sexta-feira, 05 de junho de 2020
Colunistas / A Boa Mesa
Dom Franquito

DOM FRANQUITO cai de boca nos camarões do Tostados La Chaparita

Um local popular onde se come bem e se diverte com as figuras populares, a música e os cantores românticos
02/05/2014 às 16:50
 Seria imperdoável para mim visitar a Cidade do México e não conhecer um dos seus inúmeros mercados populares, onde a exemplo de outros mercados existentes no mundo (La Boqueria, em Barcelona; Les Halles, Paris; Mercado Modelo, Salvador, etc) há uma mistura de artesanato, alimentos, comidas típicas, mariscos, carnes, música, doces, literatura, numa mistureba cultural onde se mesclam os turistas com as figuras populares da cidade, a gente do povo, as donas de casa, cafetões, quenguinhas, artistas e assim por diante.

   No Subúrbio histórico de Coyoacán, um dos bairros mais antigos e belos da Cidade do México, onde viveram Frida Kahlo e Diego Rivera na primeira metade do século passado na famosa Casa Azul, a Azulona, hoy, um museu visitando por milhares de pessoas de várias partes do mundo, saindo-se desse centro de cultura, anda-se duas quadras e chega-se ao Mercado Popular de Coyoacán, um burburinho enorme de pessoas, onde está o mexicano popular.

   Detalhe: não se vende bebidas alcoólicas neste local. Explica-me Carmen, a jovem que nos atendeu, no cinquentenário Restaurante Tostados La Chaparita, que se trata de um mercado familiar e só se servem jugos (sucos) e frescos (refrigerantes). 

   - Pelo menos os borrachos (cachaceiros) não aborrecem a nosotros, diz a gaja, mirando-me dos pés a cabeça, certamente entendendo que soy um pingunço. 

   Rendi-me às regras da casa. Os mexicanos, lembrando as observações de Octávio Paz, no "Labirinto da Solidão", são muy cerrados e quando estão à vontade, nas festas (até mesmo as religiosas) e nos lugares públicos do tipo mercados e feiras livres se soltam, se emborracham, se amam e se matam.

   Daí que, no Mercado de Coyoacán não se vende sequer um trago, o que se diz na linguagem baiana, uma para o santo. É no bico seco. Em compensação, a comida exposta aos olhos dos clientes dá água na boca só em olhar. 

   A señora Bião de Jesus que és uma dama chique acostumada a pisar em salões com piso de mármore teria estranhado um pouco o local. 

   Mas, quando viu um combinado marinado de pulpo (povo) abriu la sorrisa e depois de disputar um banco alto de balcão com demais clientes, naquela gritaria dos garçons e passantes, sentou-se ao meu lado.

   Luis César, da Allcance, que nos acompanhava a este sitio já se divertia com um tostado e nosotros o seguimos. O meu de camarão e da senõra de pulpo. Achamados mais coloridas do que o salpico (uma carne de panela), as tostadas crocantes com ceviche e a tinga (franco desfiado condimentado).

   Carmen nos advertiu para ter cuidado com o molho produzido com as chilles (pimentas) de arbol, famosas e muito ardilosas. Tanto que, após a recomendação da moça, pinguei (como se diz na Bahia) nas pontas da comida. 

   O tostado de camarão tinha base de guacamole (abacate), tomate, cebola, cilantro e um pedaço de abacate. Estava tão delicioso que repeti mais de uma vez. 
  Luis César aproveitou para tirar fotos de nosotros e senti, na comilança, a falta de uma Índio, a long-neck oscura del México.

    Paciência, tivemos que nos render as regras da casa e saborear as tortillas e tostados com frescos (refrigerantes).

   Valeu e muito. Na saída, passamos numa tenda onde só se vendiam dulces (doces) e uma senhora muy simpática aconselhou-me a saborear pessêgos em calda, a escolher, no peso; e Luis se deliciou com figos. La señora Bião dispensou os dulces, mas, em compensação, noutra tenda, comprou um vestido à moda Frida Khalo, muy colorido.

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MERCADO POPULAR DE COYOACÁN
Ignacio Allende S/n, Del Carmen, Coyoacán, 04100 
Ciudad de México, Distrito Federal, México
Qualquer motorista de táxi sabe onde fica
Média de preço dos tostados R$25,00