quinta-feira, 02 de abril de 2020
Política

BOLSONARO FAZ POLÍTICA COM COVID E FALA PARA FORTALECER SUA TROPA (TF)

Jair Bolsonaro tem aprovação de 56% entre os seus segundo DataFolha
Tasso Franco , da redação em Salvador | 25/03/2020 às 10:31
Jair Bolsonaro tem aprovação de 56% entre os seus segundo DataFolha
Foto: BJÁ
   A fala do presidente Jair Bolsonaro pela televisão em cadeia nacional, ontem, é uma peça política para oxigenar a sua tropa de choque e seus eleitores independente dos efeitos que possam trazer no confinamento das famílias para conter o coronavirus.

   Até porque, duvida-se que haja mudanças de comportamento da sociedade diante da fala do presidente uma vez que decretos estaduais e municipais já foram editados nos 27 estados e DF da Federação e ninguém vai sair de casa, salvo os imprudentes. Nem as lojas e shoppings serão abertos.

   Evidente que a fala sendo feita pelo presidente, a autoridade máxima da Nação, hoje, referendada por nova declaração dando conta de que o "país não pode parar" causa preocupações porque seu discurso vai de encontro ao que os técnicos em saúde pública determinam e há precedentes já analisados, casos da China, Itália, Espanha e outros países, que veem adotando o isolamento para conter o virus. 

   O casdo de Wuhan, a cidade de 11 milhões de habitantes, na China, onde surgiu o patógeno é emblemático. E os médicos chineses que foram ajudar a Itália disseram que ficaram assustados com a quantidade de pessoas nas ruas.

  Bolsonaro, no entanto, perdido que está no combate ao Covid-19, seu ministro da Saúde, Henrique Mandetta, a anos luz de distância dele em comportamento e ações, representa o equilibro no governo federal, o que falta ao chefe da Nação, seguidor da tese de Donald Trump o presidente dos EUA que acredita manter a economia viva. E, na quaresma, meados de abril, tudo estará no normal.

  O Brasil, no entanto, não é os EUA. Nossa infraestrutura é bem precária. Só no Rio de Janeiro há 2 milhões de favelados. Em Salvador, são 400 assentamentos subnormais aqui chamados de invasões. Nesses locais as condições sanitárias são baixas e há, inclusive, em alguns delas falta de abastecimento de água. No Rio, há campanhas até para doações de sabão para as pessoas mais pobres lavarem as mãos. 

  Tancredo Neves, o velho político mineiro que chegou a ser eleito presidente, mas não governou porque morreu antes de assumir o cargo dizia que, na política, uma das coisas mais importantes é "cuidar dos seus" em primeiro lugar. Ou seja: manter a tropa aliada unida. Os outros vão sendo conquistados aos poucos. E, a oposição nunca se conquista. 

   Salvo engano, Bolsonaro está usando essa tática: falando para os seus e a pesquisa DataFolha apontou que ele tem 56% de ótimo/bom na avaliação no enfrentamento ao coronavirus (número alto relacionado a seus eleitores), jogando para o futuro a provável conquista de indecisos, e mandando as favas a oposição, pois, sabe que qualquer que seja sua posição política ela ficará contra ele.

   Então, a fala de Bolsonaro tem esse objetivo básico. Causa apreensão, muito alarme, criticas duras da oposição e salvo melhor juizo ficará por ai. A declaração de FHC dando conta de que Bolsonaro estaria se preparando para o fim está fora de sintonia. Bolsonaro não tem perfil de Jânio Quadros e conta, ainda, com forte apoio da população apesar de alguns panelaços contrários. 

   Lula dizia na época em que batiam panelas para Dilma que se tratavam da gente rica com panelas cheias fazendo marola. É, pode ser. (TF)