segunda-feira, 30 de novembro de 2020
Cultura

MUNDO QUE OS NASCIDOS EM 2020 VÃO ENFRENTAR NO FUTURO (TF)

O grande desafio do homem será conviver com os robôs
Tasso Franco , da redação em Salvador | 18/11/2020 às 09:29
Francolino & Zildoca em 2141
Foto: Seramov
  O jornalista Tasso Franco publicou nesta quarta-feira, 18, no wattpad, a última crônica do seu livro "No Meu Tempo de Menino, o último apito do trem" (1945/1957) Serrinha/Bahia falando sobre o que as crianças de hoje vão enfrentar no futuo. Leia abaixo e as demais crônicas no wattpad.

  MUNDO QUE OS NASCIDOS EM 2020 VÃO ENFRENTAR NO FUTURO

   Esta é a última crônica da série "No Meu Tempo de Menino", idos dos anos 1945/1957, que comecei a escrever em 2015 e chega ao número 35 encerrando um ciclo. Procurei no decorrer dos textos e dos temas fazer alguns comparativos entre às crianças daquela época e as do final do século XX e nesses primeiros 20 anos do século XXI.

   Nesta crônica vou colocar o que vem por aí com base na minha vivência e diante das novas tecnologias que surgem a cada dia no mundo contemporâneo. Afirmo que, entre 1945, quando nasci; e 1995, 50 anos depois, algumas mudanças foram significativas. Mas, nos últimos 20 anos foram muito maiores. E, nos próximos 50, que não irei alcançar, serão ainda mais expressivas. 

   Então, as crianças que estão nascendo em 2020 terão um ciclo infantil até 2033, a partir daí até 2038 dar-se-á a adolescência; até 2042, a formação acadêmica superior; e entre 2043/2083 o período de vida profissional, podendo se prolongar até 2090/2100 porque a expectativa de vida no Brasil, a partir dos nascidos em 2018 é de 76.3 anos, deverá se estender a 80/90 anos.

   Hoje, os maiores investimentos mundiais em tecnologia da saúde são aplicados no fim da morte ou prolongamento da vida. Estima-se que, em 2100, o homem poderá viver entre 120 e 150 anos numa boa, pois, as reposições de células e hormônios estarão evoluidas.

   Nada do que estou falando aqui é ficção. Lembre que a expectativa de vida já foi de 40 anos e, hoje, chega aos 80/90 anos. Na Itália, país mais longevo da Europa, o homem só é considerado idoso, pela lei, a partir dos 75 anos de idade. No Brasil, prevalece 60 anos, mas, a nova lei da Previdência estendeu para 65 anos a aposentadoria.

   Como as famílias vão programar seus filhos a partir de 2020 para enfrentar o mercado de trabalho completamente diferente do que é hoje, em 2043/2045?

   Esse é o grande desafio da atualidade e os países mais desenvolvidos já estão mudando tudo: a pedagogia na educação, a formação profissional, a relação homem-robótica porque as mudanças serão radicais.

   Vou dar um exemplo da nossa aldeia. No ano de 1991, em Serrinha, coloquei um comércio - Serra de Aço - e instalei o primeiro computador (nem por sonho inteligente como os atuais) para ter controle do estoque das mercadorias e outros procedimentos. A impressora era matricial. Nenhuma loja na cidade tinha um computador. 

  Hoje, todas as lojas têm computadores que ajudam no gerenciamento dos negócios, emitem notas fiscais e atuam no E-Comércio. Meu pai foi comerciante em Serrinha, entre 1930/1975 e usou durante 45 anos um mesmo sistema manual, caligráfico.  As notas fiscais tinham 5 vias. Tudo com papel, carimbos, selos e goma.

  Em 2045 é provável que o E-Comércio (sem a necessidade do cliente ir a lojas, compra-se pelo mostruário exposto na telinha de computadores) esteja em pleno desenvolvimento e muitas lojas, hoje em atividades, desaparecerão. Esse efeito, na atualidade, já é sentido em várias capitais mundiais. Pontos famosos da 5ª Avenida (NY) fecharam, assim como na Oscar Freire, em SP; e na Av NS de Copacabana, no Rio. 

  Com essas mudanças provocadas pelas novas tecnologias da internet e da robótica empregos estáveis vão virar pó e novos empregos irão surgir. É preciso, portanto, ficar atento a isso e estar sempre se reciclando. Aquele modelo antigo aindo conta de que uma pessoa entrava para trabalhar num banco e se aposentava como bancário, acabou. Ou reduziu 90%. Os pais, antigamente, diziam para os filhos: - Você vai ser médico porque é uma profissão segura e que dá dinheiro.

   Minha neta tinha 13 anos quando manifestou o desejo de ser médica legista, isso em 2018. Pela idade e por ser uma garota estudiosa deverá se formar em medicina - se seguir essa ideia - em 2029, com a especialização e residência se tornará legista em 2031. Mas será que em 2031 esse serviço de manipular um cadáver não será feito por um robô? E se ela exercer a profissão até 2061 como será feita a anatomia dos corpos?

   Em 1993 fundei o Bahia Hoje, em Salvador, com Pedro Irujo. Foi o primeiro jornal informatizado do estado. Sepultamos as máquinas de datilografia, laboratórios de fotos, diagramação com régua e compasso, copydesk, arquivo em pastas e books e outros procedimentos. 

   A E. Remington & Sons, primeira máquina de escrever do mundo surgiu na Feira Internacional de Arte e Manufatura e Produtos de Solo e das Minas, em 1876, na comemoração do centenário de independência dos EUA, na Filadelfia. Durante 24 anos, entre 1968/1992 trabalhei com uma dessas máquinas. 

  Desde 1993, pelo menos na Bahia (nos EUA bem antes) se transformou numa peça de museu. Foi nesta mesma Expo da Filadélfia que Graham Bell lançou o telefone falando com Dom Pedro II, o qual se encontrava na feita. Alcançou sua fala uma distância de 100 metros. Hoje, sabemos o que significa um iPhone e o que é capaz de fazer.

   A máquina de escrever durou 220 anos no mercado e, quando surgiu, sepultou a escrita a mão, a caneta tinteiro e a bico de pena.  O telefone "matou" o telégrafo e vários filhotes, o mais recente, o telefax. A velocidade das mudanças, hoje, é impiedosa. O telefonema de Bell para Dom Pedro II foi apenas um alô. O imperador respondeu: - Meu Deus, eu escuto. Isso fala. Isso fala. 

   Hoje, o iPhone, fala, canta, paga contas em bancos, permite compras em qualquer parte do mundo, tem TV na telinha, bilhões de dados do Google, diz o dia que vai chover e com aplicativo what's app, sepultou cartas e telegramas. E, com isso, atingiu em cheio a indústria de papel, de fotos, de cards, envelopes e outros. 

   Alguém ainda manda um postal do exterior quando viaja? Só por recuerdo. Você pode estar na Filadelfia, como Dom Pedro II, em 1876, e mandar uma selfie para sua familia, de imediato, pelo tal "zap" do fone de Bell.

   O que pretendo mostrar nessa última crônica do "Meu Tempo de Menino", vivido entre 1945/1957, é que as mudanças que estão acontecendo nas sociedade mundiais são muito rápidas e graças a essas novas tecnologias da informática se espalham por todos os continentes também rapidamente e os pais dos filhos que irão nascer a partir de 2020 devem ficar atentos a isso e projetar a educação dos pequenos com essa visão. 

  Eu, no meu tempo de ginasiano, estudei latim. Hoje é mais importante um adolescente estudar inglês do que qualquer matéria do ensino fundamental. Ele não deve descuidar do ensino fundamental - português, matemática, leitura, etc - porém, o inglês é a língua universal que ele vai deparar no enfretamento da vida. 

 Os nascidos a partir de 2020 vão viver a maior revolução tecnológica da história, milhões de desempregados, aumento da expectativa de vida, competição feroz no campo da robótica, novos alimentos, novas doenças, um salto no escuro que ninguém tem capacidade de prever neste momento. Um dos campos: a neurociência com descobertas de áreas do cérebro e controle da mente estão a caminho desse mundo novo.  

   A propósito, neste 2020, o mundo passou pela pandemia do Coronavirus com milhares de mortos e a paralisação das atividades em todos os campos sociais. Transcorridos meus 75 anos de vida nunca imaginem que pudesse acontecer isso e participar desse momento. (The End)
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  Agradeço a todos que leram as crônicas. Quem quiser comprar o livro impresso pode fazê-lo pelo site da Amazon.