quinta-feira, 04 de mar?o de 2021
Política

A SAIA JUSTA QUE ACM NETO SE METEU E SUA POSIÇÃO COM BOLSONARO (TF)

Só o tempo dirá o que vai acontecer nas eleições majoritárias de 2022
Tasso Franco , da redação em Salvador | 13/02/2021 às 10:14
Beruno Reis e ACM Neto na transmissão do cargo a prefeito de Salvador
Foto: DIV
   O presidente nacional do DEM, ACM Neto, se meteu na maior saia justa de sua carreria política com o apoio à candidatura de Arthur Lira (candidato bolsonarista do PP/AL) à presidência da Câmara (eleito) e posterior nomeação do deputado federal João Roma (Republicanos) para ministro da Cidadania diante de um provável acordo que teria havido entre Neto e Bolsonaro. 

   Neto nega qualquer tipo de acordo e numa entrevista ao Portal A Tarde disse considerar "lamentável" a ida de João Roma, seu antigo chefe de gabinete, para o Cidadania. "A decisão me surpreende porque desconsidera a relação política e a amizade pessoal que construímos ao longo de toda a vida", afirmou o ex-prefeito de Salvador.

    "Se a intenção do Palácio do Planalto é me intimidar, limitar a expressão das minhas opiniões ou reduzir as minhas críticas, serviu antes para reforçar a minha certeza de que me manter distante do governo federal é o caminho certo a ser trilhado, pelo bem do Brasil", acrescentou.

   João Roma, por sua vez, disse ao Globo.com, que assume o Ministério por missão partidária e não deixaria de fazê-lo diante da briga entre ACM Neto x Rodrigo Maia surgida após a vitória de Arthur Lira quando Maia chamou Neto de "traidor". Ou seja, Roma situou que não deixaria de assumir um cargo tão importante para sua vida político do Republicanos por causa de briga interna do DEM.

    Para esquentar ainda mais o clima, Maia colocou em sua rede após a nomeação do Republicanos que “João Roma será um grande ministro. Mas Neto mostra o tamanho do seu caráter”, disse.

   No bojo desse disse-me-disse o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), rebateu o ex-presidente Maia e disse que ACM Neto não teve qualquer participação na escolha de Roma para o primeiro escalão de Bolsonaro. Pereira foi vice-presidente de Maia, mas durante a campanha eleitoral da Câmara declarou apoio a Lira.

   Em resumo: somente a prática dirá se ACM Neto vai se alinhar com o bolsonarismo ou não. Por suas declarações, não irá e ao que tudo indica, romperá relações políticas com João Roma como já fez com Rodrigo Maia. 

  Roma deve (em boa parte) sua eleição a deputado federal praticamente a ACM Neto ele que chegou a Bahia em 2002, pernambucano que é, para assessorar o DEM e Neto na área da informática, tomou gosto pela política, foi um assessor próximo ao ex-prefeito de Salvador, partindo daí dentro do esquemão político de alianças com a IURD e filiado ao Republicanos, eleito deputado federal em primeiro mandato. Roma insinuou ser pré-candidato a prefeito de Salvador, em 2020, empurrado pela IURD, mas Neto cortou suas asas e apoiou Bruno Reis.

   Bruno Reis, prefeito eleito, disse também recentemente sobre o episódio de um possível alinhamento de Neto com Bolsonaro que isso não irá acontecer. Tem suas razões. Conhece Neto bastante, foi eleito graças a força política do ex-prefeito integrando sua gestão comoi vice, e tem conhecimento de uma pesquisa divulgada na campanha municipal última dando conta da rejeição de Bolsonaro em Salvador e Bahia, altissima. A rejeição de Bolsonaro na capital é a mais alta do país entre as capitais. 

   Na campanha municipal, Neto e Bruno não quiseram conta com Bolsonaro e a oposição ainda tentou colá-los, mas não conseguiu. Pra ajudar, o bolsonarismo tinha um candidato a prefeito (César Leite) que teve votação pífia confirmando os dados da pesquisa de que Bolsonaro não agrega valor eleitoral.

  Como esse quadro não se modificou, a rejeição de Bolsonaro continua alta na Bahia, ao que tudo indica a fala de Neto é verdadeira ao dizer que não se intimidará com manobras do Palácio do Planalto (a nomeação de João Roma), nem irá se alinhar com Bolsonaro. 

   Possível pré-candidato a governador da Bahia, em 2022, Neto sabe que seu adversário no Estado é o PT que tem uma rejeição tão forte quando o bolsonarismo.

   O que vai acontecer daqui pra frente só a prática política dirá. 

   Como será a atuação de João Roma na Bahia? Quando Bolsonaro virá a Bahia com João Roma? Bolsonaro cresce na pesquisa e melhora sua performance na Bahia ou não? 

  São muitas perguntas que ainda estão em aberto e só o tempo dirá as direções. Por enquanto, vamos dar crédito a fala do ex-prefeito, de ontem, que está distante de Bolsonaro.