sexta-feira, 05 de junho de 2020
Cultura

Sábado Aleluia é o dia do Judas, da ‘queima do Juda’, ZÉDEJESUSBARÊTO

Registros de costumes e tradições – cultura popular – que o tempo vai mastigando e cuspindo.
ZédeJESUSBarrêto , Salvador | 20/04/2019 às 17:36
Representação do Judas em Serrinha. No palco a Filarmônica 30 de Junho.
Foto: JM

O Juda é o que sobrou do discípulo Judas Iscariotes, o ‘traidor’, aquele que teria entregado Jesus a troco de trinta ‘real’. Virou boneco de pano a ser malhado pelas ruas com algazarras.

E o que não falta é ‘juda’ hoje em dia pra se malhar, tocar fogo. Tem ‘juda’ de toga, de gravatas, de farda, até a paisano. Muitos. O traíras, os boca-mole, os língua ‘plesa’ e os de língua nervosa.

 Os piores são os traidores do povo e da pátria, os ‘poderosos’, aqueles que entregaram e entregam até a mãe por um punhado de dinheiro ou pela pose do poder. Que se explodam, todos.

                                                                    *

 Mas, mudando o rumo da prosa, ainda resiste a tradição da malhação, da queima do Judas com leitura de testamento e muita folia nos bairros, nas comunidades?  Cadê Florentino, o fogueteiro?   

 O gostoso era construir o próprio boneco do Juda com trapos, restos de colchões e travesseiros, roupas surrupiadas nos guarda-roupas de casa. O testamento, redigido em versos e lidos pra comunidade, eram glosas, sacaneando os ‘porretas’ e os amigos também. A arte maior era saber fazer o boneco se despinguelar aos poucos, com as explosões das bombas e foguetes inseridos pelo corpo.  A vingança era ‘malígrina’!  

Registros de costumes e tradições – cultura popular – que o tempo vai mastigando e cuspindo.