ter?a-feira, 18 de dezembro de 2018
Colunistas / Crônicas de Copacabana
Nara Franco

CRÔNICAS DE COPACABANA: Márcia e Dr Bumbum, novas manias

Os doutores da estética do bumbum também estão em alta
27/07/2018 às 17:39
Muitos assuntos em alta nessa Copacabana. O primeiro deles: a batata está a R$ 1,48. Depois da greve do caminhoneiros, quando tivemos que lutar por  víveres em pleno século XXI, ter batatas a esse preço é motivo de festa nos supermercados. Porém, mesmo felizes, as senhorinhas de cá insistem em brigar na fila do supermercado por qualquer motivo. E brigar às 9h da manhã é coisa de profissional porque não se pode estar estressado tão cedo.

Mas elas estavam. Logo quando vim morar em Copacabana os idosos me irritavam. Hoje, eles me divertem e são minha maior fonte para esta coluna. Talvez por carência ou solidão, os velhinhos aqui adoram uma prosa. Basta uma pequena olhada e a conversa já vem. Para uma pessoa como eu que não gosta de conversar, as vezes é complicado engatar um papo. Meu dever jornalístico, contudo, fala mais alto e discuto política, religião, receitas. Sempre um aprendizado. 

A moda agora é falar mal do prefeito. Na verdade, isso nunca saiu de moda. O diferente agora é que todas as críticas se resumem a uma frase: "fala com a Márcia". Contextualizando: Márcia é ou era uma assessora de Crivella, que supostamente furava a fila de cirurgia de catarata na rede pública privilegiando pacientes pertencentes à Igreja Universal do Deus. Em reunião com líderes da Universal gravada pelo jornal O GLOBO, Crivella pedia que as pessoas "falassem com a Márcia" para adiantar a cirurgia. 

Pois bem... a partir daí surgiu uma nova gíria na cidade. Ninguém mais manda uma pessoa"falar com o Papa". Agora é .. "fala com a Márcia". A fila está demorando? Fala com a Márcia. O gás aumentou? Fala com a Márcia. Tá chovendo? Fala com a Márcia. Provavelmente, no Carnaval, haverá um grande número de "Márcias" nas ruas, debochando do prefeito. 

Mais famoso que Márcia, só Dr.Bumbum. Outro assunto comentado em cada canto de Copacabana. O jornaleiro em frente a minha casa, melhor repórter do do Rio de Janeiro, me disse que as "mulheres estão malucas com essa coisa de beleza", já me antecipando a prisão do médico que, de fato, seria preso horas depois. Tive que concordar. Precisou uma pessoa morrer para que pipocassem dezenas de denúncias contra Bumbum. Essa semana prenderam outra falsa médica ou médica picareta: Paty Bumbum. A vida não está fácil para a família Bumbum, podemos concluir. 

A beleza a qualquer preço é uma obsessão carioca. Não conheço outra cidade onde a beleza do corpo seja tão valorizada como aqui. Pode ser a praia, o calor, os antepassados indígenas. Fato é que ter corpo bonito no Rio de Janeiro é quase uma obrigação. As academias oferecem de um tudo para que você tenha a barriga negativa, a coxa esculpida, o braço sem balançar. Como se tudo isso definisse quem somos e o que fazemos. 

Em tempos de empoderamento feminino, gordofobia e que tais, ser magro ainda é o sonho de 10 entre cada 10 mulheres. Muitas morrem em busca do corpo perfeito, o que é uma pena. Não deveríamos valorizar algo tão efêmero como a beleza ao ponto de negligenciar a vida. Afinal, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, como diria Renato Russo. 

De minha parte, com minha barriga positiva, fico triste pelas mortes. Mas não consigo conter o riso com as piadas prontas que Dr.Bumbum proporcionou nos últimos dias. E deixo vocês com um clássico carioca, o jornal Meia Hora, dono das melhores capas da imprensa brasileira.