quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Colunistas / Crônicas
Jolivaldo Freitas

ABERTURA transmissão da TV BA, melhor música Carná

Nenhuma música dos artistas baianos emplacou no gosto popular em 2017, como aconteceu com Ziriguidum e outras
01/03/2017 às 21:47
   Não adiantou Ivete Sangalo cantar “O Doce”, nem Cláudia Leitte “Taquitá”, o Psirico “Mulheres no Poder”, que acho será eleita oficialmente a música do carnaval 2017 e muito menos Léo Santana ter ido aos circuitos com “Santinha”. 

   Para mim, a música da folia é marcha-frevo na melhor essência baiano-pernambucana que abre as transmissões da TV Bahia. Aquela que diz “50 anos de Tropicália e 70 de Moraes”. Música gostosa, dançante, letra adorável de simples; e a moça que canta com voz gostosa. Se o pessoal do Marketing tivesse o insight teria mandado Armandinho tocar, Durval Lelys arrebentar e Ivete sacramentar. Perderam a chance de fazer sucesso com um novo paradigma.

   Não seria a primeira vez que uma peça institucional faria sucesso. É lembrar que Duda Mendonça fez um jingle para um motel e depois Maria Bethânia cantou e virou um clássico. Quem sabe a Rede Bahia retempera a musiquinha? Mas, acho que “Mulheres no Poder” deve ganhar todos os troféus. As mulheres estão podendo e elas é que fizeram o Carnaval ser um cadinho, coisa do Diabo. Veja que as autoridades disseram que as mulheres foram responsáveis pelo maior número de atendimento de embriaguez nos postos de saúde.

   Teve tanta mulher saindo na porrada. O que mais se tratou em cima dos trios, na imprensa e nas ruas foi o emponderamento das mulheres, mesmo que elas brigassem entre si como as feministas e a cantora Márcia Castro que chegou a ser ameaçada e tirada do Projeto Respeite as Mina”. Eu achei que tinha mais mulher que homem nos circuitos. Como os homens estavam vestidos de mulher posso ter confundido.

   Falar nisso, o pessoal das Muquiranas – me disseram que é pura polícia que compõe o bloco – está tomando gosto. A roupa de centurião que todos vestiram este ano não tinha saiote. Tinha mesmo saia. E olha que era plissada. E olha que de tão curta aparecia as calci... perdão, a cuequinha dos marmanjos. E alguns ainda faziam que nem colegial de antigamente, que ao sair da escola dava uma puxada para cima para a farda virar minissaia. Vi um cara que era mais “bonita” que prima Carlota. Ela não gostou da comparação.

   Ressuscitando

   Ninguém pode se queixar desta vez. O carnaval do circuito tradicional, no centro da cidade bombou. Bastou levar para lá maior número de atrações que nem a chuva que caiu na madrugada de terça-feira espantou o folião. Interessante como a zona central, por ter mais saídas e transversais que a Barra/Ondina, concentra o maior número de trombadinhas. E parece que era combinado quando grupos de ladrões se concentravam na esquina do Politeama. De vez em quando a polícia passava e levava de rodo.

   Política

   Mas, teve horas que o carnaval, tanto na Barra com os trios e bandas e no centro com trios, bandas e grupos afros deu sono. Achei que foi um carnaval mais de oba,oba do que de novidades. Não vi revolução estética, nem musical. Nem comportamental, sequer em Durval Lelys que sempre vem com coisa nova, muito menos com Ivete, Vingadora, Kannário. 

  Gil já não tem mais saco para nada e Caetano perdeu o pique. Gal sempre some. Bell Marques se repete e somente ACM Neto e Rui Costa deram um tom mais apimentado. Aliás, este ano o governo estadual se superou em termos de marketing, de comunicação e de campanhas e ações, principalmente na área da Saúde.

   Mudança

   Mas, bom mesmo foi ver que a Mudança do Garcia é coisa de doido. Um espaço democrático que perdeu o jegue, que era seu símbolo, mas ganhou de novo em termos político. Dois cartazes para mim foram impagáveis um dia “Fora Temer. Fora Dilma. Fora Aécio. Fora Moro. Fora mulher. Fora meu filho. Fora Trump. Bora Bahia”. O outro cartaz foi bem escroto: “Tá com saudade do jegue? Ele tá com sua irmã”. 

  Armas & Drogas

   Chato foi ver que a PM caprichou nos portais, mas que o pessoal vestido de amarelo, da restrição comercial, permitia que vendedores ambulantes entrassem sem revista. Bom -para passar armas e drogas.

   Sucom

   Rapaz, a Sucom deu um banho na Graça, Barra e Vitória, como nunca fez. Impediu a passagem de som dos trios. Fez respeitar as Zonas de Silêncio – se bem que tem sempre um corno percussionista que insiste em desobedecer. Meu vizinho do prédio ao lado vai mandar um bolo confeitado para o superintendente, em nome dos moradores. Já os motobois botaram pra...Carnaval é assim.