quarta-feira, 20 de novembro de 2019
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

LOMBO COM FEIJÃO NA PANELA DE BARRO PARA DOM FRANQUITO NO MINI-CACIQUE

Um local de comida caseira e que tem muita história
06/11/2019 às 10:16
  Quando a Ojuobá editou o meu livro "DOM FRANQUITO - 105 RESTAURANTES AO REDOR DO MUNDO", em 2013, a crônica de abertura intitulava-se "Paelha Galega à Moda Casalis no Restaurante Mini-Cacique" escrita para o www.BahiaJá, em 24 de agosto de 2008.

   Falava de um dos principais pratos deste local comandado pelo casal de galegos Luis e Calina, ainda hoje, ambos, já passando dos 80 anos de idade, no batente e com o mesmo entusiamo de anos passados. Estão há 50 anos nessa folia atendendo aos clientes, novos e velhos como yo, que transitam ou trabalham no centro histórico de Salvador.

   Calina está com 83 anos e disse-me no inicio desta semana quando estive por lá para saborear um lombo com feijão de panela de barro que, infelizmente, Luis não pode vir ao trabalho na segunda, devido uns probleminhas de saúde, mas, ela faria às honras da casa que frequento há mais de trintanos. 

  Demoro muito de ir ao casarão situado no meio da Rua Ruy Barbosa, ao lado do antigo filé do Jaime que frequentávamos nas noites boêmias dos anos 1960, época do Jornal da Bahia, desta feita, mais de 5 anos, ainda que ande pela Sé e Pelourinho com alguma frequência.

   O importante é que, quando retorno ao Mini-Cacique o carinho dos donos da casa é o mesmo. Calina, nos dias atuais, diz que o tempo é o senhor da razão e quando eles (o casal) tinham dinheiro para comprar o casarão onde se situa o restaurante, a dona não queria vender. "Hoje, ela quer vender mas não temos mais o dinheiro e nossa idade já está bem avançada", lamenta.

   Ainda assim é muito apegada ao casarão, aos seus quadros nas paredes, os caqueiros na varandinha do fundo, os santos, os clientes, os móveis antigos, tudo como se fosse a sua própria casa. E, o amor à cozinha, ela própria ajudando na confecção dos pratos, no cozido, no lombo, no arrumadinho, nas paelhas, nos peixes e camarões.

   - Vou saborer o que? - perguntei-lhe dando boa tarde.

   - O arrumadinho já acabou. Vou lhe servir um lombo.

   No Mini-Cacique os pratos são populares: panelinha de barro com o feijão, arroz, salada e lombo com bastante caldo, bem passado, ao meu gosto.

   Nada sofisticado, trivial, à moda da casa. 

   O Mini-Cacique tem tradição e é bastante frequentado pelos vereadores da capital. Um dos anexos da Câmara fica ao seu lado. O pessoal da Prefeitura também está sempre por lá, os servidores do gabinete do prefeito e das secretarias próximas. A Sefaz fica a apenas uma quadra de distância, junto ao Moncab, o Museu Afro, dirigido pelo poeta Capinam.

   Até por sua história vale a pena conhecer. A comida é caseira. Nas quintas-feiras serve um disputadissimo cozido. A depender do dia saboreia-se arroz com polvo de moqueca ou ensopado de lingua. O arrumadinho é imbatível.
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Restaurante Mini-Cacique
Rua Ruy Barbosa, 29
Centro de Salvador
(Ponto de referência - Igreja de NS D'Ajuda)
Fone 71. 3243-2419
Para o cozido faça reserva
Abre todos os dias exceto domingo
Só funciona para almoço
Ambiente arejado sem climatização
Não há manobrista
Vá de táxi se não estiver no centro
Aceita cartões
Lombo com feijão e arroz R$34,00
Coca-Cola lata R$5,00
Não cobra 10% - gorjeta livre