sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Cultura

DOM FRANQUITO lembra da Confraria do Marques comandada por Eujácio

Uma figura humana admirável e que fará uma enorme falta a todos que o conheceram
Tasso Franco , da redação em Salvador | 18/08/2019 às 09:54
Confraria do Marques reunida na Pedra do Sal 2015
Foto: BJÁ
   Durante muitos anos integrei a Confraria do Marques da Placa Ford comandada por Eujácio Simões, a quem obedeciamos piamente em matéria de comes & bebes, e foram inúmeros encontos recheados de fraseados, música, histórias, aventuras, risos, lágrimas, amizades, vinos, rabadas, peixadas, pingas, umbus, maturis e assim por diante. 
  
   Tudo compartilhado, dividido, agregado, risadas sem fim, causos, narrativas de viagens, dos peixes mais saborosos da Bahia, da tenda do Mistura ao restaurante do Osório, de Itapuã a Mapele, experimentávamos de tudo até do inusitado Jajaporco, uma invenção do marquês, uma mistura de porco e javali. Quando um de nós faltávamos ele dizia: - Liga aí pra fulano pra saber do que houve.
   
   Eujácio era um amigo desses de dizer: - Pode contar comigo. Eu mesmo sei de várias histórias de ajudas prestadas pelo marquês sem qualquer interesse. Coração aberto, de mãe, de pai, de irmão. Vai fazer uma enorme falta a todos nós lembrava Gildásio Xavier hoje cedo ao falar do seu falecimento. Ficamos com a nobre missão de perpetuar sua memória. 

   Em encontro no final do ano passado, no Bacalhau do Osório ele me ligou convidando. Eu disse: - Lá é péssimo para estacionar o veiculo. - Vou lhe pegar em casa, respondeu. - Tá certo, comentei.

   Passou lá em casa com um mercedes esportivo, dois lugares, capota arriada. - Marquês, falei admirado! Eu nunca entrei num carro desses. - Deixa de conversa Serrinha e vamos ao que interessa que Osório nos espera com o bom e o melhor. Participamos, grupo enorme de amigos, de uma noite memorável, inesquecível. (TF)

                                                                  *****

    (Crônica publicada no Bahia Já em 30/01/2015) 
    DOM FRANQUITO degusta massas com rabada na Confraria do Marquês. 
    A galera da Confraria do Marquês da Placa Ford se reuniu na Pedra do Sal para uma tarde em Itapuã


 A confraria informal do Marquês da Placa Ford, dom Eujácio Simões, reuniu parte dos seus integrantes na Casa Gastronômica da Pedra do Sal pilotada por Vera & Francesca para 'passar uma tarde em Itapuã' à moda Vinicius de Moraes, olhando o mar que bate nos arrecifes, com direito a vinos, geladíssimas e a degustação de massas com rabada.

   Uma mistura da brasileirrisima rabada de boi com a intalianíssima massa spagethti e pene. Combinação melhor não pode haver e se há que nos convide para uma nova degustação.

   A confraria posta em mesa de varanda de ampla medida, o marquês ao centro ladeado por sua esposa e mais a 'droit' Milton Cedraz, Hélio, ex´prefeito de Piraí, Ion Campinho, Dinailton Oliveira, Gaspari Sarraceno e Edgar Cabral; a 'gauche' Eunice, yo e la seõra Bião de Jesus, e mais Sérgio Gomes; e à frente Luis Gonzaga e Esposa, Lourival, el louro (não confundir com Lôro na barraca de Itapuã), Telma, Eliene e el cantante Jolival Góes, André corretor, o poeta; el violeiro Jorge de Itapuã e Alberto Oliveira Filho, el toro del sertão, e Udson Andrade.

    Vera tem história que se duvida. Já correu o mundo. Morou dez anos em Bruxelas e tantos outros em Lion, França. Está ligada a atividade gastronômica há anos e Francesca, nem se fala. 

   Diz-se que, na Bahia, el quarteto da 'Roma Negra Italiana gastronomica' é constituida por Francesca - massa com rabada; Paolo do Mistura de Itapuã; Geraldo do Oceânico do Rio Vermelho; e Osmar do Salestrina.

   Pois, enquando Francesca cuidava das panelas, nosotros olhavamos o mar, a conversa se estendia de ponta-a-ponta da mesa, cada qual com seu assunto, o Tuniche chileno já era servido à mancheia; o 120 camenere, idem-idem e abriram-se os trabalhos com uma rodada de carne de charque, farofa d'água, salada e feijão fradinho. 

   Alguém, salvo engano foi André, el poeta da célebre frase "tudo na vida passa, até a uva passa", que solicitou ao nobre Jolival que lhe passasse a botella de Supremacia. 

   Olhei com meus botões e fiquei astuciando o que isso significava pra logo depois conferir no rótulo estiloso que se tratava uma caninha de primeira qualidade armazenada em tonéis de Jequitibá e produzida na Fazenda Santa Helena, Urandi.

   Ora, direis que a tarde de Itapuã estava admirável e passava um veleiro ao largo do mar, as câmaras fotográficas se agitaram, e André se servia da Supremacia e yo tambien pedi um trago.

   Si, la señora Luiz Gonzaga, o Lulinha da Transprancha, também solicitou provar da Supremacia dizendo que admirava as puras e curtidas caninhas mineiras e baianas. Ademais, sendo dura na queda porque sabe apreciá-las com sutilezas.

    A tarde ganhava o tempo com o sol brilhando no mar, tudo isso sendo apreciado da varanda gourmet da casa gastronômica de Vera que fica na sugestiva e romântica rua que se chama Sereno da Madrugada. 

   E foi Vera quem pediu a palavra para fazer uma saudação a nosostros, sem solicitar o voto de ninguém, mas, para dizer que faria uma surpresa a todos que classificou como "o prazar da alma'. 

   Aplausos. Uma Vera emocionada dizia do prazer que era receber a confraria do Marquês em sua casa e que tudo faria para que a tarde, boca da noite, fosse a mais agradável possível.

   Nos entreolhamos. Nice, admirada com a pose da señora Bião, quis saber qual seu prmeiro nombre e quando a madame falou qual era, o entendimento foi de que seria Uhara, Odara, Omara, e o Grece que acompanhava seria mesmo sobrenome ou nome colocado. 

    Que rolo! Tenho impressão que o vinho falava mais alto. 

   Maravilha! À mesa, exemplares do Santa Alícia, South Africa, de paladar refinado.

   Câmaras, luzes, silêncio...foi apresentado por Vera o 'prazer da alma', o violeiro e cantante Jorge de Itapuã, o qual abriu a peleja interpretando 'sonho de brisas'.

   De imediato, formou-se o quinteto quase violado contituido por Telma, Liu, Nice, Jolival e Jorge a cantar desde o harmoniosoa 'Amada Amante' a 'dor de cotovelo' Marina Morena e os sucessos de Moraes Moreira. O chão da praça da casa de Vera tremeu. 

   Olhos negros crueis tentadores, das multidões sem cantores, eu era menino, um beduino com ouvido de mercador...balança o chão da praça - uma maravilha a performance dessa galera.

   Alguém, não sei se por gozação ou a vera, disse que o quinteto poderia se inscrever no The Voice Brasil.
Que onda! Que zorra total!

   A tarde avançava...que bom passar uma tarde em Itapuã/ oh! ver o mar de Itapuã/ falar de amor em Itapuã.

    Sérgio Gomes filosofava com dom Franquito: - 2015, ano de crise, este sim que é tempo de se ganhar dinheiro.

    Quase canto...'ei você aí, me dá um dinheiro aí' entendendo que era isso mesmo.

   Mas, o pessoal estava querendo era falar de gastronomia e algumas queixas foram feitas ao marquês diante da ausência das iniciais com as linguiças de Rui do Maranhão e a carne de sol de novilha de 1 ano, que não apareceram.

   Em compensação, surge Francesca com as massas e a rabada. Vivas. O som do quinteto se silenciou para uma pausa gastronômica. E os garfos e as mãos entraram em cena. 

   Apetitosas ambas estavam e não sobrou necas. 
 A tarde seguiu seu caminho querendo abraçar a noite e todos sairam felizes da vida da Casa de Vera certos de que, a tal da crise que tanto se fala, passa ao largo da confraria do Marquês.