
   O livro trata exatamente de duas empresas que os brasileiros já estão familiarizados e que tantos debates, passeatas, protestos, mudanças, têm provocado especialmente nas grandes cidades mundiais e brasileiras que são o compartilhamento de veiculos tipo táxi e outros; e o compartilhamento (aluguel) de imóveis em todo ou parte. Ou seja, você pode receber um hóspede em sua residência, ganhar por isso, sem sair de casa, dividindo as dependências com pessoas que você nunca viu.
    
   É algo tão novo e revolucionário que o autor Brad Stone não teve modéstia em colocar na capa do livro tratando essas empresas como 'transformadoras de comportamentos no mundo', da China ao Paraguai; dos Estados Unidos ao Brasil. Os tentáculos dessas empresas são tão avassaladores que ninguém escapa. E, de fato, até que haja uma maturação desse processo, falamos em ralação ao Uber e ao Airbnb, há ganhos consideráveis para todos daí o grande sucesso. 
   
   E, ainda mais sintomático, geram milhões de novos empregos dentro de uma nova concepção trabalhista na medida em que, se você ingressa na Uber para compartilhar seu veículo, tudo é feito automaticamente e on-line, incluindo as cobranças das tarifas, o que não significa que você passe a integrar a folha de pagamentos da Uber ou receba desta empresa qualquer benefício de assistência social ou médica. 
    
   Você ingressou num novo modelo de trabalho, você empresário de si mesmo, um ganho complementar às suas tarefas habituais ou a uma aposentadoria. O mesmo acontece com a AirBnB, você ao disponibilizar um imóvel para compartilhamento, você vira uma especie de hotel privê, com direito apenas aos ganhos referentes às hospedagens. Claro que, se sua cidade ou país, tem uma lei especifica de cobrança de impostos para hospedagens avulsas você terá que cumprir a lei.
     
   Imaginar que UBER e AirBnB tiveram vida fácil para implantar sistemas globalizados é também achar que criar uma stratups é sopa no mel. Nada disso. Dá um imenso trabalho, investimentos bilionários em captações de recursos via grupos de investidores de risco, disputa de mercados especilemente na China, país que tem uma cultura dificil de ser invadida, e o que Brad Stone nos conta no livro é extamente a trajetória dos jovens integrantes dessas duas empresas e as lutas que enfrentaram com muito trabalho, muita determinação, para conseguirem se tornarem globais. 
     
   Ter ideias todo mundo tem e os jovens estão mexendo com o mundo empresarial com suas inovações no Vale do Silicio, nas Incubadoras Tecnológicas de Pequim, Mumbai, São Paulo, Paris, Londres, etc, e entrar e disputar esse mercado mundial não é brincadeira. 
    
   Hoje, Uber e AirBnb estão avaliadas em 180 bilhões de dólares e a planta de hospedagem da AirBnb é maior do que a de qualquer cadeia mundial de hotéis, assim como Uber tem, só no Brasil, seu segundo mercado mundial milhares de novos taxistas à disposição dos clientes.
   
   Em Salvador, certamente você já presenciou passeatas de taxistas tradicionais contra a Uber, protestos em frente a Câmara de Vereadores, tudo em vão na medida em que os motoristas compartilhados oferecem um serviço melhor do que o deles. O que os taxistas tradicionais têm que fazer é lançar seus aplicativos, melhorar e baratear seus serviços e partir para competição de igual para igual.
    
   Também você certamente já ouviu e viu pela TV casos policiais envolvendo motoristas da Uber - recenemente, em Salvador, teria havido um estupro praticado por um desses motoristas - mas a quantidade (alguns milhões em todo mundo) de compartilhados a essa planta é tão grande que nada abala a sua estrutura. 

   Isso também acontece com a AirBnB, incluindo casos de mortes por gás num apartamento inadequado, porém, nada demove essa empresa e a cada dia mais pessoas integram a sua planta, do Havai a Hong-Kong. Aqui na Bahia, se quiseres alugar uma casa no Litoral Norte têm várias à disposição. 
   
    Essas empresas se tornaram gigantes, chamadas unicórnios, e nasceram pequenas, com cinco a seis pessoas nos núcleos iniciais e hoje, empregam nas suas estruturas de comando milhares de pessoas no mundo todo, especialmente em suas bases na Califórnia. São engenheiros, técnicos em informática, especialistas em marketing, lobistas (nos EUA esse termo não é o mesmo do Brasil), administradores, etc, para monitorar e receber os benefícios. 
   
   Nessa estratégia global o marketing é direfenciado de país para país, mas, na essência, os objetivos centrais das empresas são mantidos intactos, ou seja, compartilhar. 

   O autor narra todos os enfretamentos digeridos pelos CEOS dessas empresas no mundo, como o Uber demorou para entrar em Nova York, o maior mercado de táxis dos EUA, como teve que se aliar a Alibaba, a unicórcio de Pequim, como enfrentou batalhas judiciais e protestos em todo mundo. Tarefa que exigiu muita determinação, escritórios de advocacias de porte, enfrentamento com Procuradoris Gerais e assim por diante.
   
   O livro é muito interessante e desafiador para o autor que teve que entrevistar todos os componentes dessas empresas, as que sobreviveram e as que foram incorporadas, agregadas, os valores astronômicos em negócios, enfim, um retrato do que vem por aí com mais intensidade. 

   A AirBnb nasceu com a ascensão de Barack Obama ao poder. Jovens tiveram diciuldades para se hospedarem em Washington, no dia da posse, em 2009, e surgiu a idéia do compartilhamento de alugueis. A Uber nasceu em São Franciso também com jovens que tinham dificuldades em pegar um táxi.
   
   Veja, portanto, como são atuais. Há, no mundo, stratups de todos os tipos - alimentos, livros, roupas, casamentos, etc, mas poucas são as globais. Muitas são nacionais, outras estaduais e até as municipais. O importante é que estamos diante de uma nova tendência, em ascensão, e com as novas tecnologias, ninguém detém esse processo.