segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO abraça um parpadelle mare mont no La Celestrina do Beiru

Restaurante de comida italiana comandada pelo chef Osmar Santos
11/09/2015 às 18:43
Os moradores da pacata Rua São Paulo, no Beiru, nunca viram tantos carros de marcas asiáticas e francesas estacionados nessa área, senhores e madames da classe média alta circulando no Arvoredo, graças a atração que se tornou a casa de comida italiana comandada pelo chef Osmar Santos, ex-Mistura, Bella Napoli e La Figa, que tem o sugestivo nome de La Celestrina.

   A primeira vista quando se fala num restaurante com este nome, "você já foi no La Celestrina", imagina-se algo num bairro napolitano. As pessoas ficam sem entender e querendo saber em que cidade italiana se situa. 

   Explica-se, então, que o La Celestrina - nome que foi inspirado por Osmar em sua vovó de Antonio Cardoso, município da região de Feira de Santana - fica localizado numa das ruas do Condomînio Arvoredo, no Beiru, hoje Tancredo Neves.

   Aí vem as perguntas seguintes: "E onde fica o Beiru?". 
   
   - Você sabe onde é a sede Uneb depois do Hospital Geral, no Cabula?. 

   Dobre a direita no muro da Uneb, pegue a Estrada das Barreiras como quem vai para a Mata Escura, evite a Penitenciária Lemos Brito, e lá adiante, à esquerda, existe o Condomínio Arvoredo, um local da classe média C, emergente. 

   Pronto: no Arvoredo, siga pela pista principal, à direita, lá adiante tem um colégio, uma ladeira e na segunda à direita está a Rua São Paulo. No meio da rua, o La Celestrina.

   É uma viagem. Um turista não acertaria. Só com um guia. Os baianos também se enrolam para chegar lá. Mas, tem o telefone 71.3306-8325 que Val, el braço direito de Osmar, ensina a trilha.

   Surpresa! Com essa aparente dificuldade, a casa está sempre cheia. Nos finais de semana não vá sem fazer reserva.

   Por que então esse mistério de um italiano num bairro distante de Salvador para os moradores da classe média alta faz tanto sucesso? 

   A resposta é simples: a excelente comida e os preços baixos se comparados com os praticados em outras casas do gênero na capital.

   A explicação complementar: o La Celestrina é administrado pela familia de Osmar, sua esposa comanda o salão onde era a garagem de sua casa-prédio com garçons jovens seus parentes, Val controla o balcão e Osmar a cozinha. 

   O local não tem ar condicionado, a decoração é nenhuma, as mesas são forradas com aqueles toalhas de quadros típicos das cantinas italianas, daí que os custos de Osmar são menores do que um Mistura, por exemplo.

   Agora, a comida é de ótima qualidade e se os apreciadores da boa mesa viajam para a Itália, para a França, imagina se não vão ao Beiru!

   Quando chegamos por lá yo e la señora Bião de Jesus nos deparamos logo com o ex-consul da França, Jaques Salat e familia numa das mesas, salvo engano, atracados com um fettucine com frutos do mar. Noutra mesa, Mário, el salvador de ACM Neto, com três amigos 'brigando' com risotos e espaguetes; noutra, advogadas com Tuca el galã da Serra.

   Haviamos reservado nossa mesa para chegarmos às 14h, no sábado. E fomos atendidos por Magno, um jovem garçom que afiançou a leveza que estavam a Eisenbahn pilsen e a Heineken, geladissimas. 

   Então, iniciamos nossa jornada com esses sabores em bebidas e um surpreendente carpaccio de polvo. Há muito tempo que não me deliciava com um carpaccio tão bem temperado. As lâminas do polvo cortadas finíssimas e servidas com alcaparras, pouco sal, azeite de oliva,parmesão ralado e um molho secreto, que com aquele pãozinho torrado, caseiro, benza-te dios.

   Essa é uma entrada delicada, delgada, para ser saboreada com vagar, cada garfada exigindo uma pausa para comentários, o tradicional 'hum, que delicia'.

   Enquanto traçavamos o salame solicitamos a Magno de principal um parpadelle mare mont - massa fresca, camarão, fushi seco importado, molho de tomate e creme de leite; e para la señora Bião de Jesus uma lagosta grelhada - lagosta grelhada com risoto de limão siciliano e parmesão.

   Jaques Salat nos contava que passara quase uma hora saindo do bairro da Graça para encontrar o La Celestrina, mas, estava entusiasmado com a comida. Mário se debulhava em elogios e Tuca exigia mais carpaccios.

   Pronto. Chegaram a nossa mesa, uma das 20 no acanhado espaço da ex-garagem de Osmar, o parpadelle e a lagosta. 
 Pausa para iniciar os trabalhos complementares finais. Ambos, no ponto, deliciosos. Os camarões do parpadelle de uma textura afinadissima de um spala violino. A lagosta formosa, perfeita.

   Assim é o La Celestrina. Excelente comida e preços sem sal.
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La Celestrina Ristorante
Rua São Paulo, 74
Condomínio Arvoredo, Beiru (Tancredo Neves)  
Salvador, Bahia
Fone 71. 3307-8325
De terças a sextas das 18h às 23h
Sábados e domingos das 12h às 23 h
Eisenbahn e Heineken long neck R$5,00
Carpaccio de Polvo R$19,90
Parpadelle Mare Mont R$22,90
Lagosta Grelhada R$49,90
Aceita cartões
Estacionamento ao longo da rua
Não tem ar condicionado
​Classificação 3 DONS