sexta-feira, 10 de julho de 2020
Esporte

NESSE APERTA E AFROUXA A BOLA PEDE SENSATEZ, POR ZÉDEJESUSBARRÊTO

No Rio e na Europa a bola já está rolando nos gramados. E na Bahia?
ZédeJesusBarrêto , Salvador | 21/06/2020 às 20:42
Jorge Maia
Foto:

   Desde que se começou a contabilizar os casos de vítimas da pandemia Covid 19 no país, já teríamos ultrapassado um milhão de contaminados. Mais grave, mais 50 mil mortes. Dados oficiais. Claro, são números...  questionáveis, para mais ou para menos, dependendo do interesse do freguês. 

  Mas, embora frios, são números assombrosos e que continuam crescentes, a despeito das máscaras, luvas, dos sabonetes, dos tonéis de álcool em gel, das quarentenas, noventenas, do fecha e abre do comércio, do trava e escangalha das ruas, dos hospitais de campanha, dos respiradores, dos desvios, roubalheiras, dos medicamentos de esquerda e direita, dos picaretas, dos políticos e politiqueiros, dos profissionais dedicados e dos salafrários gananciosos ...  Eita Brasil ! 

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  Nessa pandemia de medo e tristeza, de assombros e tristeza pelas perdas que a todos fragilizam, o espetáculo da bola, o futebol, esporte das multidões está de volta. Sim senhor, ainda que com os estádios e suas arquibancadas vazias. Tem sentido? 

Talvez sim, para os gananciosos, os que faturam com transmissões e patrocínios, audiências, explorando e expondo os atletas, os artistas do espetáculo, os profissionais da bola. 
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  Um Rio de canganchas 

  Assim é que, por exemplo, tivemos na quinta-feira, no Rio de Janeiro, um dos estados mais afetados pela pandemia e com números exorbitantes de casos de morte (ao lado de São Paulo), o jogo Flamengo 3 x 0 Bangu, pela Copa Rio, o segundo turno do Cariocão. Jogo de um time só, esse Bangu é arrumadinho de várzea. 
  Enquanto a bola rolava no gramado da Arena Maracanã, duas pessoas morriam no hospital de campanha armado nas instalações do mesmo Maracanã para o tratamento de pacientes do Covid , já em estado grave.  Sintomático, nem precisa adjetivos. 

 Pior, o confronto, em campo, aconteceu sem obediência aos requisitos e protocolos recomendados pelas agências e autoridades internacionais e nacionais de saúde. Os atletas mais conscientes, sabedores de que estavam pondo sua saúde em jogo, reclamaram; alguns até diante das câmaras e microfones. Protestaram. Querem segurança e respeito. 

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  Dai, Fluminense, Botafogo, Vasco, Macaé ...  suspenderam a rodadas prevista para esse fim de semana.  Judicializaram (está na moda) a competição e seu seguimento nessas precárias condições.   
  E os campeonatos paulista, mineiro, gaúcho ...  serão mesmo retomados no dia 1 de julho? 
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   Covidão no baianão ? 

  E o nosso baianão? Muito tititi de bastidor mas ninguém veio a público dizer se e quando será recomeçado.  Vejamos:
 - Essa semana, no site do Rubro-negro, escapou uma notícia de que o Leão voltaria a campo no dia 14 de julho, disputando jogo contra o Botafogo da Paraíba, pelo Nordestão.  Ninguém mais confirmou ou desmentiu. 
 - O elenco profissional do Bahia retomou os treinamentos no CT Evaristo de Macêdo, em Dias d’Ávila, em grupos e turnos alternados.
 - O pessoal do Vitória realizou exames, testes e também está voltando aos poucos aos treinamentos com bola no Barradão. 
- O clube anda às voltas com problemas financeiros, dificuldades para saldar contas vencidas e salários de atletas e funcionários; um plantel mais que enxuto, dívidas com a Justiça Trabalhista e acerto de contas com ex-atletas...
 - E, no correr da semana, perdeu o experimentado e esperto treinador Geninho. Fará muita falta nesse retorno, era um ótimo motivador de grupo. No lugar, assumiu o auxiliar Bruno Pivetti. 

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  Nas Oropa, outro babado

 No âmbito internacional, o Bayern Munique sagrou-se por antecipação Octa-Campeão da Alemanha. O time voltou voando, jogando um futebol ofensivo, vistoso, coletivo, competitivo, intenso, em alta velocidade.  É o trigésimo título alemão do Bayern, uma máquina.      

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 Na Espanha, o Real Madrid, com os mesmos pontos do Barcelona, lidera. A equipe de Zidane parece mais encorpada e com peças de reposição do mesmo nível dos 11 titulares. Muito difícil de ser batida.  O Barcelona, sem aquele brilho coletivo e troca de passes dos tempos de Guardiola, de Xavi e Iniesta, depende muito da inspiração individual do gênio Messi, às vezes bem e duramente marcado. 

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 Na Itália, a Juve sobra e na Inglaterra o Liverpool já garantiu a taça. 

 Toda a grande expectativa agora é pela retomada do retão final da Champions, a Liga dos Campeões da Europa, o filé do futebol mundial. 
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  Pesares
  Uma semana de muito pesar nas hostes Tricolores:

- A morte do conselheiro Jorge Maia, sócio e torcedor participante da vida do clube. Foi dele a Ação Judicial que permitiu, no início dessa década que se finda, a intervenção jurídica na administração do Clube, que resultou na chamada Democratização do Bahia, uma nova e triunfante era na história tricolor. Deixou sua marca. 

 - Outra perda significativa foi a do jornalista João Carlos Teixeira Gomes, também sócio e torcedor apaixonado do Bahia desde o nascimento; era filho de Teixeira Gomes, o primeiro goleiro da história do time, em 1931, campeão. Joca nasceu Bahia.  Jornalista, poeta, escritor, professor, membro da Academia de Letras da Bahia, integrante da famosa Geração Mapa, Joca, o “Pena de Aço”. A pedido dele, sobre o caixão, uma bandeira do Tricolor amado.

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