Política

PRESIDENTE DA FRANÇA CRITICA MOVIMENTOS DE ESQUERDA POR DISTURBIOS

Essa falta de uma resposta concreta ao movimento social enfurece a esquerda francesa. É "absolutamente irresponsável", criticou duramente Manuel Bompard, coordenador do LFI.
Tasso Franco , da redação em Salvador | 18/10/2026 às 21:46
Emmanuel Macron no Elysée fez discurso valisina
Foto: Ludovid Marin
    O presidente da França, Emmanuel Macron, criticou duramente grupos de extrema-esquerda e delinquentes, atribuindo a eles a onda de violência e destruição sem precedentes registrada durante os protestos nacionais em todo o país. Em pronunciamento televisionado à nação, Macron afirmou sentir "raiva e vergonha" diante das cenas de vandalismo e garantiu que o governo agirá com firmeza e inflexibilidade para punir os responsáveis pelos ataques.
Detalhes do Pronunciamento de Macron

• "Nada justifica": O chefe de Estado reiterou que "nada justifica, nada explica, nada desculpa" o vandalismo, o roubo e o ataque às instituições da República.
• Distinção de Movimentos: Macron enfatizou que a população não deve confundir os bândalos mascarados com as centenas de milhares de pessoas que foram às ruas pacificamente expressar reivindicações legítimas sobre a inflação e a piora nos serviços públicos.

          LE MONDE
        Sob pressão, Emmanuel Macron dirigiu-se aos franceses às 20h. O chefe de Estado prometeu que o Executivo será "intransigente" diante dos vândalos, acrescentando que os prefeitos "tomarão as decisões" necessárias para proteger as cidades, chegando, inclusive, a "proibir" — se preciso — "certas manifestações".

Membros do movimento dos "Coletes Amarelos" (*gilets jaunes*), coorganizadores da mobilização de sábado, criticam o "discurso vazio" de Emmanuel Macron. 

"Solicitamos este encontro [no Palácio do Eliseu], que consideramos necessário, inclusive do ponto de vista simbólico", pois "a população da França merece ser, finalmente, considerada, ouvida e escutada", afirma um comunicado da coordenação dos "Coletes Amarelos" — um dos diversos grupos que convocaram a mobilização de 17 de outubro, ao lado de estudantes universitários, alunos do ensino médio e alguns sindicatos. O pronunciamento do presidente da República "nos confirmou nessa ideia, pois seu discurso vazio ilustra perfeitamente o desconectamento de nossos dirigentes e sua recusa em ouvir" e, "em 2020, Emmanuel Macron havia prometido receber um grupo de 'coletes amarelos' no Palácio do Eliseu", mas "não cumpriu essa promessa, assim como tantas outras", explicam eles.

"Se o presidente aceitar, formaremos uma delegação estruturada, nos moldes da de 17 de outubro, que reunirá 'coletes amarelos' e representantes do maior número possível de setores mobilizados", afirmam.

Esses "coletes amarelos" também convocam a "dar continuidade às perturbações e aos bloqueios logísticos", bem como a "fazer do dia de greve interprofissional de 5 de novembro o ponto de partida para uma greve e um bloqueio geral renováveis".

LE FIGARO

Enquanto a violência ainda abala Paris na noite deste domingo, o pronunciamento do chefe de Estado não convenceu os representantes políticos. À esquerda, critica-se a ausência de respostas às reivindicações sociais, ao passo que a direita condena a falta de firmeza diante dos excessos

O pronunciamento de Emmanuel Macron era muito aguardado por estudantes do ensino médio, trabalhadores e outros manifestantes que, nas últimas semanas, marcharam pelas ruas de Paris contra o alto custo de vida e a falta de recursos na Educação Nacional. O discurso do presidente, que durou cerca de dez minutos e foi transmitido pela televisão no domingo, 18 de outubro, não esteve à altura dos acontecimentos — uma avaliação compartilhada por toda a classe política francesa.

O chefe de Estado condenou veementemente uma "violência desenfreada" e exigiu que "todas as lições" sejam tiradas do ocorrido, para evitar que tais excessos voltem a acontecer. Por outro lado, o líder não anunciou nenhuma medida para atender às reivindicações: não houve liberação de verbas para acalmar a revolta dos jovens, nem qualquer anúncio referente ao preço dos combustíveis.

"Que ele vá embora logo!"

Essa falta de uma resposta concreta ao movimento social enfurece a esquerda francesa. É "absolutamente irresponsável", criticou duramente Manuel Bompard, coordenador do LFI. No entanto, "as reivindicações permanecem esta noite", lamentou o deputado por Bouches-du-Rhône na emissora LCI, avaliando que, "em todos os aspectos do problema", o chefe de Estado "não anuncia absolutamente nada". 

"Quando não se tem nada a dizer, fica-se calado", reagiu, de forma direta, a eurodeputada do LFI, Manon Aubry. Sua colega Mathilde Panot, líder dos deputados do LFI na Assembleia, vai além. Ela descreve Emmanuel Macron como um "artífice do caos (que) joga, diretamente, mais lenha na fogueira". Ela critica o fato de que o único anúncio seja "a possível proibição de manifestações". O presidente, de fato, autorizou os prefeitos — autoridades administrativas regionais — a "proibir" certas reuniões, com o objetivo de "proteger nossas cidades". "Que ele vá embora logo!", exclamou ela, indignada.