quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO encara o mondongo chuquisaqueño, um típico boliviano

El Solar é um restaurante que serve comida ancestral indigena da Bolivia centro-Sul
29/05/2015 às 20:17
 Sucre é a capital constitucional da Bolivia. A cidade fica na região Centro-Sul do país e tem menos de 500 mil habitantes. A curiosidade deste sitio histórico é que, na Bolivia os Poderes Executivo e Legislativo se situam na capital - Nossa Senhora de La Paz - no Palacio Quemado onde despacha o presidente Evo Morales, e no Palacio Legislativo - sede do Congresso Nacional. 

   Em Sucre se situa o Palacio do Poder Judiciário e a cidade é sede de um arcebispado e Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

   Sem dúvida, Sucre - se parece um pouco com Cusco, no Peru - é a cidade mais bonita e agradável da Bolívia. Situada a 2.810 metros de altitude tem uma história belissima. Foi fundada em 1538 quando Salvador ainda não existia e apenas havia a Capitania Hereditária e a pequena Vila Velha do Pereira.  É a capital do Departamento (correspondente a Estado) de Chuquisaca, além de ser também a 5.ª cidade mais populosa do país.  

   Ao longo de sua história foi denominada "Charcas", "La Plata" e "Chuquisaca". Recebeu a alcunha de "Cidade dos Quatro Nomes". Hoje, é também conhecida como "Ciudad Blanca" - pois seus prédios e monumentos são pintados de branco.

   “Charcas” era o nome do povo nativo da região quando os europeus chegaram. “La Plata”, devido a quantidade de prata encontrada em suas terras. Após a independência boliviana, a cidade passou a se chamar Chuquisaca, mesmo nome do estado (versão mal pronunciada de “Choquechaca”, como os povos indígenas da região eram chamados). Depois da Grande Batalha de Ayacucho, em 9 de dezembro de 1824, a capital passou a se chamar Sucre em homenagem ao marechal Antonio José de Sucre, militar próximo de Simón Bolivar, e peça chave na batalha que libertou o Peru dos espanhóis.

   O centro histórico de Sucre recebe milhares de turistas ao ano de várias partes do mundo. O clima agradável e frio (é uma das cidades mais altas da América do Sul) faz com que as pessoas se sintam num país europeu. É um dos centros históricos melhores conservados da America Latina e mantém intacto o estilo colonial espanhol com suas casas com balcões, ruas calçadas de pedras e museus e igrejas monumentais.

   Uma visita: O Museu Casa de La Libertad, o primeiro monumento histórico do país possui um acervo riquíssimo sobre diversas etapas da história boliviana. No seu interior assinou-se a independência do país. As peças da mostra estão muito bem preservadas e a visitação ainda inclui um guia que explica cada período minuciosamente. 

   Há uma movimentação intensa no centro histórico da cidade - diferente do Pelourinho decadente - com bancos, museus, restaurantes, hotéis, casas comerciais, pequenos centros comerciais, mercado municipal, mercado de artesanato, o que dá vida ao local.

   Depois de uma caminhada pelas ruas da localidade yo e La señora Bião de Jesus fomos conhecer o Restaurante El Solar, una casa com 35 anos de experiência em cozinha típica da Bolivia.

   Atenciosamente recepcionados pelo jovem garçom Luis, mui educado, mostrou-nos a casa bem decorada com mesas estilo baú, quadros e pinturas nas paredes, e sugeriu-nos dois platos bem típicos locais: el Mondongo Chuquisaqueño (dos povos indigenas Choquechaca) - costela de de cerdo frita com salsa de aji colorado acompañado de mole blanco ; e um Fricasé - cerdo em caldo picante servido com papas, chuño e mole blanco.

   La señora Bião olhou-me com cara de poucos amigos, desconfiada. Pero, topou a parada e solicitou ao nobre Luis una botella de vino Campos de Solana clássico.

   Luis sinalizou que o buffet de saladas da casa era livre e podiamos saborear uma entrada à vontade com queso e verdes.

   O vino estava na medida. Sucre é o local ideal para tintos. A temperatura da cidade recomenda-os com prazer.

   Fiz um prato coletivo para beliscos. E ficamos a verificar as mesas no estilo baús antigos, muito bonitas, la señora Bião dizendo que, algum dia na vida ainda teria uma dessas em casa.

   Pilheriei: - En na otra encarnación.

   - Que ácido usted! - rebateu.

   Quando Luis trouxe os dois pratos principais quase recorremos à tropa do general Sucre para ajudar-nos. Era comida demais.

   Dei-me excelente con el mondongo. Ya la señora Bião refugou o Fricasé. 

   - Socorro - disse-me - tem pimenta demais. - Vou morrer. Passe-me a água, urgente.
 Luis foi chamado às pressas e teve a gentileza de trocar el plato da brasis.

   Ofereceu-lhe algo mais ameno, un pollo a milanesa.

    A comida boliviana - herança cultura dos povos indígenas - é bastante apimentada.

   Portanto, todo cuidado é pouco pra quem visita a Bolívia 

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El Solar
Cale San Nicolas Ortiz, 66
Mobil 77111044
Fone  4 64 38132
Sucre - Bolivia
Recomenda-se fazer reserva nos finais de semana
Mondongo Chuqisaqueño - 50 bolivianos (R$25,00)
Fricasé  - 50 bolivianos (R$25,00)
Vino Campos de Solano Clássico 60 bolivianos (R$30,00)
Classificação 3 DONS