quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Esporte

DOIS MONSTROS SAGRADOS DO FUTEBOL DE SERRINHA, por VALDOMIRO SILVA

Valdomiro Silva Jornalista e comentarista esportivo
Valdomiro Silva , Feira de Santana | 10/07/2021 às 07:53
Niva
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    Diz o dicionário que a "magia" não tem uma explicação natural. É "sobrenatural", produz "efeitos extraordinários". Também "fascinante", "encantador". trazendo estes conceitos para o futebol, alguns raros jogadores são chamados de mágicos, exatamente, por serem capazes de causar essas sensações a quem lhes assiste.

E o craque, o que significa? No "brasileirismo", atesta a Oxford Languages, assim é considerado o indivíduo "muito capaz no que faz". No futebol, a definição é também muito objetiva. Se trata de "jogador(a) excelente que se distingue dos demais por sua habilidade e talento".

Isto posto, faria uma pergunta, aos caros leitores. Neste esporte sensacional, disputado em uma área cercada por quatro linhas não imaginárias, mas demarcadas a cal, quem é personagem maior, o craque ou o mágico?

O mistério não parece difícil de desvendar, quando analisamos a própria definição preconizada nos dicionários da vida. Afinal, o "fascinante", "encantador" e até "sobrenatural" é, presumivelmente,  superior a quem é "muito capaz no que faz".

Mas, permitam-me, vou reformular a resposta. Maior que o craque, ou que o mágico, é aquele de quem se diz, ao mesmo tempo, mágico e craque.

E após essa introdução meramente contextual, faço aqui uma breve comparação envolvendo dois monstros sagrados do futebol da nossa terra, a querida Serrinha.

Robério Menezes, o lendário camisa 10 da Seleção, e Niva, outro "mito" daquele time, que vestia a 11, foram os maiores de todos os tempos na cidade, creio não haver nenhuma dúvida sobre isto.

Um é craque. O outro é craque, mas também mágico. Creio não haver nenhuma necessidade de identificar quem é quem.

Robério vai bater uma falta: a torcida fica de pé nas arquibancadas, pronta para gritar gol! Fique atento, para não perder o fio da meada. Eu disse "ele vai bater uma falta".

Niva recebe a bola, em qualquer lugar do campo. Não precisa ser no ataque, nem na cara do gol. Às vezes ele está na defesa, ajudando a marcação. O povo se levanta do mesmo jeito.

Imaginando o que ele fará de incrível naquele momento se apronta para pular, gritar, colocar a mão na cabeça e dizer "puta que pariu, é inacreditável".

O nosso genial camisa 11 tem as pernas meio tortas, para o desespero do seu marcador, como atesta Agamenon Sales, o "H", profundo conhecedor do futebol serrinhense.

Canhoto, é também chamado de "Aranha" por uma justa razão: sempre deixa atordoado o adversário, que imagina estar diante de um "ser" de oito pernas, sendo impossível adivinhar com qual delas vai driblar.

Como se não bastasse, ao colocar o pé sobre a bola, encarando um ou dois, os olhos vesgos do  "Zarolho", lembram a personagem Kaa, da história do Mogli (evangélico, ele pode não gostar da comparação, por isso peço que me perdoe).

Totalmente "hipnotizado", o rival não consegue sair do lugar. E quando decide dar o bote, cai desengonçado na grama ao primeiro toque na bola daquele mágico do bem, que parte feito raio para a linha de fundo, de onde vai sair mais uma perfeita assistência.

O Brasil teve alguns extraordinários dribladores, e não apenas dribladores, também craques e mágicos. Lembro-me de Júlio César, o "Uri Gueller", do Flamengo dos anos 80. Vejo vídeos de Garrincha, a "Alegria do Povo", no Botafogo e na Seleção Brasileira.

É uma pena não estar documentado em vídeo o que fez Niva, no futebol amador da Bahia. Ele esteve próximo, muito próximo, da genialidade desses fabulosos jogadores. Quem o viu jogar, sabe que não estou exagerando.

A você, inesquecível mágico da bola, nossos parabéns pelo aniversário. Somos, todos os serrinhenses apreciadores do seu talento, eternamente gratos pelos risos e emoções que proporcionou, quase sem nada em troca, apenas para nos ver felizes. Vida longa e muita saúde, é o que lhe desejamos.