quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Economia

Edição 2020 do Terra Madre Brasil acontece em formato online

Programação do evento conta com a participação de agricultores familiares e camponeses, educadores, pesquisadores e defensores do acesso a alimentos bons, limpos e justos para todos
Sara Almeida Campos , Salvador | 08/10/2020 às 14:43
Terra Madre Brasil
Foto: Divulgação

A pluralidade da agricultura familiar e camponesa e as nuances da biodiversidade e da cultura alimentar brasileira integram o formato online da 3ª edição do Terra Madre Brasil (TMB), que acontece entre os dias 17 e 22 de novembro de 2020. O evento conta com a correalização do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural/Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (SDR/CAR). A extensa e diversa programação integra o evento internacional Terra Madre - Salone del Gusto 2020, que tem seu lançamento entre os dias 8 e 12 de outubro e segue por seis meses até abril de 2021, período em que acontece o Congresso Internacional do Slow Food.

 

Agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, queijeiros, meliponicultores, quilombolas, indígenas, povos e comunidades tradicionais, ativistas, jornalistas e cozinheiros que compõem o diverso mosaico da rede Slow Food encontram-se virtualmente no Terra Madre Brasil 2020. 

“Optamos por manter o evento este ano mudando o formato, pois o encontro Terra Madre Brasil não acontece há dez anos. Antes da pandemia, a rede Slow Food Brasil e as  organizações parceiras do evento já estavam mobilizadas aguardando esta oportunidade de debate e troca, divulgação de projetos e fortalecimento de alianças. Desta forma o movimento Slow Food no Brasil pode seguir com força e novo fôlego em 2021”, avalia Valentina Bianco, coordenadora de parcerias institucionais da Associação Slow Food do Brasil. 

Apesar da lacuna de atividades presenciais, a organização do evento enxerga oportunidades neste novo formato. “Inúmeros pontos que devem ser colocados como vantajosos nesse processo, como a ampliação do alcance do evento, a possibilidade da sua extensão, a redução dos custos para sua realização e também a ideia de já nascer em um ambiente onde as escolhas e o consumo são feitos de forma consciente diante desta nova realidade. O Terra Madre Brasil 2020 deve se aproveitar desses pontos como verdadeiros ativos”, destaca Guilherme Cerqueira Martins e Souza, coordenador de Inteligência de Mercado do Projeto Bahia Produtiva, realizado pela CAR.    

Muitas comunidades rurais participantes têm restrições de acesso à internet. Sabendo deste cenário, a organização do evento realiza um levantamento do acesso à internet nas comunidades rurais inscritas e pretende oferecer a possibilidade de apoio com dados móveis. Em casos de participação em espaços de fala, o Slow Food Brasil oferece apoio estrutural para facilitar a transmissão e conexão de núcleos familiares rurais. 

Integrante da rede Slow Food, o produtor baiano de queijos de cabra e presidente da central de cooperativas Central da Caatinga, Adilson Ribeiro, considera o evento como um importante capítulo para a agricultura familiar brasileira. “É um momento importante para a Bahia e para o Brasil. Vai ser um espaço muito rico de troca de experiências, saberes e oportunidades de entendimento. Fazer parte dessa rede nos traz um enriquecimento grande não só no conhecimento, mas também no desenvolvimento das culturas regionais que se perderam ao longo do tempo. O movimento Slow Food valoriza a história de saberes e sabores que podem ser resgatados pelas comunidades rurais”. 

 

Programação 

Para esta edição do evento foram inseridos três eixos que norteiam toda a programação: Cultura Alimentar e Biodiversidade, Educação Alimentar, Segurança Alimentar e Nutricional e Alimentação Escolar e Incidência Política e Mobilização da Sociedade Civil. O Terra Madre Brasil coincide no dia 20 de novembro com o Dia da Consciência Negra, e terá uma  programação dedicada às questões raciais e à comida de terreiro. 

Entre as atividades estão rodas de conversa com integrantes da rede Slow Food Brasil de comunidades rurais e urbanas e de organizações parcerias para debates e fortalecimento de iniciativas conjuntas no âmbito dos três eixos destacados acima. 

O espaço educativo será composto pelos laboratórios para crianças e oficinas do gosto envolvendo cozinheiras e cozinheiros da rede Slow Food que atuam na valorização dos biomas brasileiros e representantes de comunidades rurais engajadas na salvaguarda de alimentos que integram a Arca do Gosto: catálogo internacional de alimentos de origem vegetal, animal e produtos beneficiados que são fruto de técnicas e conhecimentos tradicionais e compõem a sociobiodiversidade brasileira. 

O Terra Madre Brasil conta também com uma rica programação artístico-cultural: projeções de filmes e documentários seguidos de bate-papos, apresentações culturais, mapa interativo dedicado às Comunidades Slow Food, à Agricultura Familiar e às Indicações Geográficas e uma instalação que busca reproduzir o universo da mandioca e da produção de farinhas. A atração tem como recorte a região Norte, centro de origem da mandioca; o Nordeste, com as casas de farinha e o Sul, com a presença dos engenhos. Nesse espaço serão valorizados os aspectos patrimoniais, de segurança alimentar e nutricional e da cultura alimentar que permeiam os territórios onde as farinhas são produzidas a partir de técnicas e saberes tradicionais.

O encerramento acontece no fim de semana com dois grandes Diálogos do Terra Madre, que se propõem como espaços de problematização, reflexão coletiva e inspiração sobre o sistema alimentar e seus impactos no que tange a cultura alimentar, a justiça social e o equilíbrio ecológico. 

Sobre o Slow Food Brasil

O Slow Food surge protestando contra a primeira loja do McDonald’s na Itália, em 1986, em contraposição política, simbólica e filosófica ao fast-food e o que esse modelo alimentar representa: a padronização massiva da alimentação de má qualidade, o modelo agrícola químico-dependente de produção em larga escala e as condições injustas de trabalho. 


Os ativistas e defensores da filosofia Slow Food integram os núcleos de ação local denominados Comunidades Slow Food, que reúnem pessoas de várias esferas e com diversos interesses sobre o alimento. Esses grupos tecem uma rede alimentar com potencial para pensar e construir alternativas ao sistema alimentar vigente a níveis local, regional e global. 

No Brasil, o movimento chegou pelo Rio de Janeiro no ano 2000, e realizou suas primeiras duas edições do Terra Madre respectivamente em 2007 e 2010, ambos em Brasília. Desde 2013 a rede Slow Food Brasil conta com o apoio institucional da Associação Slow Food do Brasil, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público que atua como guardiã dos programas, da filosofia e da marca do Slow Food no Brasil. 


Sobre a CAR 


Com a missão de promover o desenvolvimento regional por meio da inclusão socioprodutiva, o Governo da Bahia, através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR,  vem se empenhando fortemente no combate à pobreza em comunidades rurais, priorizando o fortalecimento da agricultura familiar, economia solidária, comercialização, territorialização, segurança hídrica, convivência com a seca, e o gerenciamento sustentável do meio ambiente.

A CAR tem apostado nas potencialidades regionais, incentivado associações e cooperativas que investem em atividades e produtos capazes de gerar efetivamente emprego e renda, e estimula o desenvolvimento de diversas cadeias produtivas, tais como a apicultura, caprinocultura, fruticultura, ovinocaprinocultura, a produção de chocolate e o beneficiamento de leite.

SERVIÇO

Terra Madre Brasil 2020 - Edição Online
De 17 a 22 de novembro de 2020
Confira detalhes da programação no site https://terramadrebrasil.org.br/ 

O Terra Madre Brasil faz parte da programação internacional do Terra Madre  - Salone del Gusto 2020
De 8 a 12 de outubro de 2020 a abril de 2021 

Confira detalhes da programação no site https://terramadresalonedelgusto.com/

Participação gratuita