quinta-feira, 04 de junho de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO se diverte com os camarões na moranga do ANTIGAMENTE

Restaurante fica localizado numa das ruas mais charmosas do Rio e com muita história da cidade e sua gente
27/06/2014 às 10:48
O centro do Rio de Janeiro tem muita história. Desde que Salvador perdeu a condição de capital da Colônia, em 1763, e a sede do governo passou a ser localizada nesta cidade, então um centro mais dinâmico da América Portuguesa, em parte graças ao ouro da Gerais e o café paulistano que necessitavam ser exportados, o Rio deu um salto como centro econômico, político e cultural do país.

   Essa situação ficou ainda mais confortável quando a familia real portuguesa foi expulsa de Lisboa pelos franceses de Bonaparte, em 1808, e se instalou no Rio. Bem que Saldanha da Gama, governador da Bahia, fez de tudo para que o futuro rei ficasse na cidade do Salvador, onde aportou em primeira parada ao chegar ao Brasil escoltado por naus inglesas, mas, estava decidido que o Rio seria sua morada.

   Daí que o Rio deu um pulo sobretudo depois de fevereiro de 1818 quando Dom João VI é aclamado rei com a morte de sua mãe. O Rio passou a ser a capital do Império português, pelo menos até 1821 quando os franceses são expulsos de Portugal e Dom João VI retorna à Lisboa. Nesse período (1808/1821) o Rio se tornou o lugar mais badalado da América Portuguesa.

   E um dos locais mais frequentados pelos portugueses e brasis desde os séculos XVII e XVIII era a Rua da Quitanda, de mercadores de toda natureza, da compra e venda de escravos a livros. 

   Em  1746 essa via é efetivada como Rua do Ouvidor, pois, neste local morava Francisco Berquó da Silva Pereira, o ouvidor-mor da Corte. Era o Procon da época. 

   Todas as pessoas que tinham queixas de algum comerciante, da prestação de serviços, dos negócios de exportação, batiam na porta da residência do ouvidor. Como ele tinha fé pública lavrava autos de infração àqueles que estavam infringindo as leis. 

   Ainda hoje, muitos municípios e estados têm, independente dos órgãos de fiscalização e juizados de defesa dos consumidores, possuem ouvidorias.

   Essa Rua da Quitanda, do Gadelha, da Santa Cruz e depois do Ouvidor era o lugar mais importante do centro do Rio, na boca do cais do porto da Praça XV, local de negócios, de cafés, jornais, quitandas, fofocas e conversas politicas. 

   Representava o centro comercial mais importante da cidade, "point" de Machado de Assis e outros escritores da época, fundadores da Academia de Letras do Brasil, isso até 1900 quando abriu-se a Avenida Central (Av Rio Branco) e posteriormente a Av Presidente Vargas, mais amplas e modernas, deslocando o poder do lugar.
 
   A partir do século XX, a rua do Ouvidor perdeu força comercial e politica, mas nunca deixou de ter charme, até os dias atuais. Lá ainda estão localizados restaurantes, cafés, livrarias, pontos de serviços e assim por diante.

   De minha parte, recentemente, yo e mi hija Nara, paramos para uma prosa no Antigamente, um dos restaurantes existentes na Ouvidor e fomos bem recebidos tanto por Alexandre Costa, o gerente operacional, quanto pelo garçom Cleyson.

   O Antigamente não é tão antigo como Machado de Assis, porém, tem aquele ar de antiguidade, piso com cerâmica p&b, mesas com tampo de vidro, cadeiras à la século XIX, um ponto bem tradicional, e que serve um Camarão na Moranga de dar vontade de comer até se dizer chega.

   O lugar é cercado de magia. Tem executivos, boêmios, mercadores, a depender da hora. Ao meio dia tem um tipo de público, alguns engravatos, em especial advogados que atuam no centro, no happy hour outro tipo, noite a dentro as meninas e os curtidores.

   O camarão na moranga é um prato tradicionalissimo preparado com azeite, dentes de alho, cebola, tomate sem semente, creme de leite e requeijão cremoso. É servido numa moranga com pimenta e cheiro verde ao gosto do freguês.

   Cleyson, o garçon, diz-nos que é a melhor pedida da casa, uma delicia.
  E, claro, diante de tal sugestão, embarcamos na moranga adicionando pimenta a gosto e uma bohemia geladissioma.

   Pra abrir os trabalhos dei uma mineira ao santo, a nobre Boazinha, e só não devoramos a moranga porque passava das medidas.

   Depois saimos pela Ouvidor até a Livraria Travessa para comprar uns livros. Faz parte da tradição da rua. Trouxe comigo "Pensando o Século XX", de Tony Judt.

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Restaurante Antigamente
Rua do Ouvidor, 43 - Centro, Rio de Janeiro
Fones 21 2507 5040 / 3173 5020
contato@restauranteantigamente.com.br
www.restauranteantigamente.com.br
Camarão na moranga R$65,90 (serve duas pessoas)
Aceita todos os cartões
Metrô estação Largo da Carioca
Classificação 2 Dons