segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Cultura

A sociedade precisa da filosofia e da sociologia, por Odiosvaldo e FP

*Artigo de autoria do vereador Odiosvaldo Vigas e da socióloga Fátima Peixoto
OV e FP ,  Salvador | 14/05/2019 às 18:13
Pensar
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É importante estudar filosofia devido ao seu caráter de classes, pois a elite dominante vê a área temática como conhecimento revolucionário e de forte reação social. A filosofia é a mãe de todas as ciências por uma razão bem simples: ensina a pensar. Negar as ciências humanas nos deixa à deriva num mundo dominado pelas forças econômicas, sendo inaceitável os possíveis cortes nas áreas de filosofia e sociologia no Brasil

Entendemos que as duas matérias e as Humanas, de modo geral, são cruciais para dar aos estudantes o senso de história, o pensar, a construção dos seus caminhos. Essa área do conhecimento tem que ser valorizada, independentemente de posicionamentos políticos. Salientamos que pensadores conservadores também foram forjados na filosofia e na sociologia.

O estudo filosófico interessa muito aos trabalhadores quanto à situação e fatos vividos por eles, colocados diante do desemprego, perda de direito de greve e das liberdades democráticas, conquistadas ao longo dos tempos e que se encontram ameaçadas no atual momento político brasileiro. Não podemos aceitar esse temor desenfreado de que essas disciplinas tenham se tornado ideológicas, que representem manifestações políticas diferentes do governo Bolsonaro. Ou seja, se as universidades se voltarem exclusivamente para as habilidades técnicas ou dedicadas à promoção de interesses de mercado, perdem sua missão de dar aos estudantes um amplo senso de história, de debater os valores e apresentar pontos de vista respaldados por evidências.

É impossível entender nosso mundo sem entender as histórias e as imagens, a interpretação e a argumentação. Precisamos das Ciências Humanas e Sociais para desenvolver uma compreensão bem informada da história e da sociedade. Como poderíamos responder à questão sobre o que vivemos e em que tipo de mundo queremos viver se negarmos a filosofia? Como entenderíamos como o mundo é organizado se erradicarmos a sociologia?

Defender a filosofia e a sociologia não é apenas defender uma profissão, uma classe ou uma ciência. É sair em defesa da dignidade humana, da consciência crítica da sociedade sobre a realidade social, econômica e política. O corte de recursos para a filosofia e a sociologia, no caso do Brasil, prejudica a busca pelo conhecimento acadêmico, deixa de se questionar o governo Bolsonaro, que demonstra medo ao ser desafiado, demonstra autoritarismo.

Não se pode decidir sobre o que se deva ou não estudar ou se é uma área promissora ou não. A história mostra a importância de autores e estudiosos dessas áreas no mundo inteiro. Estudos que são capazes até de dizer qual o objetivo do governo federal ao querer acabar com os investimentos nos estudos dessas áreas, que fazem o aluno desenvolver uma consciência crítica sobre tudo o que acontece a sua volta. Faz parte dessas áreas humanas a análise dos fatos, da história, da realidade.

Fiquemos atentos a esse e a outros absurdos que vivenciamos ultimamente. Não fiquemos inertes diante desse crime contra as ciências humanas. As universidades são uma fonte de perspectivas críticas, nos dão a chance de repensar ideias pré-concebidas. Esse movimento atual brasileiro é sinal de que o governo Bolsonaro teme a difusão de conhecimentos, imagina as universidades como bastiões do esquerdismo, mas isso é um sinal de que não se tem ideia do que acontece nessas instituições de conhecimentos e saberes.