quinta-feira, 22 de abril de 2021
Cultura

DICAS DO SERAMOV: COMO CONVIVER COM AVANÇOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Na perda de empregos, a robótica pode ser um processo pior que a Covid, Veja as dicas do Seramov.
Tasso Franco , da redação em Salvador | 07/04/2021 às 11:42
Inteligência artificial
Foto: REP
   O jornalista Tasso Franco publicou nesta quarta-feira, 7, no aplicativo Wattpad, o 28º texto do seu novo livro "A mão espiritual de Seramov - linhas que iluminam seu futuro" tratando da robótica e os desafios do homem comum. Veja abaixo e os demais textos no Wattpad.

                          AVANÇO DA ROBÓTICA SERÁ PIOR DO QUE O CORONAVIRUS
         

    Volto a falar sobre a robótica. Nós estamos vivendo o momento do coronavírus. Vocês estão acompanhando o noticiário e as mortes que esse patógeno esta causando em várias partes do mundo, especialmente no Brasil.

    A inteligência artificial e o avanço da robótica é um tema mais preocupante do que o coronavírus porque ele será duradouro. Eu creio que em mais dois anos, três anos no máximo, todas as pessoas estarão vacinados contra a Covid-19.

    Mas enfrentar a inteligência artificial é preciso que as pessoas se preparem e se qualifiquem, o mais rápido possível. Eu sou jornalista e tenho 75 anos de idade e 52 de profissão. Passei 30 anos de minha vida profissional escrevendo em máquinas de datilografia. De 1993 para cá trabalho com computador e nunca mais vou voltar a escrever em máquina de datilografia. 

   Isso acabou, as fábricas fecharam. No jornal que eu trabalhava vários empregos desapareceram em função das novas tecnologias. E desapareceram mais do que os que foram criados. Isso é uma fenômeno relevador. E, agora, vão desaparecer muito mais com o avanço da inteligência artificial, da robótica, em todos os campos.

    Ninguém tenha dúvida em relação a essa questão. Estima-se que até os anos 2030-2035 aproximadamente 40% dos empregos hoje existentes serão eliminados em todo planeta. Vão surgir outros, outras profissões,  mas esse avanço destruidor será muito maior do que se imagina. 

   Veja vocês que a Ford se instalou na Bahia, em 2002, com alta tecnologia. Fechou em 2020, 18 anos depois, sem poder de competitividade. Na cadeia produtiva 5.000 pessoas ficaram desempregadas.

    Nessa corrida da inteligência artificial, do conhecimento profundo, sete gigantes estão disputando esse mercado. O Google, o Facebook, a Amazon, Microsoft, Baidu, Alibaba e a Tencent. São 4 empresas norte-americanas e três empresas da China. 

   E acoplados a essas empresas, interligadas a esses unicórnios, existem milhares de outras Startups e empresas de tecnologia, nas áreas de transporte, de alimentação, etc, que vão disputar - segundo a PWC - até 2030, 15.7 trilhões de dólares que serão capturados por essas empresas.

       A estimativa é de que a China fique com 7 trilhões de dólares. Os EUA com 4 e o resto com outros 3,5 a 4. Alemanha, Japão, França, Coreia do Sul. E onde que entra o Brasil? 

     Ao que tudo indica o Brasil não vai entrar nesse circuito porque não desenvolveu tecnologias, as universidades estão aparelhadas, o governo esta discutido outras questões e nós não temos como acompanhar esse ritmo, esse desenvolvimento.

       Vou dar um exemplo para vocês. Xiongan é uma aldeia nos arredores de Pequim. Essa área que fica a 100 km de Pequim é densamente povoada. Está recebendo investimento de 583 bilhões de dólares em infraestrutura. Está criando uma cidade, uma região autónoma em que todos os movimentos de transporte e de  serviço serão feitos por robôs ou computadores robotizados. Os carros não terão motoristas. Todos os sistemas serão automatizados. As estradas também serão automatizadas.

       O maior projeto que temos em Salvador, na Bahia, é a ponte Salvador-Itaparica, um investimento de seis bilhões de reais. Agora você veja: só esse investimento chinês corresponde a 100 pontes Salvador-Itaparica. A ponte Salvador-Itaparica tem dez anos para ser feita e nunca saiu do papel. Dizem que vai começar agora no ano de 2021.

      O projeto chinês começa a operar em 2030. Então você vê como o Brasil está atrasado em relação a isso e não vai poder acompanhar esse sistema e nós vamos ficar como meros compradores de produtos ou revendedores de alguma coisa.

       Vou dar outro exemplo. A Didi é o Uber chinês, que é ligada a Tencent e a Alibaba. Chegou no Brasil e comprou a 99 que era o nosso Uber. Então, hoje quando você tá andando num carrinho 99 com essa marca, você tá viajando numa tecnologia chinesa que tá levando o seu capital, o seu dinheirinho uma empresa na China. Porque nós perdemos o bonde da história.

   Não temos mais como acompanhar isso. Nós não conseguimos ter uma educação capacitada para essas coisas, nossas universidades não seguiram caminhos que pudessem levar a esse conhecimento profundo e o Brasil ficou realmente fora desse circuito.

      A inteligência artificial está dividida hoje em quatro segmentos. A IA da Internet, a inteligência artificial de negócios, a inteligência artificial de percepção e a inteligência artificial autônoma. 

   O que são isso? A inteligência artificial da internet abriga bancos de dados. Os nossos bancos de dados são frágeis. A China tem mais usuários na internet do que os Estados Unidos - que é um país com 300 milhões de habitantes - e toda a Europa.

      Então o banco de dados deles é muito mais poderoso que o nosso. Quando aconteceram os jogos olímpicos do Rio de Janeiro, uma mpresa da China fez de transmissão dos jogos com robôs. Parecia ficção científica mas é a realidade. Agora, em Tóquio, vai ser um show de tecnologia.

     A inteligência artificial de negócios está em curso e com muita força, com muita dinâmica. Hoje quem tem algum capital  e quer investir  numa empresa na área de medicina não precisa  ir numa corretora, sentar lá com uma pessoa e ficar discutindo o que é bom, qual a empresa boa. 

   Vai acessar um aplicativo e esse aplicativo fornecerá todas as informações que o cliente precisa para colocar seu capital. Isso, com muito mais segurança, porque terá mais dados do que um corretor para jogar seu capital. 

    A inteligência de percepção já é um passo mais à frente que também está em curso em vários países. As geladeira e os eletrodomésticos serão todos inteligentes. Na inteligência artificial de percepção você vai chegar no supermercado, pegar o carrinho das compras e nele está acoplado um computador e sua geladeira vai informar ali num link, o que tá faltando. Se tá faltando tomate, se está faltando cebola, tá faltando leite e você vai adquirir o que o que ela vai informar.

   E depois de feita às compras você vai pagar ali mesmo, vai passar um cartão de crédito no computador do carrinho. Não precisa passar em caixa nem em lugar nenhum. Isso já está acontecendo. E aí você vê as perdas dos empregos que vão acontecer. 

     A inteligência artificial autônoma é ainda mais avançada. Os computadores mais inteligentes já desenvolvem ações humanas. Na medicina, na engenharia, na arquitetura, nos serviços, na contabilidade, na enfermagem e na sala de aula. Agora vocês viram com o coronavírus quantas escolas já estão fazendo transmissões de aula virtuais. Então essa coisa vai aumentar e muito.

     A expectativa é que as empresas tenham ambientes mais humanos. As pessoas dizem que após a pandemia vão ser mais humanas, serão mais  receptivas, mais acolhedoras. Em parte, sim. Mas, noutra parte, não porque o planeta Terra tem 7 bilhões de 600 milhões de habitantes. 

   E essas pessoas não vivem mais numa aldeia pequena. Essas pessoas têm que pegar o metrô, têm que ir para o cinema, para faculdade, trabalhar, ir para a academia,..  enfim é uma correria que não vai cessar de uma hora para outra. Esse humanismo será limitado porque as empresas também trabalham com lucro.

   E o que se espera? Uma renda básica universal. É possível que aconteça. Assim aqueles grupos dos  grandes vão disponibilizar uma renda básica universal para que as pessoas possam sobreviver. E já existe no Brasil, o coronavírus aplica no Brasil uma renda básica nacional, projeto do ex-senador Suplicy e que agora nós estamos vendo. Isso poderá ter uma escala mundial com a inteligência artificial e o avanço da robótica.

      Vamos as dicas da mão espiritual do Seramov, as 5 flechas douradas:


       1. A palavra de ordem é requalificar suas habilitadas com a utilização dos computadores, em programas públicos ou privados. 

      2. Entender que as novas tecnologias vieram para ficar e não são assustadoras como se falam. Você tem que aderir imediatamente a esses processos.

      3. Se você não tem uma qualificação em nível superior num campo específico - das especialidades - procure ser um generalista com o domínio de várias habilidades nos níveis médio. Foi-se o tempo em que o cabelereiro apenas cortava cabelos.

      4. As multifunções podem ajudar a superar a perda de um emprego fixo. Hoje, muitos profissionais com uma gradução superior estão fazendo uma segunda graduação.

   5. Ponha na sua cabeça que as novas tecnologias, a inteligência artificial, veio para lhe ajudar e não para lhe prejudicar. Seja, portanto, um aliado. Se aquele russo campeão mundial de xadrtez perdeu um jogo para um computador, não é você que vai competir com eles.