sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Cultura

CRÔNICA 1: Sobre o glitter derramado, por BLUMA HAUSSWOLFF

Bluma Hausswolff é escritora
BLUMA HAUSSWOLFF , Salvador | 18/08/2019 às 17:01
Glitter
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É cedo pra chorar, menina. Recolhe essa tua antecipação, põe um batom, delineia os olhos e volta a viver. Calça os pés, escolhe um figurino e isso é tão urgente quanto os dias que passam descabidos e acelerados atrás da sua janela sempre fechada. Por falar nisso, areja a tua casa. Joga para o lado essas cortinas que tanto escurecem e permita que o clima entre; seja de chuva ou de sol, mas permita. Não se prive de ver a beleza das horas vivas, nítidas e reais porque a existência, veja bem: a existência passa escandalosamente rápido.
A dor? Ela não irá passar.
 A dor existe e te faz uma visita a cada momento em que as suas fraquezas assaltam ou a cada vez que as suas pernas cambaleiam, tropeçam e te jogam com força ao chão. Não deixa latente o que te faz doer, não. Pega essa tristeza e inventa uma poesia, pois é do drama que nascem as histórias mais belas e interessantes. Pega a melancolia e faz dela o teu bilhete para a evolução, porque na busca pela felicidade a gente sempre lida com o nosso quinhão de dificuldade.
Ainda é cedo para chorar e se render, menina. Recolhe a lágrima, corre pra rua e silencia a boca dos equivocados com a sua graça imprevisível. Não permita a ousadia de quem dança sobre os seus destroços se o teu edifício ainda está aí, inteiro.
Há muito mais brilho além do seu frasco de glitter derramado