quinta-feira, 02 de abril de 2020
Política

BOLSONARO ESTÁ ISOLADO E GOVERNADORES NÃO ATENDERAM SEUS APELOS (TF)

Governadores do NE repudiam sua fala na TV, ACM Neto, idem, Dória e Cajado rompem com o presidente
Tasso Franco , da redação em Salvador | 25/03/2020 às 18:33
Jaior Bolsonaro isolado
Foto: DIV
   MIUDINHAS GLOBAIS:

   1. O pronunciamento de Jair Bolsonaro feito ontem na televisão teve dois lados: o primeiro deles, já comentamos aqui (vide na Editoria de Política) o presidente quis oxigenar a sua tropa de choque. Falou para os seus. E o segundo deles (comentamos agora) foi desagregador junto aos governadores da oposição (alguns do Nordeste) e aqueles que ainda se alinhavam com seu governo como o de Goiás, Ronaldo Caiado, e até mesmo os do Rio de JKaneiro e SP que não eram alinhados mas admitiam conversar. Agora, nem isso querem.

   2. Hoje, Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória, foram as turras. Foram marradas de lado a lado, Dória dizendo que não gostou nem um pouco da fala do presidente na TV querendo à volta da normalidade com uma pandemia no país; e Bolsonaro dizendo que Dória é um sem moral, não tem estatura para criticar ninguém. Vão sentar numa mesa juntos? Duvida-se. As trocas de ofensas foram por videoconferência.

   3. O presidente está isolado num casulo e cercado dos seus assessores, em especial os informais - os filhos e o guru de Virginia, EUA. Isso é pouco ou nada. Vive num castelo de areia que pode desmoronar a qualquer hora. Os presidentes da Câmara e do Senado já são independentes há tempos; e o do STF, idem. Não que possam rejeitar uma conversa ou um encontro com Bolsonaro, mas, nada mais relevante ou abrangente a aproximação de um pacto. 

   4. Bolsonaro está só. Para usar uma expressão de Osório Vilas Boas "ele e o povo contra o resto". Resta saber até quando essa empatia vai durar uma vez que na última pesquisa DataFolha sua aprovação se situou em 35% de ótimo/bom (em relação ao combate Covid-19), no geral, entre todos os eleitores. Quando a pergunta é remetida somente aos seus eleitores, se o seu desempemho diante do coronavirus é bom/ótimo atinge 56%. 

   5. Também baixo porque deveria ser, ao menos 80%, pois se tratam dos seus aliados. Perdeu, pois, a unanimidade. Ou seja, mais de 30% dos seus já não concordam com o seu comportamento.

   6. Fez certo o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em não sair agora do cargo considerando a responsabilidade que tem perante o país e à sua população. Mas, duvida-se que passada a pandemia, fique no governo. Deverá, imagina-se, dizer que cumpriu sua missão e pedirá o boné.

   7. É o mínimo esperado dele, uma vez que o presidente adotou uma política diferenciada do que ele e a OMS pregam, defendendo somente preservar idosos, abrir o comércio e as indústrias, quando a eficácia já comprovada é o isolamento total.

   8. Ainda é cedo para se falar na relação número de infectados e de mortos e eficácia das medidas adotadas pelos governadores e prefeitos. Vejamos, no entanto, o caso da Bahia, preliminarmente, com 91 infectados e nenhuma morto observando-se que, hoje, 25, contabiliza-se 7 dias em que a Prefeitura de Salvador decretou o fechamento de shoppings e a proibição de eventos com mais de 500 pessoas. 

   9. O secretário da Saúde do Estado, Flávio Vilas Boas, já comentou sem qualquer euforia, natual que assim fosse, que os números na Bahia estão aquém do que era esperado.
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  10. Hoje, os governadores do Nordeste emitiram a seguinte nota: 1 – O momento vivido pelo Brasil é gravíssimo. O Coronavírus é um adversário a ser vencido com muito trabalho, bom senso e equilibro;

   11. – Vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência seguindo orientação de profissionais de saúde, capacitados para lidar com a realidade atual;

   12 – Vamos manter as medidas preventivas gradualmente revistas de acordo com os registros
informados pelos órgãos oficiais de saúde de cada região; É um momento de guerra contra uma doença altamente contagiosa e com milhares de vítimas fatais. A decisão prioritária e a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia dos estados. É um momento de união, de se esquecer diferenças políticas e partidárias. Acirramentos só farão prejudicar a gestão da
crise;

   13 – Entendemos que cabe ao Governo Federal ação urgente voltada aos trabalhadores informais e autônomos. Agressões e brigas não salvarão o País. O Brasil precisa de responsabilidade e serenidade para encontrar soluções equilibradas;

   14. – Ao mesmo tempo, solicitamos a necessidade urgente de uma coordenação e cooperação nacional para proteger empregos e a sobrevivência dos mais pobres;

   15 - Ficamos frustrados com o posicionamento agressivo da Presidência da República, que deveria exercer o seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil.
Assinam esta carta:
Rui Costa
Governador da Bahia
Renan Filho
Governador de Alagoas
Camilo Santana
Governador do Ceará
Flávio Dino
Governador do
Maranhão
João Azevedo
Governador da Paraíba
Paulo Câmara
Governador de
Pernambuco
Wellington Dias
Governador do Piauí
Fátima Bezerra
Governadora do Rio
Grande do Norte
Belivaldo Chagas
Governador de Sergipe
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   16. O prefeito de Salvador, ACM Neto, o qual é presidente nacional do DEM afirmou que o discurso do presidente Jair Bolsonaro contra as medidas de restrições para conter o avanço da pandemia de covid-19 no Brasil foi duramente criticado pelo prefeito ACM Neto nesta quarta-feira (25). Neto disse ter ficado perplexo com o teor do pronunciamento feito em TV aberta na noite de terça (24).

   17. "Cconfesso que fiquei duplamente perplexo, de um lado, como prefeito, do outro como cidadão. Considero que as declarações do presidente são lamentáveis e inaceitaveis. Nós temos feito um esforço absurdo, prefeitos, governadores de todo o Brasil, para adotar medidas de restrição no fluxo de pessoas nas ruas. Eu tenho apelado ao cidadão para ficar em casa.

   18.  Nós sabemos o impacto que todas essas medidas têm na economia, quando você fecha um shopping, quando suspende as aulas, quando impõe restrições severas a restaurantes e bares. É claro que isso tudo tem impacto na cidade. Claro que isso pode significar emprego de muita gente, que isso vai impactar na arrecadação da prefeituras. 

   19. Nós teremos meses, talvez anos muito dificeis pela frente. No entanto, eu disse que, se todo esse sacrifício tiver significado salvar a vida de uma pessoa, já terá valido a pena, imagina salvar milhares de pessoas em nossa cidade, em nosso país", falou o prefeito em entrevista coletiva.
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   20. No resumo geral: a fala de Bolsonaro só fez desagregar e não cumpriu nenhuma finalidade, até porque, dos apelos que fez para a volta da normalidade ninguém deu ouvidos a isso.